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20/05/2007 - 19h42

Assim como Pelé, Romário abraça causa social no 'milésimo' gol

Vinícius Barreto Souto
No Rio de Janeiro
Em meio à expectativa pelo "milésimo" gol da carreira, Romário adotou postura semelhante à tomada por Pelé quando ele atingiu essa marca histórica. Assim como o Rei do Futebol, que discursou em prol das crianças pobres do Brasil, o atacante do Vasco também usou os holofotes da mídia para chamar a atenção da opinião pública para uma causa social ao defender os portadores da Síndrome de Down.

ROMÁRIO E CAUSA SOCIAL
Folha Imagem
Romário abraça os filhos dentro do gramado depois do gol mil
EFE
Pai de uma criança com Síndrome de Down, Romário foi ao Congresso
CONFIRA ESPECIAL DO GOL MIL
Pai de uma criança de dois anos com a alteração genética, Romário foi convidado pelo senador Renan Calheiros a participar de uma solenidade do Senado Federal, em Brasília. Na Comissão de Direitos Humanos e Assuntos Sociais, que comemorou o Dia Nacional dos Portadores de Síndrome de Down, o jogador cobrou mais atitude e menos discurso dos políticos no apoio às pessoas portadoras de Down, como a sua filha Ivy.

"Está na hora de pararmos de falar e tomarmos um pouco de atitude em relação a tudo de ruim que acontece. Espero que a realidade daqui para frente seja diferente. Tenho certeza que existem vários projetos que dependem muito de alguns que estão aqui para serem aprovados", discursou Romário.

Por sinal, o atacante já disse que, após encerrar a carreira, pretende dedicar 100% do seu tempo à criação de um instituto para crianças carentes que têm Síndrome de Down.

"Espero que vocês [senadores] comecem a pensar diferente, porque essas crianças são especiais. Podem acreditar: por experiência própria de um pai, que vive há apenas dois anos com uma criança dessas, ela me ensinou tanta coisa que estou até emocionado agora", continuou o jogador, arrancando aplausos no Senado.

Enquanto não cria sua instituição para crianças carentes com Down, Romário já toma uma atitude em prol dos portadores da alteração genética. Desde que começou a contagem regressiva pelo "milésimo" gol na carreira, o atacante leiloa as camisas usadas nas partidas - com o número de gols que faltavam para chegar à marca estampado na manga - e doa todo o dinheiro arrecado para instituições que cuidam de pessoas com a síndrome.

Só a primeira camisa, usada na partida contra o Volta Redonda, pela Taça Guanabara, que tinha o número 13 na manga, foi arrematada por cerca de R$ 11 mil. Segundo Romário, pessoas normais deveriam aprender com os portadores da Síndrome de Down.

"São eles mesmos que são diferentes, ou somos nós, que provocamos guerras e violência? Está na hora de começarmos a viver num mundo diferente. Essas pessoas que têm a Síndrome de Down vivem num mundo de amor e alegria. Um mundo que, infelizmente, ainda não estamos preparados para acompanhar. Nos últimos dois anos da minha vida, essa criança me fez enxergar algumas coisas de outra forma. São coisas que só nós pais, que convivemos com elas, podemos ver", observou.

No fim da solenidade, o presidente do Senado, Renan Calheiros, elogiou o apoio de Romário à causa. "Qual foi o gol mais bonito que o Romário marcou?", indagou. "Foi esse gol, contra o preconceito", classificou o político.

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