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12/01/2007 - 15h20
Corinthians já admite deslize e prevê mais caos no caso Nilmar
Danilo Valentini Em São Paulo
A cúpula do Corinthians não tem certeza da correção da linha de defesa apresentada pelo advogado que defendeu o clube e a MSI da ação movida pelo Lyon na Fifa para cobrar uma dívida de 8 milhões de euros referente a negociação com Nilmar.
O clube admite um deslize na documentação e vai tentar resolver com os representantes do jogador um imbróglio que, caso seja superado, poderá ainda tropeçar em um acerto financeiro que custaria R$ 3,4 milhões.
| ENTENDA O CASO NILMAR |
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 Nilmar: imbróglio interminável | A confusão envolvendo Nilmar, Corinthians e o francês Lyon começou depois que o time da França cobrou do clube brasileiro oito milhões de euros (o Corinthians havia depositado apenas dois) da negociação em definitivo do atacante.
Só que o Lyon assinou a rescisão de contrato do jogador sem receber o valor total e recorreu à Fifa para tentar resolver. De lá para cá, a entidade máxima do futebol ainda não definiu a situação, e Nilmar e Corinthians vivem em pé de guerra.
O clube paulista, em 15 de dezembro, chegou a conseguir na Justiça uma prorrogação de contrato com Nilmar até dezembro de 2007.
Nesta quinta-feira, porém, irritados com uma carta do Corinthians à Fifa dizendo que o jogador não foi contratado em definitivo, os representantes do atacante o tiraram da concentração em Jarinu. |
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| É PROBIDO FALAR EM ATRASO |
Depois de entrar na Justiça comum em dezembro para comprovar a existência de um contrato com Nilmar, o Corinthians, segundo o vice de comunicações do clube, Flávio Adauto, "foi surpreendido", sobre o fato do jogador ter deixado, na noite de quinta-feira, a concentração da equipe, em Jarinu.
De acordo com o cartola corintiano, a justificativa de Nilmar e de seu staff - o empresário Orlando da Hora e o advogado Breno Tannuri - para a atitude é a existência de um documento enviado à Fifa que informava a falta de vínculo entre as partes. O Corinthians teria enviado tal documentação à entidade máxima em novembro, relatando que havia "desistido" do jogador.
A acusação de Nilmar, apoiada pelo empresário e o advogado, não chega a ser contestada inteiramente pelo clube e o representante da MSI, Renato Duprat, simplesmente porque nem os dirigentes corintianos e sua parceira têm certeza sobre o conteúdo da defesa apresentada pelo advogado Marcos Motta.
"Se é que (Nilmar e seu staff) estão falando a verdade, acredita-se que houve equívoco da defesa ao ter incluído que o Corinthians não tinha interesse no Nilmar", afirma Flávio Adauto, que não escondeu o constrangimento ao ser questionado se o clube não tinha conhecimento total do conteúdo da defesa apresentada pelo advogado que o representou no caso. "Provavelmente não", confessou o vice-presidente.
Mas, apesar do desconhecimento manifestado pelo clube, Marcos Motta revela que "o Corinthians tem cópia de tudo" e que a "defesa é coerente com a posição divulgada pelo clube". O advogado, entretanto, diz não poder detalhar a linha de defesa adotada no caso. "Não me pronunciou até a manifestação da Fifa".
Independente da confusão, o Corinthians se apressa para enfatizar que quer a permanência de Nilmar, afastado desde julho e que, já recuperado de contusão, estava sendo treinado pelo técnico Emerson Leão para começar como titular da equipe na estréia do Campeonato Paulista, contra a Ponte Preta, na próxima quarta.
"Como não se tem interesse em um jogador que disputou o coletivo (na quinta) e o técnico disse que pretendia escalá-lo, além de ser um clube que manteve salários e direitos de imagem em dia e foi a Justiça comum para estender o contrato? O resto é retórica", defende Adauto, que espera uma solução para o caso para a tarde desta sexta-feira, após uma reunião com a participação do presidente do Corinthians, Alberto Dualib, seu advogado e o representante da MSI, Renato Duprat, que se confrontarão com Tannuri e Da Hora.
Mas, a reunião para "desatar nós", como classificou Adauto, poderá evidenciar ainda mais as diferenças de Corinthians e MSI com o empresário Orlando da Hora, que desde o início da conturbada negociação tem atacado verbalmente de forma impiedosa o clube e sua parceira, postura que segue mantida no auge da confusão.
"As coisas pareciam ter chegado a uma solução. Não estamos aqui para jogar pedra em ninguém, mas uma parte do Corinthians não tem boa vontade. A MSI é contra a permanência (de Nilmar) no Corinthians e ficam vendendo a imagem de que ele não quer ficar", atacou em entrevista à Sportv Orlando da Hora, que não demora para bater na tecla que o problema pode ser resolvido com dinheiro, como já reconheceu a diretoria do clube.
"Certamente existem outras questões para serem discutidas e as questões financeiras podem sem sobrepor a uma eventual solução do problema de agora", afirma Flávio Adauto, se referindo às luvas requisitadas pelo empresário do jogador, que cobraria na reunião desta sexta uma definição imediata do caso.
"O Corinthians precisa assumir a dívida que tem com Nilmar. Temos de chegar logo a um denominador, porque ele precisa trabalhar. O Marcos Motta defende os interesses de Kia na Fifa. E o prazo para resolver a situação é hoje (sexta). Quero que eles nos mostrem o contrato e mandem para Fifa uma comprovação de que ele é atleta do clube", cobrou Da Hora.
A solução da Fifa, porém, não tem prazo certo para ser divulgada, apesar do advogado Marcos Motta considerar a hipótese de uma decisão sair mesmo nesta sexta. "A previsão é para a semana que vem, mas pode ser julgada até hoje (sexta), quando tem reunião de comitê. Mas depois demora dois ou três dias para se redigir o veredicto antes das partes receberem o fax com a decisão".
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