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  03/02/2007 - 20h11
Atlético volta a jogar mal e segue sem vitória no Mineiro

Da Redação
Em Belo Horizonte

Ainda não foi desta vez que o Atlético-MG obteve sua primeira vitória pelo Campeonato Mineiro. Depois de derrotas nas duas rodadas iniciais da competição, para Villa Nova e Tupi, o time atleticano ficou no empate em 0 a 0, contra o Rio Branco de Andradas, na noite deste sábado, no Mineirão. Desta forma, a equipe de Levir Culpi continua na vice-lanterna, agora com um ponto ganho, enquanto o Rio Branco, 10º colocado, tem dois.

A exemplo do Atlético, a equipe de Andradas, comandada por Flávio Lopes, ex-técnico do América, também ainda não venceu no Mineiro, obtendo dois empates e uma derrota, em seus três jogos. Em um campeonato de pontos corridos, cuja fase de classificação é jogada em apenas um turno, com 11 rodadas, o empate pode ser considerado um resultado muito ruim para os dois clubes.

Pior para o Atlético, que sempre é candidato ao título estadual e que pode terminar a terceira rodada a oito pontos de distância do Cruzeiro, caso o seu rival derrote o Villa Nova, em Nova Lima, neste domingo. Para complicar, a equipe atleticana chegará de moral baixa para o clássico contra o clube celeste, no próximo sábado, no Mineirão.

O Atlético entrou em campo com cinco alterações em relação ao time que perdeu para o Tupi. Três delas foram obrigadas. Coelho suspenso, Vinícius contundido e Márcio Araújo emprestado para o Kashiwa Reysol, do Japão, deram seus lugares para Luisinho Netto, Lima e Tchô, que teve a chance de começar como titular, após o título sul-americano sub-20. As entradas de Rafael Miranda e Galvão nas vagas de Serginho e Vanderlei foram feitas por opção do treinador.

Apesar das modificações, o Atlético não engrenou e voltou a jogar mal. No primeiro tempo, o time esteve apático. Na etapa final, a equipe voltou mais determinada, embora com o mesmo futebol pobre. O torcedor atleticano até que tentava empurrar o time, cantando o hino. Em campo, no entanto, a equipe mostrou-se totalmente desarticulado e cometendo erros básicos.

Com o passar do tempo o torcedor deu demonstrações de impaciência. Aos 27min, por exemplo, quando Tchô deixou o gramado, substituído pelo atacante Vanderlei, o jovem jogador, que durante a semana, era a grande esperança de mais qualidade, saiu sob vaias. Um minuto depois da substituição, Vanderlei chegou um pouco atrasado e não conseguiu completar o cruzamento.

Esse lance voltou a animar a torcida alvinegra, que passou alguns minutos incentivando o time. Mas como o gol não saía e os erros se sucediam, os gritos de protesto e as vaias voltaram a predominar. Somente os quatro primeiros colocados se classificam para a fase semifinal do Mineiro. Se o Atlético enfrentará o rival Cruzeiro, no próximo sábado, o Rio Branco vai enfrentar, o Democrata de Governador Valadares, na sua próxima partida.

O jogo

O primeiro tempo de Atlético e Rio Branco transcorreu desde o início de acordo com o previsto, ou seja, o time da casa atacando e pressionando e os visitantes apenas se defendendo, jogando completamente fechado na defesa. O que não estava no roteiro era a lentidão e pouca vontade dos jogadores dos dois times, principalmente o alvinegro, obrigado a vencer.

O Atlético, que buscava sua primeira vitória no Campeonato Mineiro, repetia os erros apresentados nas derrotas em seus dois primeiros jogos: excesso de passes errados - 15 nos 45 minutos iniciais -, falta de criatividade, insegurança e dificuldade em fazer a bola chegar ao ataque, em condições de ser finalizada com perigo para o goleiro Neneca.

Nem mesmo a tão cobrada atitude vencedora, insistentemente falada pelo técnico Levir Culpi durante a semana, foi mostrada pelo time atleticano. Por volta dos 45 minutos, a torcida, que não compareceu em grande número, ensaiou um grito de "raça". Em poucos momentos os torcedores tiveram motivos para se alegrar.

Num deles, aos 33min, Luisinho Netto cobrou bem uma falta e mandou a bola no travessão do Rio Branco. Durante a Série B, ano passado, por três vezes, o lateral-direito já havia acertado a trave dos adversários, sem conseguir fazer o seu gol. Aos 47min, o zagueiro Lima chutou de fora da área, obrigando o goleiro Neneca a fazer a sua primeira e única grande defesa na fase inicial.

No restante do primeiro tempo, tanto Neneca como o goleiro Diego foram pouco exigidos, trabalhando mais para cortar cruzamentos altos. Com a criatividade em baixa, os dois times se utilizaram das bolas aéreas, mais o Atlético. Só que os cruzamentos, em sua maioria, não tinham qualidade e paravam nos zagueiros adversários.

O Rio Branco, por sua vez, pouco atacou, passando quase todo o primeiro tempo na defesa. No quesito finalização, foram sete favoráveis ao Atlético e apenas duas do Rio Branco, a mais perigosa, aos 41min, com Fabiano, que substituiu Gustavinho, contundido, com a bola passando para fora. O número elevado de faltas - 29, sendo 16 do time visitante e 13 da equipe da capital - também ajuda a explicar o placar de 0 a 0.

O Atlético, que deixou o gramado vaiado para o intervalo, retornou com duas mudanças feitas por Levir Culpi, numa indicação de que o treinador não gostou da atuação do time nos 45 primeiros minutos. Ele colocou Thiago Feltri, que só entrou no banco por causa da negociação de Márcio Araújo para o futebol japonês, no lugar de Ricardinho, na lateral esquerda, e Zé Antônio na posição de Bilu.

O reinício de jogo não mostrou um Atlético mais inspirado. Aos 2min, o time da casa reclamou da não marcação de um pênalti sobre Luisinho Netto. Mas foi o Rio Branco que finalizou primeiro. Renatinho, aos 5min, cobrou falta forte, mas para fora. Aos 9min, Tchô fez sua primeira boa jogada na partida, pela direita, quando cruzou e o zagueiro Marcos não conseguiu alcançar a bola. Na seqüência do lance Éder Luís chutou para fora.

A partir daí o Atlético passou a atacar mais, rondando a área adversária. Os atacantes atleticanos, no entanto, não conseguiam encontrar a posição para a finalização. Como avançava o time, o anfitrião cedia espaços aos contra-ataques dos visitantes. Aos 13min, o meia Wendel acertou um belo chute de esquerda, que bateu no travessão atleticano.

O jogo seguia na mesma toada, com o Atlético tentando atacar, mas sem força para ameaçar o goleiro Neneca. À medida que a partida se aproximava do fim, o time de Levir Culpi piorava o seu rendimento e dava campo para o Rio Branco, que passou a ameaçar o gol de Diego, obrigado a fazer pelo menos duas defesas importantes.

No finalzinho da partida, o técnico Flávio Lopes, do Rio Branco, foi expulso. "Estava falando com a minha zaga e o árbitro entendeu que eu estava reclamando do auxiliar. Esse tipo de coisa deixa a gente chateado", protestou o treinador, que não viu Marcos, aos 46min, obrigar o goleiro Neneca a fazer grande defesa e nem Vanderlei chutar a bola trave aos 49min.

Atlético-MG
Diego; Luisinho Netto, Marcos, Lima e Ricardinho (Thiago Feltri); Rafael Miranda, Bilu (Zé Antônio), Tchô (Vanderlei) e Márcio; Éder Luis e Galvão
Técnico: Levir Culpi.

Rio Branco
Neneca; Pepe (Mantena), Geovani, Fabio Paulista e Renatinho Carioca; Hebert, Xandinho, Wendel e Renatinho (Pachola); Valdiney e Gustavinho (Fabiano)
Técnico: Flávio Lopes.

Data: 3/2/2007 (sábado)
Local: Mineirão, em Belo Horizonte
Árbitro: Sérgio Luiz Avelino
Auxiliares: José Carlos de Souza e Jair Albano Félix
Cartões amarelos: Fábio Paulista, Renatinho, Neneca, Pepe, Hebert, Xandinho (Rio Branco); Marcos (Atético-MG)
Cartões vermelhos: Flávio Lopes (técnico do Rio Branco)

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