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  19/02/2007 - 14h26
Adaílton exalta 'novo' Santos e troca folia e estudos por títulos

Bruno Thadeu
Em Santos

O sistema defensivo do Santos foi o principal trunfo para a saga no Paulista-06 e para volta do clube à Libertadores-07. As saídas dos beques Luiz Alberto e Manzur, consequentemente, não foram aceitas pelos torcedores. No entanto, a nova retaguarda formada em 2007, com Adaílton a Antônio Carlos, manteve os números apresentados pelo setor no ano passado, sossegando a ala inconformada com a troca de atletas de defesa.

Folha Imagem
Adaílton (esq) durante jogo do Santos ante o América, na Vila Belmiro, pelo Paulistão
Disputado por quatro clubes participantes da Libertadores-07, o zagueiro Adaílton afirma ter feito a escolha certa ao chegar ao litoral paulista, ressalta o futebol-coletivo praticado pelo Santos em 2007 e vislumbra a possibilidade de retomar os estudos, apesar do excesso de jogos no ano.

"O Santos vem apresentando um desempenho excelente neste começo de ano. Aquele empate com o Palmeiras, por 3 a 3, no Parque Antarctica, simboliza a vontade de vencer do grupo e superar adversidades. Perdíamos por 3 a 1, empatamos e poderíamos ter virado caso tivéssemos mais alguns minutos. E na casa deles. Nenhum clube no Brasil conseguiria fazer isso. O Santos provou que é grande candidato aos títulos paulista e sul-americano", avisou o zagueiro de 23 anos.

Nos onze jogos disputados na temporada, o Santos sofreu onze gols. Na conquista do Estadual-06, por exemplo, o time da Vila terminou também com a defesa menos vazada, com 19 gols em 19 jogos.

Em entrevista ao UOL Esporte, Adaílton defende seu companheiro de setor, Antônio Carlos, 37, que chegou sob desconfiança da torcida, e comenta a perda de mais um Carnaval.

UOL Esporte - Adaílton, você era pretendido por quatro clubes que disputam a Copa Libertadores-07, Santos São Paulo, Grêmio e Flamengo. Por que a opção pelo time da Vila Belmiro?
Adaílton - O projeto apresentado pelo Vanderlei no Santos me interessou bastante. A proposta santista era basicamente semelhante à de outros clubes, mas sem desmerecer as outras equipes, tenho absoluta convicção de que fiz a escolha certa, pois encontrei um grupo fantástico, que tem sede de títulos.

UOL Esporte- O setor defensivo do Santos foi o ponto forte na temporada anterior. Os zagueiros, entretanto, não continuaram no clube - Luiz Alberto, Manzur e Guiaro. Como foi reconstruir a zaga ao lado do Antônio Carlos?
Adaílton - No início, a torcida questionou se o Antônio Carlos conseguiria dar conta do recado, mantendo aquele rendimento de 2006. O Antônio Carlos é um líder, ideal para uma Libertadores. Para um jogador de retaguarda, a experiência conta muito. Chego a ser repetitivo quando sempre falo do grupo, mas a contenção de um ataque não é feita somente pelos defensores. Por isso o Santos continua mantendo números na defesa próximos do ano passado. A zaga mudou, mas o restante do time segue igual.

UOL Esporte- Você parou o curso de fisioterapia em razão do futebol. Pretende retomar os estudos em breve?
Adaílton - Tive que trancar o curso de fisioterapia no segundo ano. Minha irmã possui uma clínica em Salvador e eu pretendo exercer essa nova função assim que eu deixar os gramados. Acontece que fica difícil pensar em retomar o curso diante dessa maratona de jogos pelo Santos. Não sobra tempo para quase nada.

UOL Esporte- O novo departamento médico do Santos pode servir de "estágio" na sua carreira como fisioterapeuta?
Adaílton - Ainda não pedi umas "aulas" para o Filé [Nilton Petrone, fisioterapeuta santista]. Mas eu sempre procurei observar o procedimento médico nos clubes por onde passei, principalmente quando fiquei um longo tempo parado no Rennes-FRA, ano passado, devido a uma lesão no joelho.

UOL Esporte- O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, administra uma universidade. O goleiro Felipe cursa educação física na universidade do mandatário alvinegro. Você então tem direito a uma bolsa de estudos...
Adaílton- Para te falar a verdade, ainda não cheguei a conversar com ele sobre essa possibilidade. Seria uma boa idéia.

UOL Esporte- O Santos jogou no sábado de Carnaval, treinou domingo e joga no meio de semana na Colômbia. Como é para um baiano ficar enclausurado em um hotel-concentração durante a folia carnavalesca?
Adaílton- Nasci na Bahia e, portanto, você sabe o que representa o Carnaval para mim. Este deve ser o quarto carnaval que eu passo trabalhando. O atleta precisa ter consciência de que sua vida no campo dura 15 anos, em média. Tudo tem sua hora. Eu tenho ambições no futebol, sou viciado em futebol, e não me importarei em assistir ao Carnaval de Salvador pela televisão. Quando eu tiver 38 anos aí poderei entrar na folia.

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