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20/05/2007 - 19h51

Romário consagra primeira e última vítimas com 'milésimo' gol

Vinícius Barreto Souto*
No Rio de Janeiro
Em vez de uma grande defesa, o maior feito da carreira do goleiro Andrada foi um gol sofrido. Era ele o camisa 1 do Vasco no pênalti convertido por Pelé, no dia 19 de novembro de 1969, no milésimo gol do ex-jogador do Santos. Neste domingo, o atacante Romário colocou outro goleiro em evidência. A vítima do "milésimo" do Baixinho foi Magrão, do Sport.

Arquivo Folha
Romário no começo da carreira, na Olimpíada de 1988 - final contra a URSS
CONFIRA ESPECIAL DO GOL MIL
FOTOS DO MILÉSIMO
Contudo, Magrão não foi o único a ganhar os holofotes por conta do gol. A marca atingida pelo atacante vascaíno neste domingo colocou em evidência também sua primeira vítima.

Assim como Andrada, goleiro argentino do Vasco que ficou famoso por sofrer o milésimo gol de Pelé em 19 de novembro de 1969, Magrão, do Sport, também foi "consagrado" ao levar o "milésimo" gol de Romário. No entanto, além dele, o artilheiro tirou do anonimato, principalmente, sua primeira vítima.

Trata-se de Josenildo Francisco da Silva, o Belô. Ele era o goleiro do time infantil do América-RJ no dia 25 de novembro de 1979, quando Romário, pelo infantil do Olaria, marcou os três primeiros gols que contabiliza em sua lista, no estádio da Rua Bariri, pelo Campeonato Estadual da categoria.

"Foi um dos meus primeiros jogos também. Era dente-de-leite. Aconteceu. Goleiro nunca gosta de levar gol, mas fico feliz por fazer parte da história. O Romário fez muito pelo Brasil e agora se tornou um mito. Estava no lugar certo, na hora certa. Isso me trouxe até coisas boas. Tenho mais é que tirar proveito disso", admitiu Belô, que não se lembra como foi o primeiro gol.

"Eu era criança ainda. Só uns dois ou três anos depois, quando ele começou a despontar, vieram algumas lembranças de quem foi aquele garoto", explicou.

Trajetórias opostas, mas com algo em comum
Depois daquele confronto, cada um seguiu seu caminho. Apesar do abismo existente entre as trajetórias de Romário e Belô, o atacante e o goleiro possuem muita coisa em comum - guardadas as devidas proporções.

Assim como o astro, o desconhecido jogador também continua em atividade aos 41 anos de idade. Só que, enquanto Romário atua pelo Vasco, Belô defende o São Cristóvão, equipe da segunda divisão do futebol fluminense que revelou Ronaldo "Fenômeno" para o mundo.

Antes, Romário passou por clubes tradicionais como PSV Eindhoven (Holanda), Barcelona, Flamengo, Valencia (Espanha) e Fluminense, além da seleção brasileira. Belô jogou por times mais modestos, como Novo Horizontino-SP, Anapolina-GO, Santo André-SP, Juventus-SP, Vila Nova-GO, Goiás, Anápolis-GO, União do Mato Grosso, Porto de Caruaru e XV de Jaú.

Mas as semelhanças surgem em 1994, quando o atacante conquistou o tetracampeonato mundial com a seleção brasileira na Copa dos Estados Unidos e foi eleito pela Fifa o melhor jogador do planeta. Naquele ano, Belô também brilhou. "Fui bicampeão goiano em 1994", lembrou.

Quatro anos depois, Romário foi cortado da Copa de 1998, na França, por causa de uma lesão. No mesmo ano, Belô também sofreu a maior decepção da carreira devido a um problema físico.

"Em 1998, tive uma fratura na tíbia no dia 20 de maio, no primeiro jogo da decisão [do Campeonato Pernambucano, pelo Porto de Caruaru], e fiquei fora da disputa do título. Ele [Romário] foi cortado da Copa um mês antes", recordou.

Segundo Belô, os dois voltaram a se enfrentar anos depois. Mas, assim como o primeiro confronto, o segundo não conta para as estatísticas oficiais.

"Depois daquilo [confronto pelo Campeonato Estadual do Rio da categoria infantil], fiquei uns dois anos no profissional do América, mas não cheguei a enfrentá-lo. Mas fiz uns jogos amistosos recentemente e ele até fez gol em mim. Só que o gol não deve ter contado, porque foi em jogo-treino. Ele estava voltando de contusão", lembrou Belô.

Primeira vítima pelo profissional estava predestinada
Enquanto Belô salvou-se de ser o goleiro que levou o primeiro gol oficial marcado por Romário, a primeira vítima do artilheiro como profissional estava predestinada a entrar para a história.

Rogério era o goleiro reserva do Nova Venécia-ES, time que sofreu os dois primeiros gols de Romário como profissional, em um amistoso realizado no dia 18 de agosto de 1985, no estádio Zenor Pedrosa Rocha, em Nova Venécia.

Rogério entrou durante a partida, e, no segundo tempo, sofreu os dois gols do atacante (na época com 19 anos), que atuou desde o início, no lugar de Roberto Dinamite. Também foram os dois últimos gols do amistoso, vencido pelo Vasco por 6 a 0.

*Colaboraram Anderson Gomes e Guilherme Costa

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