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29/01/2007 - 02h05
Superação e união do grupo são exaltadas após título do Brasil
Marcius Azevedo Enviado especial do UOL Em Assunção (Paraguai)
A dedicação de mais de dois anos culminou com o título do Campeonato Sul-Americano Sub-20, no Paraguai. A conquista ainda valeu as vagas nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, e no Mundial da categoria, no Canadá, este ano. Por tudo isso, os jogadores e a comissão técnica exaltaram a união do grupo da seleção brasileira na competição.
"A palavra-chave é superação. Superamos tudo e todos para conseguir a vaga olímpica e a possibilidade de conquistar um título que o Brasil tanto quer", comentou o capitão da equipe, Lucas, uma das principais figuras da equipe no torneio.
"Acho que a gente não tem o que reclamar. Chegamos aqui e conquistamos os três objetivos. Conseguimos a vaga no Mundial, nas Olimpíadas e o título. Ninguém quis brilhar mais do que o outro. Todos jogaram em prol do grupo, não tem ninguém mais importante do que ninguém. Até as cozinheiras foram importantes", emendou o jogador.
"Todos entenderam que o importante era o escudo na frente da camisa e não o nome que estava nas costas", completou o também volante Roberto.
A trajetória que garantiu o passaporte para a China começou em setembro de 2004, na Copa Sendai, no Japão. Curiosamente, Lucas foi expulso na final da disputa, mas ganhou nova chance do técnico Nelson Rodrigues, se firmou e terminou como capitão da equipe.
A preparação especial para o Sul-Americano teve início no dia 11 de dezembro, em Rio Branco, no Acre, onde o time iniciou os treinamentos e "ganhou" até um "inimigo", o preparador físico Paulo Camelo, responsável pelos trabalhos puxados sob o forte calor da região Norte do país.
Mas problemas não faltaram no caminho da seleção. O goleiro Felipe, do Santos, foi cortado após ter sido flagrado no exame antidoping durante o último Campeonato Brasileiro. O volante Ji-Paraná, e o meia Renato Augusto, do Flamengo, ambos lesionados, também foram desconvocados.
Nelson Rodrigues ainda encontrou outras dificuldades para completar o elenco. O lateral-esquerdo Marcelo, ex-Fluminense e hoje no Real Madrid, e o volante Denilson, revelado pelo São Paulo e atualmente no Arsenal, não foram liberados. Além disso, o técnico não conseguiu chamar alguns atletas que estavam em seus planos, como o meia-atacante Anderson, ex-Grêmio e hoje no Porto.
Na reta final da preparação, mais pedras no caminho. Uma gastrenterite alimentar se alastrou pelos convocados e debilitou o elenco. Apenas o goleiro Cássio e o atacante Edgar escaparam da doença. Ainda antes da estréia, Lucas e o atacante Alexandre Pato, com contusões no tornozelo, preocupavam. Por isso, o médico Adílson Camargo e o fisioterapeuta Carlos Sotter eram chamados pelos jogadores de "curandeiros".
 | Todos entenderam que o importante era o escudo na frente da camisa e não o nome que estava nas costas | | |  | Roberto, volante da seleção brasileira
| Já no hexagonal decisivo, o Brasil cedeu o empate ao Chile por 2 a 2 no final da partida, após a marcação de um pênalti duvidoso. O árbitro colombiano Albert Duarte foi agredido por brasileiros, e a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) puniu os jogadores Carlinhos e Thiago Heleno com dois jogos de suspensão e a exclui Fernando do torneio.
"Só a gente sabe o quanto foi difícil chegar até aqui. Desde uma dor de barriga até tudo o que aconteceu no jogo contra o Chile, a gente merecia esse título. Todos aqui queriam muito", afirmou Lucas.
"Quando terminou o jogo do Chile, fizemos um pacto de vencer as três partidas que restavam. Poderíamos sair sem nada, mas essas vitórias nos dariam o sentimento de dever cumprido", completou.
Depois da vitória sobre a Colômbia e a confirmação dos três objetivos, a festa foi total. Em meio à batucada, os jogadores "abusaram" das mensagens nas camisas, agradecendo aos pais e namoradas e também exaltando Deus.
"Aqui, não existe sorte. Aqui, existe competência. Não é um ou outro jogador. Temos uma comissão técnica que deu todo o respaldo para esses garotos", comentou Nelson Rodrigues. "Todos tiveram um crescimento pessoal e profissional na competição. Foi um grande aprendizado para os jogadores e para a comissão técnica também."
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