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Durante 28 anos de carreira, do infantil ao profissional, Romário provou que sua habilidade nata para jogar futebol e balançar as redes é proporcional à capacidade de se envolver em polêmicas. "Marrento" dentro e fora de campo, ele coleciona um vasto histórico de confusões com muita gente, desde anônimos a Pelé.
Oficialmente, o atacante foi retirado da convocação porque teria circulado sem permissão pelos corredores do hotel em que a delegação estava hospedada. Entretanto, em 2006, o pai de Romário, Edevair de Souza, contou que seu filho foi cortado porque namorou a mulher do técnico da seleção, Gilson Nunes, em plena concentração. Problemas dentro e fora de campo Em 1988, já como profissional, Romário brigou com Renato Gaúcho (na época jogador do Flamengo e atualmente treinador do Fluminense) durante a decisão do Campeonato Estadual. O Baixinho tentou acertar um chute no adversário, quase levou o revide e acabou expulso. Mesmo punido nas duas primeiras polêmicas, Romário voltou a aprontar depois de apenas um ano. Em 1989, novamente dentro da concentração da seleção brasileira (que disputava as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1990), o atacante cometeu outro ato de indisciplina. Da sacada do hotel, fez gestos obscenos e xingou mulheres que passavam na calçada. A imprensa pediu a suspensão do atacante, mas a Confederação Brasileira de Futebol não o puniu e "arquivou" o assunto quando o Brasil se classificou para a Copa e Romário retornou para a Europa, onde ainda defendia o PSV Eindhoven. Por sinal, no clube holandês, Romário até que "andou na linha". Mas, em 1994 (já no Barcelona), ano em que foi eleito pela Fifa o melhor jogador do mundo, ele foi multado várias vezes por atrasos aos treinos da manhã e a uma viagem do time. Acusado de se esbaldar na noite catalã, recebeu críticas do técnico holandês Johann Cruyff, com quem discutiu. Sincero, Romário nunca negou que é freqüentador assíduo das noitadas. "A noite sempre foi minha amiga. Quando saio, fico contente e marco gols", disse o atacante. Dentro de campo, Romário também se envolveu em confusão pelo Barcelona. Provocado pelo argentino Simeone, então no Sevilla, que lhe deu uma cotovelada, o brasileiro revidou com um soco e acabou suspenso por cinco partidas do Campeonato Espanhol. "Ele me acertou e ainda xingou a minha mãe em espanhol. Eu esperei um pouco, aproveitei um momento em que ele estava passando, armei e dei", contou Romário à TV Globo, repetindo o movimento do soco de mão esquerda (apesar de ser destro com os pés, o atacante é canhoto com as mãos). No ano seguinte, já pelo Flamengo, o Baixinho "marrento" se meteu em várias outras polêmicas. Fora de campo, teve problemas com o técnico Vanderlei Luxemburgo, que era contrário a ceder regalias ao jogador. O atacante levou a melhor na queda-de-braço e causou a demissão do treinador. Ainda em 1995, Romário se envolveu em três polêmicas dentro de campo. Num jogo contra o Vélez Sarsfield (da Argentina), pela Supercopa, ele deu uma voadora e chutou Zandoná após o adversário acertar um soco por trás no rosto do até então parceiro Edmundo. No mesmo ano, num amistoso no Japão, com dedo em riste, bateu boca com Sávio. Em 1997, em uma partida pelo Campeonato Estadual do Rio, contra o Madureira, na Gávea, Romário se irritou com a marcação feroz do desconhecido lateral Cafezinho e trocou chutes com o adversário em uma briga de baixinhos. "Foi uma briga boa, porque nós dois éramos do mesmo tamanho. Eu encontrei um adversário à altura e as coisas se resolveram ali mesmo", observou Romário. Polêmicas com Zagallo e Zico na boate e saída do Fla No ano seguinte, o artilheiro arrumou rusgas com dois personagens de nome no futebol brasileiro: Zagallo e Zico, responsáveis pelo seu corte da seleção às vésperas da Copa de 1998, por causa de uma lesão. Mesmo machucado, Romário alegava na época que poderia se recuperar a tempo de jogar o Mundial e caiu em prantos na entrevista coletiva convocada para anunciar seu corte. Inconformado, meses depois o Baixinho desabafou. Mandou pintar caricaturas irônicas de Zagallo e Zico nas portas do banheiro de sua boate (Café do Gol, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio) - os desenhos mostravam Zico com um rolo de papel higiênico na mão e Zagallo sentado em um vaso sanitário. Sentindo-se ofendidos, Zagallo e Zico entraram com ação na Justiça por danos morais. Alheio à ameaça, Romário - que depois foi condenado a pagar indenização de R$ 380 mil a Zagallo - criticou o maior ídolo da história do Flamengo, time que ainda defendia. "Não devo nada a essa pessoa. Não tenho culpa se tem gente que nasce perdedora", cutucou na época. Zico respondeu por meio da imprensa. "Romário pensa que é o rei da cocada preta. O que esperar de um cara que se acha Deus?", questionou o ídolo do Flamengo. Em 1999, Romário selou de vez sua saída do Flamengo com outra polêmica extra-campo. Logo após a derrota por 3 a 2 para o Juventude, pela última rodada do Campeonato Brasileiro, o jogador, em vez de seguir para o hotel em que a delegação estava hospedada, foi para um boate em Caxias do Sul. Lá, posou para fotos com uma modelo (miss Festa da Uva) e irritou o então presidente Edmundo Santos Silva. Após discutir com o dirigente, acertou sua volta para o arqui-rival Vasco. Fora do futebol, em 1999, Romário ainda se envolveu em outra polêmica: ele despejou uma tia que ocupava de graça um de seus apartamentos na Barra da Tijuca. Príncipe x bobo na 'corte' vascaína Na sua volta ao Vasco, Romário reencontrou um antigo parceiro e desafeto: o também polêmico atacante Edmundo, com quem discutiu no Flamengo por atritos extra-campo que deflagraram uma crise na amizade entre os dois (assim como Zagallo e Zico, Edmundo foi alvo de uma charge polêmica no Café do Gol). Desde a época em que formaram o frustrado "ataque dos sonhos" na Gávea (ao lado de Sávio), Edmundo já reclamava que Romário gozava de regalias demais no grupo. Fora do clube, a fogueira de vaidades ardia na disputa por mulheres nas noitadas e na parte financeira da incipiente parceria musical do "rap dos bad boys". Quando Romário retornou ao Vasco, Edmundo voltou a reclamar de privilégios que o Baixinho tinha no elenco cruzmaltino. Os jogadores não se falavam e também não faziam questão de se entender dentro de campo. Nessa época, os microfones da imprensa serviram de duelo para provocações entre os astros. Em uma entrevista, Edmundo desabafou e disse que Romário era o príncipe da corte vascaína, que tinha o presidente Eurico Miranda como rei. Dias depois, o Baixinho respondeu com uma de suas frases mais famosas. "Agora, a corte está toda feliz. O rei, o príncipe e o bobo", disse, após uma vitória do Vasco. Em 2000, Romário voltou a cutucar Zico. Ao marcar três gols na goleada por 5 a 0 sobre a Bolívia, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002, o atacante ultrapassou o maior ídolo da história do Flamengo em número de gols pela seleção brasileira. Até então, com 53 gols, Zico era o segundo maior artilheiro. "Na minha frente, só Pelé", disse na época o Baixinho. Ainda no Vasco, em 2001, Romário também arrumou problemas com a principal torcida organizada do time. O amor dos cruzmaltinos se transformou em ódio depois que o atacante, alegando lesão, não entrou em campo para disputar a final do Campeonato Estadual contra o Flamengo, que conquistou o tricampeonato. Despedida da seleção e agressões no Flu Em 2001, Romário se envolveu em uma polêmica que lhe custou a convocação para a Copa do Mundo de 2002. O atacante já havia até sido escolhido capitão do time pelo então técnico Luiz Felipe Scolari. Mas, após a derrota para o Uruguai, pelas Eliminatórias, o artilheiro pediu dispensa da seleção que disputou a Copa América para fazer uma cirurgia no olho. Contudo, além de não realizar a operação, Romário ainda viajou com o Vasco para disputar amistosos no México, onde acabou se machucando. A atitude irritou Felipão, que não cedeu às pressões populares, nem à entrevista coletiva dada pelo jogador para pedir sua convocação, e deixou o atacante fora da Copa. Terminava ali o seu ciclo pela seleção em jogos oficiais. "Existem duas versões dessa história. Uma é essa do problema no olho, e outra é sobre eu ter subido para um andar diferente no hotel em que a seleção estava para ir ao quarto de uma aeromoça. Sinceramente, nada disso aconteceu. Eu liguei para o Felipão e perguntei se ele tinha deixado de me convocar por causa de uma dessas coisas, e ele me disse que não tinha nada a ver", revelou Romário. Fora da seleção, Romário trocou o Vasco pelo Fluminense em 2002. Como de costume, o artilheiro também se envolveu em polêmicas no clube tricolor. Durante a derrota por 6 a 0 para o São Paulo, no Morumbi, ele discutiu com o zagueiro Andrei e deu um tapa no rosto do companheiro de time, que não reagiu, apesar de ser bem maior do que o "marrento" Baixinho. Depois de agredir um jogador, foi a vez de Romário bater em um torcedor do Fluminense, em 2003. Durante um treino nas Laranjeiras, um anônimo tricolor, revoltado com a má campanha do time no Campeonato Brasileiro, soltou galinhas no gramado e insultou os atletas, chamando-os de "maricas". Principal alvo das críticas, Romário não se conteve. Após o treino, o atacante subiu a arquibancada das Laranjeiras, onde se encontrava o torcedor, e o agrediu com socos e pontapés, com a ajuda do fisioterapeuta particular Zé Colméia. Mais tarde, o tricolor foi à delegacia prestar queixa contra o artilheiro. Rusgas com Ronaldo, Pelé, Gama e detenção Nos dois anos seguintes, Romário se envolveu em polêmicas com mais dois ícones do futebol mundial: Ronaldo "Fenômeno" e Pelé, o maior jogador de todos os tempos. Em 2004, o Baixinho voltou a dizer publicamente que se considerava o melhor atacante brasileiro de todos os tempos depois de Pelé. A declaração irritou Ronaldo. "Acho que o jogador se auto-intitular como o melhor é pretensão demais. Não tenho esse costume", disse o "Fenômeno" na época. Ainda em 2004, Romário ficou seis horas detido numa delegacia por supostamente não pagar pensão alimentícia a sua ex-mulher, Mônica Santoro. Dentro do Fluminense, criticou o desconhecido técnico Alexandre Gama, que ousou barrá-lo do time titular. "O cara entrou no ônibus agora, não está nem em pé e já quer sentar na janela", resmungou o astro. Em 2005, foi a vez de Pelé ser alvo da língua afiada de Romário. Ao comentar que o Baixinho deveria encerrar a carreira para sair por cima, o rei do futebol escutou uma resposta seca. "Na verdade, o Pelé calado é um poeta. Deus abençoou os pés desse cidadão, mas se esqueceu do resto, principalmente da boca, porque quando ele fala só sai besteira. Ou melhor, só sai merda", disse Romário, que mais tarde pediu desculpas ao atleta do século. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s) |