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Enquanto festeja o "milésimo" gol e ensaia a despedida do futebol, Romário goza de muito prestígio, mas não apenas dentro de campo. Fora das quatro linhas, o atacante colecionou regalias - e, conseqüentemente, polêmicas - ao longo da carreira, na medida em que mostrava sua genialidade em campo.
Mas não é de hoje que Romário goza de regalias no grupo graças a seu talento. Foi em 1994, quando foi eleito melhor jogador do mundo pela Fifa, que ele começou a pleitear tratamento diferenciado do restante, negociando privilégios no Barcelona com o técnico holandês Johan Cruyff. Certa vez, Romário fez uma aposta com o treinador: faria três gols numa partida e, em troca, ganharia alguns dias extras de folga para vir ao Brasil. Sem acreditar que o atacante conseguiria cumprir sua parte, Cruyff aceitou. Mas o Baixinho marcou os três gols e o técnico teve de ceder o descanso. Por regalias, Romário derruba Luxa no Flamengo Em 1995, Romário deixou o Barcelona e voltou ao Brasil para jogar pelo Flamengo. A diretoria viabilizou a contratação do astro por US$ 5 milhões com o apoio de um pool de empresas que investiram no retorno de marketing da presença do jogador. E na Gávea, ele passou a pleitear mais regalias. "Treinar para quê, se eu já sei o que fazer?". A frase da época, que Romário alega não ser dele, ficou tão famosa que virou até letra de um pagode composto pelo comediante Tom Cavalcante. O Baixinho queria tratamento diferenciado no Flamengo (como por exemplo, ficar só em quarto separado dos colegas nas concentrações), mas encontrou a resistência do técnico Vanderlei Luxemburgo, que acabou demitido diante do atrito com o astro. "O Luxemburgo não ficou porque reuniu o Jorge Luiz e outros jogadores para convencê-los a dar uma dura no Romário. Mas, em vez de fazerem isso, eles contaram para o Romário. Por isso, ele não quis mais trabalhar com o Vanderlei e colocou com clareza: 'é ele ou eu'. Evidentemente, ficou o Romário, porque tínhamos uma série de compromissos com os patrocinadores que o colocaram aqui. Não tinha saída", contou Kleber Leite, presidente do Flamengo em 1995. "Ele tinha um problema pessoal com o Romário. Foi lamentável, porque o Vanderlei era um profissional extraordinário. Mas não havia outra alternativa. Pessoalmente, fiz tudo o possível para tentar contornar a situação. Mas, infelizmente, não consegui", continuou o atual vice-presidente de futebol rubro-negro. Embora não saiba explicar por que Luxemburgo pediu aos jogadores do Flamengo para darem uma "dura" em Romário, Kleber nega que o atacante tenha recebido tratamento diferenciado na Gávea. "No Flamengo, ele trabalhava como os outros. Nunca houve nenhum tipo de tratamento diferenciado. Ele chegava e treinava na mesma hora que todos. Até porque, na época, só tinha 29 anos. Não tinha por que ter privilégios. Ele cumpriu religiosamente tudo o que acordou. Foi um bom profissional. O único tratamento diferenciado era o talão de cheque, que era maior, como tinha de ser mesmo, porque ele fazia os gols que os outros não faziam", afirmou Kleber.
Mais regalias no Vasco, Flu e Miami Depois de duas passagens pelo Valencia e mais duas pelo Flamengo, Romário retornou ao Vasco em 1999. No ano seguinte, voltou a trabalhar com o técnico Antônio Lopes, que havia promovido o Baixinho aos profissionais do time cruzmaltino em 1985. "Essas regalias têm de ser dadas mesmo. É normal. Ele tem esses privilégios por causa da idade [atualmente, 41 anos]. É humanamente impossível planejar para o Romário um trabalho igual ao que é passado para os jovens", disse o treinador, que, contudo, também nega que Romário tenha gozado de regalias com ele. "Quando ele começou comigo, não tinha nada disso. E em 2000 também não. Isso começou de uns anos para cá, por causa da idade dele", afirmou Lopes. Em 2002, Romário deixou o Vasco e acertou com outro clube rival: o Fluminense. Nas Laranjeiras, o Baixinho também teve facilidades, como a liberação dos treinos no dia seguinte às partidas e a possibilidade de viajar apenas no dia dos jogos. Terminada a passagem de Romário pelo Fluminense, o atacante novamente retornou ao Vasco em 2005, quando conquistou as regalias atuais. No ano seguinte, o Baixinho foi para o Miami FC, dos Estados Unidos, clube em que voltou a obter privilégios por conta do talento. Artilheiro da United Soccer League (USL, uma liga secundária do futebol norte-americano) com 19 gols, Romário cumpriu à risca o projeto inicial traçado pelo Miami FC: transformar o time em uma potência do país e fortalecer a USL, liga independente que rivaliza com a Major League Soccer, a principal competição norte-americana. Com isso, ganhou o direito de ser substituído apenas quando pedisse. Além disso, tinha carta branca para afastar do elenco quem entrasse em atrito com ele. Foi o que aconteceu com o jamaicano Onandi Lowe. Líder de sua seleção na Copa do Mundo de 1998, ele era considerado pelo Baixinho um jogador "desagregador e marrento". Por isso, Romário ordenou a saída de Lowe e foi prontamente atendido pela diretoria do Miami FC, composta basicamente por brasileiros. "Não sei se eu sou um cara marrento. Sou um cara que fala o que pensa, e se isso for marra é verdade. Eu sempre procurei mostrar meus pontos de vista", disse Romário. Chega de madrugar A principal mudança que Romário espera ter em sua rotina nos próximos anos é quanto ao horário. Perto da aposentadoria, o atacante admitiu que não vê a hora de poder acordar mais tarde do que o habitual. "Cara, são muitos anos com esse negócio de acordar cedo e treinar às 7h. Eu não posso mais com isso, não. Até penso em continuar no meio do futebol, mas preciso arrumar um emprego em que eu possa entrar depois do meio-dia", revelou Romário. *Colaborou Anderson Gomes UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s) |