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Mais do que uma mera etapa de preparação para as eliminatórias, o amistoso da seleção contra a Argélia nesta quarta-feira em Montpellier, às 13h30 (horário de Brasília), simboliza o reencontro do futebol brasileiro como parte das confortáveis particularidades que marcam a bem-sucedida história recente da equipe nacional, que andavam fora de alcance após o fracasso do Mundial de 2006.
Nesta quarta, a seleção volta a campo na Europa, entre outras coisas, para celebrar o restabelecimento de parte de características de uma reputação perdida na Copa da Alemanha: o status de campeã do último torneio disputado e o de desfrutar da liderança do ranking da Fifa.
O título da Copa América da Venezuela conquistado recentemente, há pouco mais de um mês, reconduziu o Brasil ao seu estado mais comum nesta década, ou seja, com a sensação de superioridade em relação às demais equipes nacionais, construída pela confiança em seus principais jogadores e reforçada pela chancela da Fifa através de seu ranking mensal de seleções, à frente da arqui-rival Argentina (2º lugar) e da campeã mundial Itália (3ª colocada). "Esse espírito de seleção nós resgatamos, sem dúvida. Mas aqui temos que saber que teremos uma dificuldade a cada dia, com adversários que sempre jogam em seu limite contra nós. Por isso, esse espírito, essa conduta, tem que estar sempre presente", declarou Dunga, em referência ao seu idealizado trabalho de renovação e à conquista da Copa América. Outros fatores contribuem para o restabelecimento do ambiente de conforto da seleção. Como o fato de a equipe volta a disputar uma partida na Europa, continente que foi palco de dez dos 17 compromissos do Brasil no pós-Copa (por conveniência política com os clubes grandes da região e facilidades estruturais). Os retornos de Kaká e Ronaldinho Gaúcho, mesmo que a princípio do lado de fora, também contribuem para eliminar as estranhezas de status do último ano, desencadeadas pelo fracasso no Mundial-2006. Mas, para ingressar no time e dar à seleção feição de mais familiaridade para o torcedor, os astros de Milan e Barcelona devem cumprir a já conhecida 'cartilha' de Dunga, que prega a igualdade individual no grupo, independente de currículo ou potencial técnico. Mesmo refutada por todas as partes envolvidas, a opção inicial do treinador pelos dois jogadores no banco reluz como uma pequena punição pela ausência da dupla na Copa América, em baixa que se deu em nome de um emergencial descanso físico. "Na 'Era Dunga', sempre se soube que todos precisam brigar por um lugar no time. Essa posição só foi fortalecida agora. Não me incomodo com isso. Busquei meu espaço na seleção numa primeira e em uma segunda vez. Posso buscar pela terceira vez", disse Kaká, em menção ao começo do trabalho do treinador logo depois da Copa de 2006, quando também chegou a freqüentar a reserva. Para completar o cenário de conforto, o adversário parece ser o ideal. Número 77 do ranking da Fifa, a Argélia se perfila em Montpellier como um rival aparentemente inofensivo, que, na teoria, serve de coadjuvante perfeito para a afirmação internacional do Brasil superpotência do futebol, uma definição arranhada depois do Mundial e, acredita-se internamente, reciclada na conquista da Copa América. Em junho passado, os argelinos deram trabalho para a Argentina, com derrota por 4 a 3 em amistoso em Barcelona. Mas, sem caras conhecidas, levam a campo o provável prognóstico de presa fácil. A bem da verdade, talvez a grande contribuição do país ao futebol mundial tenha sido o fato do francês Zinedine Zidane, um dos melhores dos últimos tempos, ter ascendência argelina. Mesmo com a expectativa de fragilidade do rival, Dunga acredita num desafio complicado nesta quarta. "A Argélia deu trabalho para a Argentina recentemente. Tem jogadores na França e na Inglaterra, tem poder de marcação e esteve em dois Mundiais", afirmou o técnico brasileiro, citando as já distantes Copas de 1982 e 1986 para conferir gabarito ao adversário. BRASIL Doni; Maicon, Alex Silva, Naldo, Kléber; Mineiro, Josué, Elano, Júlio Baptista; Robinho e Vágner Love Técnico: Dunga ARGÉLIA Gaouaoui; Bouzid, Bezzaz, Antar, Bougherri; Zaradi, Mansouri, Belhads, Ziani, Ghires; Amri Técnico: Cavalli Data: 22/08/2007 (quarta-feira) Hora: 13h30 (horário de Brasília) Local: Stade de la Mosson, em Montpellier (FRA) Árbitro: Sandryk Bilon (FRA) Auxiliares: Stephane Mercier e David Durussel (FRA) UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s) |