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03/12/2006 - 08h01
Candidatos à presidência do Fla expõem planos
Da Redação No Rio de Janeiro
Os três candidatos à presidência do Flamengo expuseram suas idéias nesta entrevista ao UOL Esporte. Confira abaixo os principais planos de Marcio Braga, Arnaldo Cardoso e Ronaldo Gomlevsky para o próximo triênio em respostas a seis perguntas.
UOL Esporte - Por que o senhor acha que deve ser presidente do Flamengo no próximo triênio?
Marcio Braga - Para concluir o trabalho que nos propusemos quando assumimos, em 2004. Naquela ocasião, anunciei que os primeiros três anos seriam de reconstrução, de colocar a casa em ordem. Os três seguintes serão de importantes realizações, de uma grande e definitiva expansão para o clube, recolocando-o entre os maiores do mundo.
Entre as nossas metas podemos citar: a reforma institucional, que é quase uma unanimidade dentro do clube, cujo processo de discussão deve ter início em janeiro de 2007. A revitalização da Gávea, que é um programa constituído de quatro projetos: construção do estádio, novas instalações para os esportes olímpicos, ampliação e adequação da sede e o Centro de Excelência de Remo. Das quase 50 aprovações dos órgãos oficiais, faltam somente três, que devem ocorrer até o final do ano.
A partir daí, vamos escolher os interessados em participar da construção, que são muitos, e, imediatamente, dar início à mesma. Se Deus quiser, até o final do próximo mandato o estádio estará concluído.
A autonomia do futebol, também, é uma necessidade inadiável. O futebol, os esportes olímpicos, o remo e a sede Fla-Gávea, com autonomia de gestão, por delegação planejada, devem constituir unidades operacionais próprias e auto-suficientes financeiramente.
Mas há outros projetos importantes no nosso Plano de Metas, como o realinhamento fiscal e o prosseguimento do saneamento financeiro, a implantação do orçamento por objetivos e a total profissionalização das funções executivas.
Arnaldo Cardoso - Por motivos muito simples: sou um apaixonado pelo Flamengo, fui atleta do clube. Além disso, sou um empresário experiente e vitorioso. O problema do Flamengo é simples: má gestão e falta de credibilidade.
É mentiroso o discurso de que o Flamengo está falido. O orçamento do clube é de R$ 70 milhões por ano, maior do que 90% dos municípios brasileiros. Como não conseguem pagar dívidas, sanear o clube, fazer um futebol digno das tradições do Flamengo com esse dinheiro? Por falta de capacidade, no mínimo.
Por isso, o Flamengo precisa de um choque de credibilidade. Se eleito, farei uma auditoria geral nas contas do clube, incluindo as dívidas, e suspender qualquer negociação que envolva alienação de receitas ou patrimônio do clube, como parceria no futebol, estádio/shopping e Morro da Viúva. Qualquer ação neste sentido só deve ser externada após sua aprovação pelos Conselhos do Clube.
Também terei total compromisso com o orçamento anual aprovado, farei prestação de contas na Internet e a implantação de processo de Leilão Eletrônico Reverso para as compras. Em empresas públicas ou privadas, este procedimento permitiu redução de custos na ordem de 50%. Com isso, temos uma previsão de acréscimo de R$ 20 milhões e de redução de R$ 15 milhões na despesa operacional anual do clube.
Sou experiente em administração e estou cercado por pessoas vencedoras no Flamengo, por isso, devo ser o novo presidente. Esse pessoal que hoje manda no clube é responsável por 100% da dívida do Flamengo.
Ronaldo Gomlevsky - Quem nos conhece sabe que somos competentes, capazes e confiáveis. Que conhecemos o clube e temos coragem para aplicar os remédios de enxugamento que o Flamengo necessita. Sabe também que, em nossas mãos, o Flamengo voltará a crescer e a ocupar seu lugar no cenário esportivo nacional, lugar esse há tanto tempo deixado de lado.
O associado do Flamengo sabe que sob nossa administração o clube irá para frente, em busca de suas vitórias, de seus títulos, de suas medalhas e de suas glórias alcançadas no passado.
UOL Esporte - Devido a dívidas com o governo federal, o Flamengo ficou sem receber a verba do patrocínio da Petrobrás neste ano e com isso atrasou salários. Recentemente, o clube conseguiu liberação de parte dos recursos em caráter emergencial. Mas outra parte e as futuras cotas de patrocínio continuarão sendo retidas pela Justiça enquanto o Flamengo não começar a quitar sua dívida com o governo, através da Timemania. Como resolver esse dilema financeiro enquanto a loteria não entrar em vigor?
Marcio Braga - Enquanto não conseguirmos a certidão negativa de débito, continuaremos no processo de liberar recursos para pagamento do pessoal. Mas acho que a regulamentação da Timemania deve ocorrer até janeiro ou fevereiro e aí tudo estará resolvido. Pretendemos continuar com a Petrobras, um grande parceiro há 23 anos. Vamos renovar o contrato em condições financeiras melhores do que as atuais.
Arnaldo Cardoso - Vamos cumprir a lei. Temos de saldar o que nos é devido para receber o que temos direito. Isso é possível fazer, desde que haja um corte dramático nas gorduras do clube, com especial atenção às do futebol, cujo custo representa perto de 80% do total.
É necessária a redução dos custos fixos, com implantação de processo de participação nos resultados e bônus, renegociação dos contratos atuais do clube, com base no mesmo critério e otimização comercial da sede.
Ronaldo Gomlevsky - Uma das formas de receber o dinheiro da Petrobrás sem depender da Timemania é pagar os impostos em dia. Para isso, tem que haver um enxugamento. Essa é a minha proposta. Enxugar as gorduras e garantir o pagamento dos impostos.
Agora é difícil porque a administração atual joga dinheiro no lixo. Por exemplo: paga R$ 60 mil por mês ao Júnior (volante), que não joga. Adquiriu mais de 60 atletas como Peralta e Dimba, que não deram nenhum retorno. Enfim, está comprando e vendendo mal. Mas nossa administração terá austeridade financeira.
UOL Esporte - Há anos, o sócio e o torcedor do Flamengo escutam promessas de construção de um estádio próprio. O senhor acredita que poderá enfim tirar esse projeto do papel e colocá-lo em prática no próximo triênio ou ele não está nos seus planos?
Marcio Braga - Sem dúvida. Pretendemos iniciar a construção do estádio no primeiro semestre de 2007. Há inúmeros investidores do Brasil e do exterior muito interessados. É importante registrar que o Flamengo será o proprietário do empreendimento, mantendo o controle durante todas as fases da construção e operação. Além do estádio, o Centro de Treinamento Ninho do Urubu deverá estar concluído até o fim de 2008.
Arnaldo Cardoso - Não vejo qualquer necessidade de o Flamengo construir um estádio. O estádio do Flamengo será o Maracanã. É o único que comporta nossa torcida e temos condições de administrá-lo com competência. Seria até um alívio para o Estado e bom para o futebol brasileiro como um todo, que deseja trazer a Copa de 2014 para cá.
À frente do Maracanã, com parcerias certas, teríamos o estádio modernizado e para uso do Flamengo. Estádio na Gávea, shopping, essas coisas todas não acontecerão comigo. São absurdas e não trarão qualquer benefício para o clube. O que o Flamengo precisa é melhorar sua sede, que hoje está uma vergonha, e tratar bem seu sócio.
Ronaldo Gomlevsky - A questão do estádio merece profundos estudos e não deve ser tratada no calor de uma eleição. Faremos o que for melhor para o Flamengo, levando-se em conta o entorno do clube e as necessidades de nossa instituição. Mas todos podem estar certos de que teremos nosso alçapão.
UOL Esporte - O futebol é o grande carro-chefe do clube. Se for eleito para o próximo triênio, como pretende reforçar o time para a disputa da Libertadores do ano que vem?
Marcio Braga - O departamento de futebol já está trabalhando intensamente desde a conquista da Copa do Brasil. Vamos reduzir bastante o elenco atual, reforçando-o com novas contratações à altura da competição. Até o final deste ano, teremos o elenco praticamente definido.
Arnaldo Cardoso - Joguei futebol e entendo do assunto. Aliás, acho que essa é uma responsabilidade do presidente, entender de futebol. Dá para fazer um time forte com investimentos certos, capaz de nos levar ao título da Libertadores.
Mas não sou leviano de anunciar nomes mirabolantes sem ter nada acertado, tampouco vou desrespeitar os atuais jogadores do Flamengo, como tem feito a atual diretoria. Só posso assegurar que traremos reforços de qualidade mesmo. Teremos uma equipe muito forte. Teremos na Libertadores um time para chegar ao título. Podem me cobrar.
Ronaldo Gomlevsky - Vamos montar uma estrutura reconhecidamente profissional e competente a partir da contratação de dois dos mais importantes gestores de futebol, conhecidos por sua capacidade, já demonstrada no Brasil e no exterior.
Eles vão comandar o elenco profissional e a base. Um tem história vitoriosa no clube e marcou a vida do Flamengo com suas conquistas. O outro tem histórico de alta capacidade no futebol brasileiro e internacional. A partir daí, buscaremos os profissionais que vão completar o grupo e os atletas para reforçarem as equipes.
E em hipótese alguma, aceitarei esta superinflação de jogadores subutilizados que vemos na gestão atual. Ficará no elenco quem tiver condições efetivas de contribuir com o grupo. Assim, voltaremos a vencer e a conquistar os títulos com os quais temos sonhado. Toda a nação rubro-negra vai vibrar com a nova estrutura do futebol do Flamengo.
UOL Esporte - Quais são os seus projetos para o esporte olímpico do Flamengo no próximo triênio? Algo especial visando os Jogos Pan Americanos do ano que vem?
Marcio Braga - Cabe ressaltar que o Flamengo é o clube com maior número de atletas pré-selecionados para o Pan Americano de 2007. Investimos no remo, vôlei, natação, basquete, nado sincronizado, pólo aquático, ginástica olímpica e judô. Conquistamos inúmeros títulos. Contamos com dois campeões de ginástica, que são os irmãos Danielle e Diego Hypólito, tendo sido este campeão mundial.
No próximo triênio, vamos avançar muito na gestão dos esportes olímpicos, que passarão a estar organizados como uma unidade operacional, com autonomia administrativa, através de delegação planejada. Contrataremos um profissional conceituado como executivo do setor, que terá como metas a formação de atletas a nível internacional, equipes competitivas e a auto-suficiência financeira.
Arnaldo Cardoso - Os esportes olímpicos no Flamengo são uma tradição no clube e terão autonomia para conseguir seus patrocínios e honrar as cores rubro-negras. Não dá para que eles se desenvolvam com esse sistema de caixa único que existe no clube.
Ronaldo Gomlevsky - A maior prova do nosso amor pelo esporte amador está na escolha de nosso vice-presidente geral, o Pedrinho do basquete. Pedrinho foi o atleta que, dentre todos os esportes, incluindo o futebol, em todos os tempos, mais suou a camisa do Flamengo. Foram vinte e oito anos vestindo o Manto Sagrado e fazendo cestas.
Essa é a garantia de que, em nossa gestão, todos os esportes olímpicos serão desenvolvidos e tratados como merecem. O homem certo, na hora certa, no lugar certo.
UOL Esporte - Como o senhor avalia seus adversários nesta disputa pela presidência do Flamengo?
Marcio Braga - Para presidir um clube da magnitude do Flamengo, são necessários alguns requisitos como: entender e compreender o Flamengo em sua real dimensão; ter bom currículo dentro do clube e ser reconhecido e respeitado no meio desportivo, principalmente no futebol.
Um dos candidatos (Ronaldo Gomlevsky) tem como vice um atleta exemplar e muito querido na Gávea, o Pedrinho. O outro (Arnaldo Cardoso), sinceramente, não conheço. Nunca tinha ouvido falar antes. Seria temerário colocar quaisquer dos outros dois à frente do Flamengo, sobretudo neste momento.
Arnaldo Cardoso - Marcio Braga já passou. E o Ronaldo não vai chegar.
Ronaldo Gomlevsky - Somos melhores do que o Marcio porque a situação, que ele comanda, levou o Flamengo ao caos que se instalou no clube. Nosso grupo vai equilibrar as finanças, gastar com inteligência, conservar o patrimônio rubro-negro, montar uma estrutura super profissional no futebol, investir com seriedade na base e alavancar o esporte olímpico, coisas que o atual presidente não realizou.
Para nós, estar em 12º lugar no Campeonato Brasileiro é triste, e não motivo de orgulho. Fugir de rebaixamento também não pode nos dar prazer. É muito pouco para o nosso clube. Não é esse o destino que queremos para o Flamengo.
Quanto ao candidato da chapa azul (Arnaldo Cardoso), há décadas não freqüenta o clube, não conhece seus meandros e, muito menos, suas dificuldades. É apoiado pelos mesmos Grande-Beneméritos que davam sustentação ao Edmundo Santos Silva. Além disso, tem parentes de empresários de futebol em sua chapa. Nós somos muito melhores do que as outras duas chapas. Por isso, nos opomos a ambas.
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