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Na estréia do Flamengo na Copa Libertadores deste ano, na Bolívia, os jogadores sofreram bastante com os efeitos da altitude de quase 4.000m da cidade de Potosí. Revoltada, a diretoria rubro-negra prometeu que o time não iria mais jogar acima dos limites recomendados pela medicina esportiva. Além disso, elaborou um relatório sobre a experiência vivida pelos atletas para ser mostrado às autoridades da Fifa, na esperança de sensibilizar a entidade a proibir a realização de partidas internacionais acima de 2.500m.
No último fim de semana, a Fifa anunciou o veto. Nesta segunda-feira, Serafim Borges - médico do Flamengo e da seleção brasileira -, um dos responsáveis pela elaboração do relatório, festejou bastante a vitória. "É com grande alegria que nós brasileiros recebemos essa notícia. Ficamos muito felizes em colocar um ponto final nesse assunto que coloca em risco a vida dos atletas", afirmou à Rádio Tupi. O relatório, que contém um DVD com imagens e depoimentos de médicos, jogadores, entre outros, foi mostrado pelo Flamengo em um congresso sobre medicina esportiva realizado em Buenos Aires, capital da Argentina, em março. "Levamos a um congresso da Conmebol junto com o Boca Juniores. O vice- presidente médico da Fifa, que é interessado no assunto, se contrapôs aos jogos na altitude. Juntamos nossas forças, apresentamos nossa tese e felizmente ela foi bem aceita", contou Borges. No entanto, o assunto pode estar longe de ser encerrado. A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) agendou para o dia 15 de junho uma reunião onde o tema será discutido. Na oportunidade, os que sentem-se lesados com a decisão da Fifa poderão entrar com um recurso na entidade. Mesmo assim, o médico do Flamengo não acredita em reviravolta. "A colocação médica tem uma força muito grande. Esse documento foi fortalecido. Temos um farto material bibliográfico de trabalhos feitos na altitude. Estamos bastante documentados", disse Serafim Borges. Os primeiros a demonstrarem insatisfação com a decisão da Fifa foram os bolivianos. Com o veto, a seleção do país não poderá mandar jogos das eliminatórias para a Copa do Mundo em La Paz, que fica a 3.600m de altitude. Por isso, o presidente Evo Morales já convocou outros países prejudicados com a decisão - como Equador, Colômbia e Peru - a se unirem na luta para impedirem a decisão. "É evidente que vai ter o choro. Nessa reunião [congresso em Buenos Aires], o medico da Bolívia não estava presente, mas temos um depoimento do médico do Equador no nosso DVD. O Flamengo documentou tudo, foi um pedido do presidente Marcio Braga e do vice-presidente de futebol Kleber Leite", disse Serafim Borges. |