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  06/05/2007 - 09h01
"Trocado" por Zé Roberto, Maldonado segue como coadjuvante

Julyana Travaglia e Paulo Galdieri
Da Folhapress
Em São Paulo

A carência de ídolos no início da temporada passada fez nascer um novo tipo de jogador referência para a torcida santista. Sem um camisa 10 para reverenciar -o meia Zé Roberto só chegou em agosto de 2006-, os fãs do clube do litoral passaram a procurar dentro do elenco alvinegro alguma identificação.

Porém, ao contrário do que ocorre na maioria das torcidas, que idolatra atacantes artilheiros, o escolhido para o papel foi Maldonado, volante raçudo, chileno, camisa 8, um dos símbolos da equipe que pôs fim à longa fila no Paulista -o último título havia sido em 1984.

O carinho da torcida alvinegra pelo jogador era tanto que, até o meio do ano passado, Maldonado liderava o ranking de venda de camisas do clube.

Somente no segundo semestre o chileno perdeu seu posto de "queridinho" da torcida para a velha e famosa camisa 10, já envergada por Zé Roberto.

Atualmente, Maldonado segue como o coadjuvante da estrela do time. No entanto, ainda é o dono da segunda camisa mais vendida do Santos, à frente da 3, do lateral-esquerdo Kléber, e da 11, do meia Cléber Santana, artilheiro da equipe na temporada, com 14 gols.

Além do espaço com os torcedores, o chileno ainda tem a confiança do técnico Vanderlei Luxemburgo. Ao lado de Fábio Costa, Kléber e Zé Roberto, o volante forma o quarteto de homens com quem o treinador busca sempre conversar.

Sua disposição e empenho em campo não passam despercebidas pelos companheiros de equipe. Tanto que Maldonado recebeu o apelido de "facilitador" do time. O autor da homenagem, Zé Roberto.

"Não sei se esse nome cai muito bem em mim. Eu me vejo como uma peça importante dentro do grupo", comentou Maldonado, encabulado com o elogio recebido do colega. "Sinto-me feliz por ele ser meu companheiro também. É um grande orgulho ter vindo dele [o elogio], isso me faz pensar que sou importante", completou ele, que pode jogar improvisado na lateral direita neste domingo.

A admiração pelo meia também é comentada com satisfação por Maldonado, que, ao contrário de Zé Roberto, já comemorou muitos títulos no Brasil -dois paulistas, um Torneio Rio-São Paulo, um Supercampeonato Paulista, um Mineiro, um Brasileiro.

"O Zé é um jogador importantíssimo para o esquema do Vanderlei [Luxemburgo]. Ele se movimenta muito, abre espaço para a gente enfiar uma bola para algum companheiro, criar alguma jogada. A habilidade dele pode fazer a diferença a qualquer momento", analisou.

Além de aplicado em campo, Maldonado também tem a fama de não ter papas na língua e falar o que pensa. E a última declaração chegou a gerar polêmica na conturbada semana que o Santos tem vivido.

No intervalo da partida contra o São Caetano, no último domingo, declarou, com a derrota parcial por 1 a 0, que os alguns jogadores não estavam correndo o suficiente. Nada que abalasse a credibilidade do volante com a torcida.



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