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  09/03/2007 - 17h30
Advogado diz que leilão da sede do Atlético continua marcado

Luiza Oliveira
Em Belo Horizonte

Apesar da afirmação do presidente do Atlético, Ziza Valadares, de que não haverá mais o leilão da sede do clube, marcado para o próximo dia 27, isso ainda não pode acontecer, mesmo com a decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MG) de limitar em 15% o percentual de receitas a serem usados para pagamento de ações trabalhistas. "A penhora está marcada, a praça está marcada", ressaltou o advogado Fábio Cruz, que representa o ex-jogador atleticano Ronildo.

O leilão da sede do Atlético, no bairro de Lourdes, na Zona Sul de Belo Horizonte foi marcado para garantir o pagamento da indenização ao lateral-esquerdo, que ganhou uma ação trabalhista no valor de R$ 1,8 milhão. "O Atlético está prometendo entrar com embargo de terceiros, ou com algum recurso, e pode até ser que isso seja feito. Se não fizer, a praça vai acontecer", ressaltou Fábio Cruz, que representa ainda outros 11 credores do Atlético.

"Queria tranqüilizar os torcedores atleticanos que tão preocupados estavam. Não tem leilão da sede, não tem mais nenhuma dúvida de que nós vamos conseguir sanar as nossas dívidas. Precisamos de paciência, mas mais do que tudo, vamos continuar conclamando os atleticanos para que nos ajudem", afirmou o presidente Ziza Valadares, após conhecer a sentença do TRT-MG.

Mas, de acordo com Fábio Cruz, para não haver o leilão outra opção é que seja feito um acordo com Ronildo. "Nós estamos negociando a possibilidade de fazer acordo e resolver a forma de fazer o pagamento disso aí antes do dia 27", comentou o advogado. Segundo ele, na resolução tem um parágrafo do artigo 7, estabelecendo que quem tiver bens penhorados e quiser continuar com a penhora dele para garantir a execução pode fazer.

"O Ronildo quer continuar, a não ser que seja feita alguma negociação em sentido contrário. Sair do momento de receber e começar no final de uma fila, de um dinheiro que ainda não começou a ser depositado não é a disposição inicial dele", argumentou Fábio Cruz.

O vice-presidente jurídico do Atlético, Roberto Vasconcelos, considera que a insistência no leilão da sede, inicialmente marcado para o dia 27, seria incoerência, já que o Fábio Cruz concordou com a fixação do limite de 15% sobre as receitas mensais atleticanas, com a garantia de R$ 375 mil.

"O próprio credor, na pessoa do seu advogado, se fez presente aqui hoje em audiência e declarou para todo o Tribunal e para todos aqueles que estavam
presentes que concorda com essa medida. Se assim é em relação ao
leilão do dia 27, aquele valor estaria inserido no montante, pelo
menos para esse advogado, para esse reclamante", observou.

Ordem cronológica

Dada a decisão do Tribunal Regional do Trabalho, nesta sexta-feira, os credores vão começar a receber os valores a que têm direito. O pagamento será feito em ordem cronológica, assim, o credor que possui a dívida mais antiga recebe o valor. Quando for quitada, o seguinte tem a sua vez.

"Quando chegar o momento dele, dentro desses 15%, eles irão recebendo mensalmente até o momento em que haja a equitação completa e que possa passar para o outro receber. É uma fila mesmo de credores e não uma pulverização como existe, por exemplo, em condomínio de credores", explicou o vice-presidente jurídico do clube, Roberto Vasconcelos.

Ao contrário do que alguns desembargadores do TRT, que votaram contra a medida, alegaram ao afirmarem que a dívida se tornaria impagável se apenas 15% de toda a receita fosse destinada às ações trabalhistas, Roberto Vasconcelos discorda desta opinião. Ele afirma que o número de credores diminuiu nos últimos anos, o que pode facilitar o pagamento total da dívida.

"O tempo está intimamente vinculado ao número de credores. É importante ressaltar que o número de credores na Justiça do Trabalho vêm diminuindo e isso importa dizer que a cada ano, se tivermos menos reclamantes, a tendência é que, em breve, haja a liquidação completa do débito", disse.

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