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Vinicius Simas, do Pelé.Net
PORTO ALEGRE - Porto Alegre ganhou um novo ponto turístico. A capital gaúcha conta a partir deste ano com o primeiro Museu do Esporte da região Sul do País. Inaugurado em junho, o local expõe diversos tipos de objetos históricos, utilizados por heróis brasileiros em grandes eventos, desde uma camisa de Pelé até o quimono do premiadíssimo judoca João Derly. O colecionador responsável pelo acervo é o jornalista e hoje Secretário Municipal de Esportes de Porto Alegre, João Bosco Vaz, que não esconde sua euforia pelo sucesso da iniciativa.
"Já virou um ponto de referência para os amantes do futebol. Tem gente que só visita o museu, mas outras estão vindo ao bar e não dá para dizer quando temos mais visitas, se de dia ou de noite", afirma Bosco, que foi repórter esportivo, atividade na qual começou a arrecadar o material que hoje está exposto. O sucesso é tanto que o tradicional ônibus turístico que circula há anos pelos principais pontos de Porto Alegre acrescentou uma nova parada em seu trajeto, justamente no museu. O organizador diz que a vontade de reunir peças que fizeram parte da história desportiva surgiu exatamente há dez anos. "Quando fui conhecer Nova Iorque resolvi fazer um lanche no All Star Café. Era um templo do futebol americano, era aquilo que eu gostaria de fazer por aqui", recorda. O lugar que serviu de inspiração ficava na Broadway, e fechou em 2000. O fato não desmotivou o jornalista. "Essa loucura é centralizada em mim, mas funciona de forma triangular. Entro em contato com as pessoas elas tentam me ajudar", explica. A maioria do material exposto registra os principais momentos do futebol. Camisetas usadas nas cinco conquistas da Copa do Mundo estão lá. A faixa do Grêmio campeão brasileiro em 1981 também, assim como o uniforme que o técnico Abel Braga, do Internacional, vestiu na conquista do Mundial do Japão no ano passado. Mas o museu é do esporte, e também tem outras modalidades. Do boxe, os visitantes do museu podem ver as luvas dos campeões do mundo Acelino "Popó" Freitas e Éder Jofre, esse um dos maiores pugilistas da história. O tenista Gustavo Kuerten doou uma raquete, a ginasta Daiane dos Santos deu a malha utilizada quando venceu o campeonato brasileiro de solo em 2005. Uma jaqueta do piloto da Fórmula-1, Rubens Barrichelo, também faz parte do acervo. A camiseta assinada duas vezes por Pelé João Bosco Vaz garante que o primeiro item da sua coleção é também o que tem a história mais curiosa. "Até 2001 eu só tinha uma camiseta, do Santos de Pelé. Mas havia um amigo que jogava lá, o Vicente, que conseguiu o autógrafo de todo o elenco. Só que num determinado dia minha mãe lavou a camisa, que era de algodão, da extinta marca Atleta, e apagou todas as assinaturas. Só anos depois eu me encontrei com o Pelé e ele escreveu uma bonita dedicatória, o que recuperou a importância daquela doação", revelou. O crescimento da coleção se deu de forma rápida. Em 2002 Bosco fez sua primeira exposição, contando com 100 peças. "O Felipão - técnico pentacampeão mundial com a seleção brasileira - me ajudou muito. E quando foi trabalhar em Portugal, acabou me mandando uma camisa do Cristiano Ronaldo". Para reunir o material, foi preciso um longo tempo para conhecer bons contatos. "Tenho uma relação ampla em todo o país, é assim que funciona. Quando o Leão treinava o Santos pedi para ele chuteiras do Diego, do Robinho, e ganhei. Já o Paulo Paixão - preparador físico da seleção - me mandou algumas camisas do Brasil", acrescentou.
Na inauguração, o museu totalizava 321 itens. Um mês depois, são 324, e os presentes não param de chegar. "Esses dias o Ortiz, ex-jogador de futsal, me deu duas bolas. Já combinei de visitar a viúva do Sérgio Moacir - ex-goleiro do Grêmio, falecido há poucos dias -, ela vai me dar um uniforme todo preto, que só ele usava", falou. Se por um lado as doações são sempre bem-vindas, por outro é complicado escolher o que será exposto no ambiente de 436 metros quadrados, cujo piso é revestido de grama sintética. "Tenho que escolher o que quero. Não posso acabar com o espaço para as pessoas circularem. Ganhei uns bonecos manequins e vou vesti-los, para liberar lugar para outras coisas", prometeu. Só falta alguma peça do Maradona Para manter a coleção viva, João Bosco Vaz busca artigos antigos, mas está sempre atento aos eventos atuais. "Na final da Recopa - dia 7/6 - fui à concentração do Inter, conversei com o presidente Vitório Píffero, e acabei conseguindo uma bola do jogo com o Pachuca. Já o árbitro Oscar Ruiz me deu a bola e os cartões usados na final desta Libertadores da América, e o Lucas, volante do Grêmio - vendido ao Liverpool -, me deu um par de chuteiras", contou. Entre utensílios de tantos ícones do esporte, o realizador sente falta apenas de uma pessoa. "Gostaria muito de ter uma camisa do Maradona, aí fecharia um ciclo. Tenho coisas de Pelé, Roberto Dinamite, Zico, Edmundo. Mas na verdade a coleção nunca estará completa", considerou. Momentos curiosos do futebol também chamam a atenção de Bosco. "Quando o Carlos Simon vai apitar alguma partida que eu acho importante, peço um apito, uma bola". Ele conta também que "quando o - atacante - Liédson era do Corinthians, fez quatro gols num jogo. Isso é algo raro, e resolvi ligar para o Kleber Xavier, auxiliar do Joel Santana, técnico do time na época. No final ele me mandou a camiseta", disse. Repleto de objetos interessantes reunidos em um espaço temático, o Museu do Esporte é um novo programa a ser feito na capital gaúcha. E surge em momento chave, uma vez que Internacional e Grêmio, principais times da cidade, se destacam. O primeiro sendo o atual campeão do mundo, e o outro recém foi vice-campeão da América. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s) |