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05/02/2008 - 08h01

Brasil sucede Leste Europeu como "moda" da Era Dunga

Daniel Tozzi
Em Dublin (IRL)
Se a maioria dos convocados para a seleção brasileira ainda vêm das principais ligas da Europa Ocidental, o técnico Dunga sinaliza com o grupo que enfrenta a Irlanda, nesta quarta, às 17h45 (horário de Brasília), um espaço maior aos atletas que, até pouco tempo, seguiam esquecidos no Brasil e viam nomes que estavam no Leste Europeu, como Daniel Carvalho, Vágner Love e Elano (ex-Shakhtar Donestk, hoje no Manchester City) ganharem espaço.

Cinco dos 22 convocados para o duelo em Dublin atuam em território nacional - o goleiro Renan (Internacional), o lateral-direito Leonardo Moura (Flamengo), os volantes Richarlyson e Hernanes (ambos do São Paulo) e o meia Thiago Neves (Fluminense). Alex Silva e Miranda, dupla de zaga do São Paulo, Wágner, do Cruzeiro, e Morais, do Vasco, também já freqüentaram outras listas do treinador.

"Acho que esse espaço (para jogadores que atuam no país) é bom não apenas para a seleção", avaliou Richarlyson, "mas também para o futebol brasileiro, pois essas convocações valorizam não apenas os jogadores, mas também os campeonatos locais", completou.

A lista poderia ser maior se o zagueiro Breno não tivesse trocado o São Paulo pelo Bayern de Munique, da Alemanha, ao término da temporada passada. Além disso, nomes como Josué, Marcelo, Rafael Sobis e Lucas, hoje todos na Europa, foram chamados pela primeira vez por Dunga quando ainda atuavam no Brasil.

O número de locais ainda pode ser reduzido, mas é digno de nota diante de fatos e previsões recentes sobre qual seria o perfil ideal do jogador da seleção brasileira. Se na conquista do penta, em 2002, 13 atletas ainda jogavam no Brasil, no último Mundial Carlos Alberto Parreira levou à Alemanha apenas três jogadores que atuavam no país - e isso porque Edmílson, do Barcelona, acabou cortado e deu lugar a Mineiro, então no São Paulo.

Se o processo de internacionalização fez clubes europeus se revezarem como base da seleção - vide as legiões brasileiras de Milan, Internazionale ou Barcelona, por exemplo -, o quadro atual dá esperança para que, ao menos em algum setor, um time nacional volte a ser referência. Principalmente na defesa.

Reconhecido por sua sólida retaguarda, o São Paulo tem três destaques do seu pentacampeonato nacional no time de Dunga. Além de Richarlyson e Hernanes, Breno, hoje na Alemanha, também participou da campanha. Miranda e Alex Silva também já foram chamados. Como se não bastasse, há a contínua pressão por uma nova oportunidade para o goleiro Rogério Ceni.

"Ter alguns jogadores com quem atuei no São Paulo ajuda, com certeza", afirmou Richarlyson sobre a companhia de colegas do Morumbi na concentração em Dublin. "Desde a convocação falo com o Hernanes sobre o que temos que fazer para agradar o Dunga", frisou.

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