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30/08/2007 - 18h33

Palmeiras acusa Bosco de simular 'a la Rojas'; goleiro se defende

Alexandre Sinato e Carlos Padeiro
Em São Paulo
Mais uma vez o clássico Palmeiras x São Paulo não vai terminar dentro de campo. Nesta quinta-feira, o diretor de futebol do clube alviverde, Savério Orlandi, apresentou, após treino na Academia de Futebol da Barra Funda, uma imagem em que o goleiro Bosco, após comemorar a vitória na quarta, pega um objeto no chão, fala com Dagoberto, coloca a mão na cabeça e se dirige ao árbitro para entregá-lo.

BOSCO NEGA CUSPE EM SÍMBOLO
Folha Imagem
Depois do relato de Bosco sobre a agressão sofrida na saída do vestiário do estádio do Parque Antarctica, o goleiro passou a ser questionado por sua postura dentro de campo durante o clássico.

O reserva de Rogério Ceni foi acusado de ter cuspido no símbolo do Palmeiras, o que teria irritado a torcida rival. Nesta quinta-feira, Bosco negou veemente qualquer desrespeito ao clube adversário.

"Estavam alegando que eu cuspi no símbolo do Palmeiras, mas em nenhum momento cheguei perto do símbolo. Seria um grande desrespeito e sou um profissional de 32 anos, nunca desrespeitei nenhum clube, não faz parte da minha personalidade", comentou.
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O Palmeiras reprovou a atitude do jogador e vai encaminhar o DVD ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) até a próxima segunda-feira. Do outro lado, Bosco negou que simulara ter sido atingido.

"Na hora, eu estava arrumando meu cabelo e o quarto árbitro ainda brincou comigo, perguntando se eu estava com piolho. Entreguei a pilha para ele relatar, mas não fui atingido por ela e não disse que fui atingido para o quarto árbitro", explicou o arqueiro.

"Foi uma atitude ludibriosa que ele teve em campo, não agiu com as melhores das intenções. Vamos encaminhar a imagem ao STJD, basicamente uma denúncia contra o jogador e não contra o São Paulo", informou o cartola do time de Parque Antarctica.

Questionado se o caso relembra o que aconteceu com o ex-goleiro Rojas, que ficou famoso por simular um corte na testa em um jogo entre Brasil e Chile, pelas eliminatórias da Copa do Mundo, em 1989, Savério afirmou: "é o exemplo que vem à nossa cabeça, pois o Bosco talvez tenha tentado criar um fato que pudesse acarretar punição ao Palmeiras".

"Temos certeza que nada disso partiu do São Paulo Futebol Clube, que é muito grande e bem dirigido, mas, se o Palmeiras sofrer qualquer tipo de prejuízo, como perda de mando de campo, estudaremos medidas de outras naturezas, como na esfera cível", acrescentou.

Segundo o diretor de futebol, cabe ao STJD agora analisar o caso. "O enquadramento adequado quem vai dar é o STJD. Pode ser conduta antidesportiva, incitação à violência...".

Agressão fora de campo
Depois da partida, Bosco, com um corte na perna, alegou que foi agredido por torcedores na saída do vestiário. Savério negou que isso tenha acontecido. "Tenho certeza absoluta que ele não foi agredido, conforme relatos do nosso corpo de seguranças. Esse corte pode ter ocorrido em um treinamento, alguma outra circunstância".

Bosco, contudo, voltou ao vestiário com a perna esquerda sangrando e cercado por jogadores do São Paulo, que no momento estavam visivelmente preocupados com o ocorrido. A polícia presente no local também presenciou o fato.

"Estou sendo vítima, pois estão falando mentiras. Não cabe a mim [dizer se o Palmeiras precisa ser punido]. Só quero que seja resolvida a questão da segurança lá. Um país que quer receber uma Copa do Mundo não pode ter um estádio assim", disse Bosco, referindo-se à necessidade de a delegação tricolor ter que passar entre os torcedores para chegar ao ônibus.

"Todos os membros da comissão técnica, diretores, presidente e jogadores do São Paulo saíram sem incidentes. Foi um episódio isolado, e o Palmeiras não tem notícia de que essa agressão tenha ocorrido", argumentou Savério.

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