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04/11/2007 - 20h15

Felipe se cala em campo e nas entrevistas para evitar polêmica

Marcius Azevedo
Em São Paulo
Era nítida na partida contra o Atlético-PR uma nova postura do goleiro Felipe em campo. Não reclamou de quase nenhum zagueiro corintiano, mesmo após duas falhas que resultaram em gols do rival. Isso é reflexo de uma mudança de comportamento, ocasionado após uma série de críticas por causa de seu temperamento. Decidiu ainda não dar mais entrevistas até o final do Campeonato Brasileiro.

FINAZZI QUER FELIPE NO GOL
A tentativa do goleiro Felipe, que foi ao ataque nos minutos finais da partida contra o Atlético-PR não foi bem recebida pelo atacante Finazzi, autor do gol de empate poucos minutos depois do frustrado cabeceio do companheiro.

"Eu não sou muito favorável a goleiros baterem pênaltis ou faltas, a não ser que seja o Rogério Ceni, que é algo que já existe há muito tempo. Falo isso porque os atacantes são cobrados pelos gols. Essa é a nossa função dentro de campo", afirmou.

Finazzi disse inclusive que foi atrapalhado pelo goleiro. "Claro que não posso prever o que iria acontecer, mas acho que eu faria o gol. Não precisaria nem pular naquela bola, mas nisso o Felipe apareceu. Mesmo assim, ele cabeceou muito bem. Ficaria feliz se marcasse", discursou.

O técnico Nelsinho Baptista pensa diferente. "Ele tem autorização para isto. Até porque o nosso preparador de goleiros, o Marcos, sempre faz um trabalho assim. Quando ele faz treino de cruzamentos sempre coloca os outros goleiros, que não estão na função especifica, para tentar cabecear e o aproveitamento é bom", explicou o treinador.
"Não vou falar mais nada", disse o goleiro ao ser abordado pela reportagem do UOL Esporte no estacionamento do estádio do Pacaembu. Não quis nem responder sobre o lance em qual foi ao ataque e quase marcou o gol que seria o do empate. Logo depois, Finazzi fez.

A postura gerou opiniões distintas no elenco. Para Zelão, isso pode ser prejudicial para o time. De acordo com o zagueiro, o goleiro é muito importante quando fala dentro de campo. "O Felipe tem seu jeito de cobrar. Às vezes exagera um pouco, mas todos estão cientes de como ele é. Nós sabemos como é o goleiro. Ele ajuda muito quando fala. Muito mais do que calado", destacou.

Já o capitão Betão afirmou que Felipe é "muito importante jogando pela equipe". O zagueiro, aliás, teve uma conversa mais calorosa com o companheiro depois do clássico contra o Palmeiras, em setembro, quando o goleiro insinuou que alguns jogadores estavam sem vontade.

O atacante Finazzi preferiu falar primeiro com o goleiro antes de dar qualquer comentário. "Em algumas passagens da minha carreira e fiquei sem dar entrevistas. Não sei o motivo para ele não falar mais, mas procurar saber o que está acontecendo", afirmou.

O técnico Nelsinho Baptista adotou um discurso parecido. "Fiquei sabendo isso agora", afirmou. "Vou procurar falar com ele para ver", emendou.

Nesta semana, no entanto, o treinador, mesmo depois de uma discussão entre Felipe com Iran e Fábio Ferreira depois da derrota para o Flamengo, defendeu o goleiro e afirmou que esta cobrança era positiva.

Mas o estilo do goleiro não é 100% aprovado, principalmente quando Felipe demonstra o seu descontentamento com gestos durante os jogos e com cobranças no vestiário. Tanto que nesta semana, alguns torcedores, membros da principal torcida organizada do clube, pediram ao jogador para pegar mais leve.

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