
|
Em Ribeirão Preto, palco do clássico entre Palmeiras e São Paulo, enormes filas, tumulto, empurra-empurra e policial militar jogando gás de pimenta nos torcedores. Na capital, o clube alviverde, mandante do confronto, omite informação sobre pontos-de-vendas na cidade.
Esse foi o retrato na quinta-feira, primeiro dia de venda de ingressos para o jogo que acontecerá domingo no estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto. De acordo com a BWA, empresa responsável pela confecção e venda dos bilhetes, 24.300 ingressos haviam sido vendidos até as 17h50 de quinta-feira. Restam pouco mais de 4.000, que serão comercializados nesta sexta-feira apenas no Santa Cruz. Pela manhã de quinta, mais de 3.000 torcedores se aglomeraram nos dois pontos-de-venda do estádio - algumas pessoas já esperavam no local desde a madrugada. As bilheterias só foram abertas às 11h, com uma hora de atraso. Nos guichês localizados na entrada das cadeiras cobertas, único ponto em que os ingressos de meia-entrada estavam sendo comercializados, o movimento era maior. Na frente das bilheterias, centenas de pessoas se empurravam à espera do início das vendas. No meio do tumulto, torcedores rivais se desentenderam, provocando correria. A polícia chegou ao local por volta do meio-dia e, com a ajuda de cassetetes e gás de pimenta, afastou a multidão das bilheterias. Dezenas de pessoas - entra elas mulheres, crianças e idosos - correram, com dificuldade de respirar e enxergar. De acordo com o capitão Francisco Mango Neto, da Polícia Militar, o gás de pimenta foi usado para afastar os cambistas. "Não houve exagero [dos policiais]. As pessoas que estavam bem na frente das bilheterias eram os cambistas, que estavam causando prejuízo aos torcedores. Infelizmente foi preciso usar o gás", disse. O Palmeiras ajudou a ampliar a confusão, mas na capital. Inicialmente, o clube disse que só seriam vendidos ingressos no estádio do jogo. E que a diretoria tentaria, perante a Prefeitura de Ribeirão Preto, disponibilizar outros postos de venda. Na quinta, porém, a reportagem ouviu do diretor-tesoureiro do clube, Francisco Busico, que, pela manhã, o ginásio do Ibirapuera comercializou entradas para o clássico. "Desde cedo estava vendendo no Ibirapuera. Como não houve procura, a BWA nos solicitou para enviar cerca de 2.000 ingressos de arquibancada para Ribeirão Preto", revelou Busico. Ao ser informado de que o clube não havia avisado sobre a venda no Ibirapuera, o diretor disse que não sabia o porquê. Questionado por que o clube alviverde não pediu à BWA que comercializasse ingressos em outros pontos da capital, como no Parque Antarctica, casa do Palmeiras, Busico afirmou que quem decide os pontos-de-venda é a própria empresa. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s) |