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  21/01/2007 - 22h53
Brasil perde a cabeça, empata com Chile e se complica no Sub-20

Marcius Azevedo
Enviado especial do UOL
Em Assunção (Paraguai)

O Brasil fez neste domingo sua pior partida desde o início do Campeonato Sul-Americano Sub-20 e ficou no empate por 2 a 2 com o Chile no estádio Feliciano Cáceres, em Luque, no Paraguai. Para piorar, os jogadores perderam a cabeça com o pênalti a favor dos chilenos aos 48min da etapa final e partiram para a agressão contra o árbitro.

Reuters
Juiz cai no chão em confusão com os jogadores revoltados do Brasil em Luque
VEJA AS IMAGENS DA PARTIDA
BRASILEIROS CONDENAM ÁRBITRO
O volante Fernando, inconformado e descontrolado, deu um chute violento no árbitro Albert Duarte, que derrubou o colombiano no chão. Depois disso, ele ainda tentou acertar uma bolada em um membro da comissão técnica do Chile, mas errou. Ainda não foram anunciadas punições, e o árbitro só divulgará a súmula nesta segunda-feira pela manhã.

Na confusão, o árbitro expulsou Thiago Heleno e Amaral, e depois disso precisou deixar o campo escoltado por policiais, que passaram a protegê-lo da ira dos atletas dos brasileiros. Além de Fernando, Carlinhos partiu para cima do colombiano, e outros jogadores da seleção rodearam-no.

Com o resultado, o time de Nélson Rodrigues, que tem feito apresentações irregulares desde o início do campeonato, chega a dois pontos ganhos e fica em situação complicada no hexagonal final do torneio, que dá ao campeão e ao vice vagas nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, e coloca os quatro primeiros no Mundial da categoria, que ocorrerá em julho deste ano.

O Brasil fez uma partida terrível no primeiro tempo. Com um festival de falhas defensivas, proporcionou ao ataque chileno três gols feitos, todos desperdiçados pelo atacante Medina. E, mesmo jogando com um homem a mais durante a maior parte do segundo tempo, não tirou proveito.

A seleção encontrou dois gols em jogadas do lateral-direito Amaral, do Palmeiras, que deu as duas assistências para os gols de Alexandre Pato e Tchô. Entretanto, com dois gols de pênalti - o segundo dado aos 48min do segundo tempo -, o Chile empatou o jogo.

Reuters
Zagueiro David tenta ultrapassar a barreira de policiais que protege o árbitro do jogo
Curiosamente, a má performance coletiva do Brasil se dá no dia em que Lucas fez uma nova reunião, depois do almoço deste domingo, cobrando mais determinação dos companheiros.

O jogo
O Brasil foi mal desde o princípio de jogo. Logo aos 4 min, Luiz Adriano se aventurou no campo defensivo e perdeu a bola na intermediária. Sánchez se aproveitou, invadiu a área e chutou cruzado pra fora, assustando Cássio.

A seleção respondeu em uma bola parada. Aos 13 min, William cobrou falta na área, e Eliézio cabeceou com perigo, por cima do gol de Toselli.

Aos 22min, Sánchez, o mais perigoso jogador do Chile, assustou novamente. Ele acertou chute forte da entrada da área, mas a bola passou rente ao travessão.

No minuto seguinte, finalmente o Brasil encaixou uma boa jogada: Carlinhos cruzou da esquerda no segundo pau, e Lucas, como elemento surpresa, cabeceou para fora.

Aos 30min, o Chile perdeu seu primeiro gol incrível. Sánchez ganhou na corrida de Eliezio, avançou pela ponta esquerda e cruzou forte para a área. O goleiro Cássio passou batido e Medina, pressionado por Thiago Heleno, cabeceu errado mesmo sem goleiro; no rebote, Sanchez chutou forte e Cássio pegou.

ESTÁDIO PRECÁRIO PODE MUDAR
O estádio Feliciano Cáceres, em Luque, pode ser vetado para a sequência do Sul-Americano Sub-20. A Conmebol fará uma reunião nesta segunda-feira para discutir as condições do local.

Em princípio, a quarta rodada do hexagonal, marcada para quinta-feira, seria no estádio. Entretanto, a tendência é mudar, já que não há estrutura para receber um evento deste porte.

No estádio de Luque, a luz acaba constantemente, e os refletores só não apagam porque usam gerador; além disso, a sala de imprensa tem cheiro de podridão.

Para piorar, nem mesmo os vestiários têm condições. Não havia água nos chuveiros, e o Brasil passou o intervalo no gramado. Até porque, para chegar ao vestiário, a seleção precisaria passar por torcedores hostis, que estavam dentro do estádio munidos de garrafas - mais cedo, um atleta da Argentina chegou a ser atingido por uma.
Ainda no primeiro tempo, Vidangossy chutou forte da entrada da área; Cássio arriscou golpe de vista, e a bola passou muito perto da sua meta.

No segundo tempo, o panorama se manteve. Logo aos 4min, Sánchez fez boa jogada pela direita e cruzou baixo; a bola passou por todo mundo e chegou até Vidangossy, que chutou para fora.

Aos 7min, Carlinhos avançou pela esquerda e cruzou para Alexandre Pato, mas a zaga antecipou e efetuou o corte antes que o atacante do Internacional concluísse.

Aos 9min, o Chile perdeu seu segundo gol feito. Vidangossy cruzou bola à meia altura; Cássio tentou cortar, mas não pegou na bola e, no segundo pau, com o gol escancarado, Medina cabeceou para fora.

Até que, aos 12min, o Brasil foi beneficiado pela expulsão de Larrondo, que recebeu o segundo cartão amarelo por entrada violenta e deixou o Chile com um homem a menos.

Medina ainda perdeu mais uma chance incrível. Aos 17min, ele recebeu livre na área e, frente a frente com Cássio, bateu em cima do goleiro brasileiro.

Então o Brasil achou seu gol. Amaral, que vem fazendo um torneio irregular, fez uma grande jogada pela direita e cruzou na medida para Alexandre Pato, que cabeceou no chão e abriu o placar da partida.

A partir daí, os ânimos do jogo esquentaram. Tanto que, aos 32min, Luiz Adriano se desentendeu com Martínez em cobrança de falta a favor do Brasil, e o árbitro expulsou os dois atletas, deixando o Brasil com 10 e o Chile com 9 atletas em campo.

O Chile, mesmo com um homem a menos, passou a pressionar o Brasil. Aos 36min, Carlinhos, em cima da linha, salvou gol certo do rival em cima da linha do gol brasileiro.

Um minuto depois, Carlinhos trombou com Medina, e o árbitro marcou pênalti. Na cobrança, Vidal chutou com categoria no canto esquerdo de Cássio e empatou o jogo.

Então o Brasil encontrou mais um gol. Amaral fez outra bela jogada pela direita e cruzou; a bola chegou aos pés de Tchô, que bateu com violência no meio do gol para por po Brasil em vantagem.

Quando tudo parecia definido, o juiz marcou pênalti de Fabiano Oliveira sobre o atacante chileno aos 48min. Vidal cobrou com a mesma categoria, mas no outro canto, e selou o placar.

BRASIL 2 X 2 CHILE

BRASIL
Cássio; Amaral, Thiago Heleno e Eliezio e Carlinhos; Roberto (Fernando), Lucas, Leandro Lima (Tchô) e William (Fabiano Oliveira); Alexandre Pato e Luiz Adriano
Técnico: Nélson Rodrigues

CHILE
Toselli; Martínez, Larrondo e Suárez; Medel, Currimilla (Flores), Vidal, Carmona e Vidangossy (Grondona); Sánchez (Sepúlveda) e Medina
Técnico: José Sulantay

Local: estádio Feliciano Cáceres, em Luque (Paraguai)
Data: 21/01/07 (domingo)
Cartões amarelos: Roberto, Fernando, Cássio, Alexandre Pato; Larrondo, Medel, Vidal, Vidangossy
Cartões Vermelhos: Larrondo (C), Martínez (C), Luiz Adriano (B), Thiago Heleno (B), Carlinhos (B)
Gols: Alexandre Pato, aos 29min; Vidal, aos 38min; Tchô, aos 40min e Vidal, aos 49min do segundo tempo
Árbitro: Albert Duarte (Colômbia)
Auxiliares: Jovani Zapata (Colômbia) e Marco Muzo (Equador)

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