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19/05/2008 - 16h19

Ministérios lançam projeto para 2014 com valor 10 vezes do Pan

Fernando Narazaki
Em São Paulo
O governo federal lançou nesta segunda-feira um dos primeiros projetos apresentados para a realização da Copa de 2014 no Brasil. A ministra do Turismo, Marta Suplicy, apresentou uma proposta de infra-estrutura em transporte que tem custo estimado de R$ 38,51 bilhões.

Obras de construção e ampliação de metrôs, criação de linhas de trem, corredores de ônibus e até um trem-bala ligando os estados de Rio de Janeiro e São Paulo estão no escopo que tem valor 10 vezes maior que o gasto total dos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro (cerca de R$ 4 bilhões).

A DIVISÃO DOS BILHÕES
Belo HorizonteR$ 211,7 mi
BrasíliaR$ 710 mi
FortalezaR$ 189 mi
MaceióR$ 141,3 mi
NatalR$ 167 mi
NiteróiR$ 40 mi
Porto AlegreR$ 1,2 bi
Recife e OlindaR$ 198 mi
Rio de JaneiroR$ 5,05 bi
São PauloR$ 15,3 bi
Trem balaR$ 15,3 bi
São Paulo e Rio de Janeiro são as cidades mais visadas no projeto. As duas capitais receberiam investimentos de R$ 36 bilhões do total. Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Maceió, Natal, Niterói, Olinda, Porto Alegre e Recife estão contempladas também. A ministra fez questão de ressaltar que as cidades escolhidas não representam necessariamente as sedes de jogos da Copa.

"Tivemos um critério de focar São Paulo e Rio, que são as duas portas de entrada de turistas. Em relação às outras, é lógico que esse projeto não garante que essas cidades que optamos por fazer o projeto agora serão sedes", afirmou Marta, que já tem em mãos um estudo com 65 cidades com potencial turístico a serem exploradas para a Copa de 2014, incluindo as 18 postulantes à sede.

Os ministério das Cidades, do Transporte e do Esporte também são co-autores do projeto, que ainda não tem recurso definido, nem prazo de começo estipulado. "Não quero fazer promessa, pode começar na semana que vem, como pode também demorar", explicou.

A ministra do Turismo garantiu, porém, que as despesas terão ajuda da iniciativa privada. "Ainda não foi batido o martelo, mas é lógico que teremos a participação privada e dos estados. Não será apenas o governo federal", apontou.

O projeto foi apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à ministra Dilma Roussef, da Casa Civil. "O governo está empenhado e vendo que precisamos mudar. Eles concordam que é um investimento que o governo precisa levar a frente", disse Marta.

Uma grande parte do capital, R$ 15,3 bilhões, será usada na construção da linha do-trem bala, que serviria para encurtar o tempo gasto no trajeto entre as duas maiores cidades do país. Segundo Marta, o veículo atenderia as cidades de Campinas, Guarulhos, São José dos Campos e Rio de Janeiro, e a viagem teria duração de 80 minutos com o novo meio de transporte.

SOLUÇÃO PARA O TRÂNSITO?
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"É um projeto que precisará de um investimento para estar pronto em 2014. Vai exigir esforços muito grandes de todas as esferas. E São Paulo precisa de um esforço de guerra para solucionar a situação de calamidade do transporte", disparou Marta, em tom incisivo. A política, aliás, é tida como uma das prováveis candidatas à eleição municipal de São Paulo neste ano.

Os ministérios não incluem investimentos na ampliação de aeroportos, hotéis e qualificação de profissionais do turismo no plano lançado nesta segunda-feira. Marta evitou fazer projeções, mas explicou que alguns destes "gastos" não serão prioridade do governo. "São diferentes cidades que estarão expostas e temos de ter atenção a todas elas. Porém, em algumas, o governo não vai investir, os hotéis vão depender de captação da área privada", apontou.

A ministra do Turismo definiu o transporte como uma das maiores preocupações na estruturação do país para receber o Mundial. "A questão da mobilidade urbana é prioridade. Na África do Sul, a maior dificuldade é a mobilidade urbana. Já na China, os maiores investimentos são na mobilidade urbana. Por isso, precisamos ter muita atenção com este item", definiu.

Para evitar os maiores problemas vistos no Pan, com discussão entre governo estadual e municipal sobre a responsabilidade das obras, Marta disse que Dilma Roussef será a responsável por intermediar a negociação.
Reporter de 2a na 3a