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12/05/2008 - 08h01

Lusa vai da Libertadores à decepção na volta à série A nacional

Rodrigo Bertolotto
Em São Paulo
Para cada ano fora da primeira divisão, a Portuguesa fez um gol em seu jogo de volta à elite nacional, neste domingo. O problema é que levou o mesmo número de gols do Figueirense no Canindé, e acabou a primeira rodada como o melhor ataque e a pior defesa do Brasileirão. O empate em 5 a 5 marcou o retorno após passar de 2003 a 2007 na Série B.

LUSA E ABUSA
Rodrigo Bertolotto/UOL
Joyce Pacheco, Simone Silva e Jessica Freire marcaram a presença feminina
Rodrigo Bertolotto
O vendedor Milton conseguiu convencer a torcedora a levar um chapéu de ponta
Rodrigo Bertolotto/UOL
O português Acácio Amaral converteu seu neto Jaime de são-paulino a rubro-verde
Rodrigo Bertolotto/UOL
A bateria da torcida Leões da Fabulosa teve apoio das castanholas desse torcedor
Crédito
Grupo de amigos torcedores toma cerveja antes da partida no Canindé começar
VEJA ÁLBUM DE FOTOS DA LUSA
LUSA VACILA, E VITÓRIA ESCAPA
PÁGINA ESPECIAL DA EQUIPE
A torcida embarcou no sonho da Copa Libertadores quando o time vencia por 5 a 2 até os 25min do segundo tempo e era a líder da competição. Mas no final já profetizava um caminho de volta para a segundona.

"Vou torcer para a Lusa bebendo vinho/Libertadores é o meu caminho", entoava a organizada a Leões da Fabulosa, com o cenário de goleada. Na empolgação, a bateria se misturava com o barulho das castanholas com as quais um torcedor marcava o ritmo.

Tudo mudou com o empate catarinense aos 47min do segundo tempo. O sotaque lusitano serviu para espinafrar a equipe. "A nossa é uma defisinha", reclamava dos zagueiros um senhor com cachecol do Porto. "Tinha que jugar um puquinho mais fichado", criticava outro sobre a tática.

"Chamei o Galo de galinha, mas no fim ele cantou alto", ironizou outro sobre o técnico do rival, Galo, que, como o meia visitante Rodrigo Fabri, foi um dos protagonista do momento mais glorioso da Portuguesa: o vicecampeonato brasileiro de 1996. Fabri foi hostilizado na entrada em campo, mas bateu no peito e gritou que tinha "a Lusa no coração". Ganhou a torcida local com isso.

Se no final o gosto foi amargo, as preliminares tiveram uma escalação quase completa das delícias de Portugal. Tinha barraca que anunciava doces como pastel de Belém, de Santa Clara, damasco de Coimbra, queijadinha, toucinho, fios de ovos e torta de amêndoas. A unidade por RS$ 2,50 e a caixa por R$ 13.

Na lanchonete do clube, a pedida era o bolinho de bacalhau e o tremoço (ambos R$ 2) e a porção de alheira (R$ 10). Na noite fria, o único ausente era o caldo verde, apesar das inscrições na parede do estabelecimento. "Só vendemos o caldo na festa junina", explica o balconista.

O serviço de som do estádio convidou os torcedores para as festividades de junho e também para o show de Roberto Leal, compositor e cantor do hino da Portuguesa, que soava alto antes da partida iniciar. O símbolo pop da comunidade no Brasil tinha feito no clube um "jantar das mães" na noite anterior.

Outra atividade anterior ao jogo foi ir às compras. Mas o mercado estava tão pouco aquecido quanto a noite paulistana. "Padeiro é tudo pão-duro", sentenciava o vendedor Milton Soares na porta do estádio, vendendo tocas por R$ 10 e colares por R$ 1.

Por perto, o trasmontano Acácio Amaral, que migrou para o Brasil ainda criança, teve que concordar com a afirmação. "Quem não chora, não mama. Portuga gosta de barganhar", resumiu o português que foi ao estádio com o neto de 13 anos, Jaime. "Ele já foi são-paulino por influência dos amigos, mas comigo ele voltou a ser da Lusa. Quer até viajar para o Rio para ver o jogo contra o Vasco", conta o senhor Acácio, a típica boina na cabeça.

Colados nos ouvidos ou plugados com fones, os rádios tinham a sintonia exclusivamente na rádio Terra, única com transmissão total das campanhas do time. Em tom nada imparcial, o time é chamado de "Lusa veneno" e o zagueiro Marco Aurélio, autor do primeiro gol de domingo, de "príncipe negro do Canindé".

Além dos senhores imigrantes torcendo sentados e seus netos pulando na torcida uniformizada, a ala feminina se fazia notar no Canindé. Joyce Pacheco, 16, Simone Silva, 20, e Jéssica Freire, 17 desfilavam com diferentes modelos das camisetas do time. Tamanho é o fanatismo que elas mantêm uma comunidade na Internet com o nome "Não posso: hoje tem jogo da Lusa". E as meninas rejeitam que estão ali para arrumar namorado. "Não temos namorados, e aqui é ruim de achar um", queixou-se Joyce, que está apaixonada mesmo pelo clube que acompanha desde criança com o pai estrangeiro.

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