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13/06/2007 - 08h39

Queda-de-braço com europeus atinge nível mais agudo na seleção

Bruno Freitas
Enviado especial do UOL
Em Teresópolis (Rio de Janeiro)
O "caso Robinho", na disputa entre seleção brasileira e Real Madrid, deflagrou novamente uma tensão cada vez mais presente e inevitável no futebol internacional. As competições entre equipes nacionais estão sendo desafiadas pelos interesses dos poderosos clubes europeus, que, nos últimos anos, resolveram assumir sua força para peitar Fifa e demais entidades que gerem o esporte mais popular do mundo.

HISTÓRICO RECENTE
Em 1999, a seleção de Vanderlei Luxemburgo realizou dois jogos amistosos na Austrália. Ronaldo, principal atacante do time na oportunidade, foi liberado pela Inter de Milão para apenas um jogo. Acabou sendo dispensado pelo treinador brasileiro, mesmo depois de se apresentar na Oceania. Na época, a Fifa exerceu pressão a favor do clube italiano.
Em 2004, Bayern de Munique e Milan se recusaram a ceder seus jogadores convocados para o amistoso da seleção contra o Haiti, no evento que ficou conhecido como "jogo da paz", por ter caráter humanitário.
Em 2007, o Real Madrid se nega a liberar Robinho para a preparação para a Copa América, em razão da rodada final do Campeonato Espanhol. Por norma da Fifa, o atleta obrigatoriamente deve ser liberado 14 dias antes de uma competição oficial entre seleções.
Na história recente da seleção, os atritos com clubes europeus por liberação de jogadores convocados, entre outras coisas, vêm se tornando freqüentes desde a década de 90, com personagens repetidos, como Milan, Barcelona e Real Madrid. No entanto, incidentes recentes levaram a má convivência a seu apogeu.

No "caso Robinho", pela primeira vez vozes da seleção se levantam para acusar um clube grande da Europa de atuação opressora na política do futebol. Na última terça-feira, o técnico Dunga e o staff da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) destacaram ação do Real Madrid nos bastidores para impedir que times sul-americanos realizem amistosos fora do continente europeu.

"A CBF já vai de encontro ao interesse dos clubes europeus, aceitando esse quadro de fazer amistosos na Europa para não prejudicar eles e até sendo injustamente criticada por isso. Perde a CBF e perde o torcedor brasileiro, mas é um papel que tivemos que aceitar", opina Dunga.

Antes do recente entrevero com o Real Madrid por Robinho, o clima de desconforto criado pelos pedidos de dispensa de Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Zé Roberto, com clubes europeus envolvidos nesse contexto, já havia reforçado uma realidade que precisa ser rediscutida. Mas não é esse o pensamento do técnico Dunga, que opina do lado da seleção.

"Não existe nada para mudar. Existe uma norma da Fifa que tem que ser cumprida. Não pode cada um querer fazer sua regra, porque aí a figura da Fifa é diminuída. A CBF sempre cumpriu seus trâmites, com relação a convocações e aproveitamento de jogadores. Por que isso não é respeitado pelos clubes" Todo mundo conhece o calendário internacional", argumenta o treinador.

Preferência de estrelas denota "vantagem" dos clubes
A insatisfação com a "deserção" das estrelas jamais foi ocultada pela comissão da técnica da seleção, que chegou a usar em algumas ocasiões discurso que resvalava em polêmica de senso de nacionalismo, na tal história de "honrar a amarelinha", endossada por segmentos da imprensa do país.

Do outro lado, unidos pelo G-14, os clubes mais poderosos do futebol europeu têm obtido pequenas vitórias na luta pelos seus interesses, reforçando uma realidade que, na opinião de muitos, como o técnico do Arsenal, Arsene Wenger, tem tornado o futebol de seleções cada vez mais monótono.

Pequenas vitórias traduzidas no comportamento de estrelas mundiais, que de modo definitivo ou momentâneo, vêm preterindo os compromissos de seleções por prioridades de suas respectivas carreiras. Foram os casos, por exemplo, do tcheco Nedved, do italiano Totti, do argentino Riquelme e, mais recentemente, de Zé Roberto.

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