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04/12/2007 - 09h14

Jogadores do Corinthians são agredidos após rebaixamento

Eduardo Arruda, Paulo Galdieri, Cezar Martins e Ricardo Perrone
Folhapress (São Paulo)
A trégua acabou. Horas após o Corinthians ter sacramentado sua queda para a segunda divisão do Brasileiro, torcedores agrediram atletas, fizeram ameaças ao elenco e até colocaram o dedo em riste na cara do presidente Andrés Sanchez, que fizera discurso contra atos violentos em Porto Alegre.

Caio Guatelli/FI
Policiais fizeram plantão na entrada do Parque São Jorge na última segunda-feira
RESPEITO INÉDITO
PROBLEMA COM REFORÇOS
SÉRIE B
MAIS CORINTHIANS
O primeiro entrevero ocorreu ainda na capital gaúcha, no ônibus que levava a delegação corintiana ao aeroporto Salgado Filho. O membro e ex-presidente da torcida organizada Gaviões da Fiel Douglas Deungaro, conhecido como Metaleiro, furou a segurança e se escondeu no banheiro do veículo.

Minutos depois de ter deixado o estádio Olímpico, Metaleiro escancarou a porta do banheiro e fez ameaça aos atletas. "Eu falei que, se caísse, todos iriam apanhar", afirmou ele, que agrediu o lateral-esquerdo Everton Ribeiro e os atacantes Clodoaldo e Wilson.

"Nós estávamos sentados e levamos um susto. Ele chegou a agredir alguns, mas a situação foi logo controlada. Ele disse que não bateria nos jogadores por minha causa", disse o ex-vice de futebol Antoine Gebran.

Metaleiro foi contido por seguranças e, em seguida, preso. O Comando de Policiamento da Capital (CPC), de Porto Alegre, informou que Metaleiro foi liberado nesta segunda-feira. Os policiais descobriram que havia uma ordem de prisão da Justiça de São Paulo para ele, por não ter pago pensão alimentícia.

O CPC também informou que retirou do avião que trouxe o Corinthians de volta a São Paulo dois torcedores que estavam brigando com os jogadores. Ambos foram entregues à Polícia Federal, responsável pelo patrulhamento do aeroporto. O departamento de comunicação da PF não soube informar se os torcedores seguiam detidos nesta segunda.

A confusão na aeronave, porém, prosseguiu. Minutos antes do pouso, um grupo de torcedores ordenou aos atletas que cantassem o hino do clube. Quem não o fizesse, disseram, iria apanhar. Ninguém cantou.

Um torcedor, então, ameaçou Lulinha, chamando-o de "bebezão". Outros ameaçaram fazer um "corredor polonês" para os atletas na chegada à capital. O técnico Nelsinho Baptista também foi ofendido.

A delegação embarcou em um ônibus na pista do aeroporto de Cumbica.
Nesta segunda foi a vez de Andrés ser cobrado. Cerca de 50 integrantes de organizadas foram ao Parque São Jorge protestar.

Exigiram também falar com o presidente do clube, que aceitou o pedido e os recebeu nas arquibancadas da Fazendinha.

Cercado pelos torcedores, Andrés ouviu cobranças pela queda. Um membro do protesto, mais exaltado, tomou a palavra, logo após Andrés dizer que, "antes de ser presidente, era torcedor" e que havia "feito de tudo, mas não deu".

O torcedor, com a camisa da Gaviões da Fiel e identificado apenas pelo apelido, Monga, disse para o cartola, com o dedo em riste: "Você é um lixo, você rebaixou o Corinthians, você deveria renunciar. Foi o seu grupo de conselheiros que fez a parceria ser aprovada".

Andrés, cabisbaixo, assentia com a cabeça enquanto ouvia o desabafo do corintiano.

Antes de se retirar do encontro, o presidente cantou o hino do clube alvinegro junto com os torcedores e abraçou alguns manifestantes.

Hospedagem: UOL Host