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04/02/2008 - 09h20

Luís Fabiano corre para entrar no "círculo de confiança" de Dunga

Daniel Tozzi
Em Dublin (IRL)
Convocações para a seleção brasileira ele têm muitas - 28 no total. Já foi primeira opção para virtuais ausências de Ronaldo na última era Parreira. Mas, com Dunga, a história de Luís Fabiano é quase nula. Fez, é verdade, os dois gols salvadores contra o Uruguai, pelas eliminatórias, em sua única partida como titular com o capitão do tetra. Mas o próprio atacante admite que ainda precisa ralar muito para entrar no círculo de confiança do treinador.

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Luiz Fabiano (esq.) diz que ainda tem que ser constante na seleção para se firmar
PERFIL DE LUÍZ FABIANO
DIEGO E BOBÔ
PÁGINA DA SELEÇÃO
"Eu realmente ainda tenho que me firmar, ser constante na seleção para sempre ser chamado. Tenho que mostrar ao Dunga que estou com muita vontade", diz Luís Fabiano, que dará seu segundo passo na empreitada nesta quarta-feira, em Dublin, quando o Brasil enfrenta a Irlanda em amistoso às 17h45 (horário de Brasília), com acompanhamento on-line pelo Placar UOL Esporte.

Enfim em alta na Europa - é artilheiro do Campeonato Espanhol, com 16 gols -, o jogador do Sevilla teve na última rodada do quali para o Mundial-10 sua primeira oportunidade apenas por causa da lesão de Afonso, que junto de Vágner Love é um dos símbolos da atual gestão. Ambos não foram chamados para Dublin. Para vencer a concorrência, Luís Fabiano busca reeditar na seleção o processo que permitiu sua volta por cima na Europa após a decepção de ficar fora da Copa do Mundo de 2006.

"Ser escalado sempre, ter continuidade, te dá confiança. Todos precisam disso, e eu recuperei a minha. Acho que esse é o caminho", avaliou o atacante, que prevê para breve outro retorno à briga por uma vaga no time do Brasil: o de Adriano, que o desbancou no grupo de Parreira. "Estou torcendo muito por ele. Não tenho dúvidas que daqui a dois, três meses, ele vai estar de volta ao nível que já atingiu nos seus melhores momentos", disse Luís Fabiano na seguinte entrevista:

UOL Esporte: Você tinha moral na era Parreira, mas caiu de produção e ficou fora da Copa de 2006. Como não perder o rumo de novo?
Luís Fabiano: Quando cheguei à Europa (temporada 2004-05), passei por um momento complicado no Porto. A fase que estava vivendo não era favorável. E alguns jogadores cresceram, ficaram bem cotados, a imprensa falando bem deles. Em seguida, formou-se o "quadrado mágico" (Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Ronaldo), e o grupo foi praticamente fechado. A concorrência era grande, e acabou ficando muito difícil. Quando cheguei ao Sevilla, a primeira temporada também foi de adaptação. Mas a partir da segunda cresci. Hoje, tudo é diferente. Evolui muito, me adaptei ao futebol europeu. E ser escalado sempre te dá confiança. Todos precisam disso, e eu recuperei a minha. Acho que esse é o caminho.

UOL Esporte: Você falou em jogadores que a imprensa elogia...acha que ficou, ou ainda está, fora desse grupo, dos "queridinhos"? Explorar comercialmente sua imagem ajudaria nesse sentido?
Luís Fabiano: Eu não faço isso. Meu trabalho é dentro de campo. Quando estou jogando, estou bem, todo mundo fica sabendo. É simples assim. A imprensa no Brasil critica muito porque às vezes não acompanha direito as coisas. Tenho uma relação muito boa com os jornalistas, mas muitas vezes eu jogava bem e ninguém via, mas colocavam que eu não estava jogando. Tem que procurar saber para depois falar alguma coisa.

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O jogador diz que não quer pensar em uma transferência agora, já que negocia renovar
LÚCIO TAMBÉM É CORTADO
VOCÊ APROVA BOBÔ NA SELEÇÃO?
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VEJA OS CONVOCADOS DE DUNGA
UOL Esporte: Antes da lista contra a Irlanda, você havia sido convocado pelo Dunga apenas uma vez, e por causa da lesão do Afonso. Se sente parte desta seleção?
Luís Fabiano: Olha, fui muito bem recebido por todos os jogadores, tanto por aqueles que já conhecia, como por outros que nunca tinha jogado junto. É um grupo muito unido e que quer acertar. E o Dunga e o Jorginho são espetaculares. Eles me deram total confiança. Me senti muito à vontade. Mas tenho que encarar cada oportunidade na seleção como uma final. Eu realmente ainda tenho que me firmar, ser constante na seleção para sempre ser chamado. Tenho que mostrar ao Dunga que estou com muita vontade. Gostaria muito de disputar uma Copa do Mundo, mas tem muito tempo até lá. E agora o mais importante de tudo é fazer um bom trabalho quando estiver atuando pela seleção. Fazer gols. Isso é o que importa. Mostrar que estou disposto, integrado.

UOL Esporte: Por que precisou de tantas chances para se destacar na Europa?
Luís Fabiano: Foi falta de continuidade e de confiança. No Rennes (clube francês no qual Luís Fabiano teve duas curtas passagens) eu não queria ficar. No Porto, passei um ano muito conturbado, com problemas fora de campo. E o importante é jogar sempre. Me destaquei no Sevilla porque foi o único clube europeu onde fiquei por mais de um ano. Mas não penso muito nisso. Tenho que estar feliz por dar a volta por cima. Foi assim em toda a minha carreira.

UOL Esporte: Nas últimas semanas muito se falou sobre sua saída do Sevilla. Você mesmo comentou o assunto. Para qual clube gostaria de ir?
Luís Fabiano: Se viesse uma proposta de um grande clube europeu eu pensaria muito. Mesmo. Jogando num clube grande você têm muito mais chances de ir para a seleção, porque estará sempre em evidência. E adaptação, costume com o novo ambiente vem com o tempo. Não tenho problemas em me acostumar com novos companheiros e, quando você está numa fase boa, pode jogar aqui ou em qualquer outro lugar que tudo dá certo.

UOL Esporte: Mas outra transferência não poderia lhe atrapalhar na disputa por uma vaga na seleção? Na era Parreira, você saiu do grupo justamente quando trocou o São Paulo pelo Porto. E hoje diz que se recuperou justamente por estar adaptado e ter tido uma seqüência no Sevilla...
Luís Fabiano: Mudar do Brasil para a Europa é uma coisa. De um país da Europa para outro daqui, é outra. É um choque muito menor. Eu gostaria de ir, mas, se fosse para sair, seria para seguir disputando os grandes campeonatos europeus. Espanha, Itália ou Inglaterra. Tive uma proposta do Manchester City, mas foi algo que passou. E também não quero pensar em transferência agora, até porque estamos em negociação para minha renovação (o contrato com o Sevilla termina ao fim da temporada 2008-09).

UOL Esporte: Muitos apontam seu temperamento como um problema. Acha possível se livrar do rótulo?
Luís Fabiano: Eu já me livrei. Aqui na Espanha ninguém fala nada disso. É no Brasil que insistem em falar coisas desse tipo. Aqui ninguém coloca esse tipo de rótulo.

UOL Esporte: Mas e a briga com o Carlos Diogo, do Zaragoza?
Luís Fabiano: Foi errado, claro. Me desculpei publicamente. Mas é natural que esses tipos de incidentes aconteçam. Mas claro que qualquer jogador deve evitar. De qualquer maneira, já me livrei que qualquer rótulo desse tipo. Estou mais calmo.

UOL Esporte: E como foi esse processo de ficar "mais calmo" ?
Luís Fabiano: Aprendi a me controlar, a pensar bastante. Fiz um trabalho de três meses em São Paulo, com a Regina Brandão, que foi psicóloga da seleção. Foi muito legal. Claro que continuo sendo um jogador batalhador, e faço o que for preciso para defender meu time. Mas realmente eu era muito mais nervoso. E ficamos mais velhos, vamos aprendendo, vendo as coisas que prejudicam.

UOL Esporte: Você deu a volta por cima, e um concorrente seu, o Adriano, tenta fazer o mesmo. E no São Paulo, clube que você conhece. Acha que foi acertada da escolha dele em retornar ao Brasil?
Luís Fabiano: Acho que o Adriano tem tudo para voltar a ser o grande Adriano. É um cara muito legal. Vai ter muito carinho no São Paulo, pois é um clube que te dá todo o respaldo. Estou torcendo muito por ele. Não tenho dúvidas que daqui a dois, três meses, ele vai estar de volta ao nível que já atingiu nos seus melhores momentos.

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