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Depois de perder dois jogos seguidos, fato inédito na era Dunga, a seleção brasileira chega a Belo Horizonte para o confronto de quarta-feira com a Argentina, pela sexta rodada das eliminatórias sul-americanas, à beira de uma crise. Para piorar a situação, o time terá que lidar com a desconfiança dos mineiros.
"Ninguém vai querer saber de jogo mais. Não vale a pena pagar R$ 200,00 pra ver esse time do Brasil, com Mineiro, Josué, Diego com a 10...", esbravejou o empresário Rafael Araújo, de 29 anos. Ele disse que teve a oportunidade de comprar o ingresso, mas não fez questão. "Se o Kaká jogasse, acho que até valeria, mas com esse time não dá." Já o médico Paulo César Sales, de 41 anos, gastou R$ 1.000,00 (cada ingresso de cadeira especial custava R$ 250,00) para levar toda a sua família ao Mineirão, quarta-feira, mas admite que vai ao estádio desconfiado. "O Dunga pecou muito na escalação do time. Não temos um meio-campista que faça a diferença, e ele embolou todo o time com três volantes. Dá até saudades do Roberto Carlos e do Cafu, porque nossos laterais não acertam um cruzamento", lamentou. "O Kaká tem muito peso nessa seleção e faz falta. É um jogador muito difícil de ser marcado, principalmente quando dá aquelas arrancadas pelo meio", acrescentou o médico, apoiado pelo seu filho Lucas Sales, de oito anos, e de sua esposa, Simone Sales. Mais dois comentários foram freqüentes entre os mineiros: o Brasil sente a falta de um ídolo, e a torcida pode ser um adversário na partida contra o arqui-rival, quarta-feira. "Você não vê mais jogadores como Ronaldo, Rivaldo e Romário. Quem pode ser o ídolo dessa seleção? Ninguém. Robinho e Diego são jogadores de clube", observou Paulo César Sales. "Concordo, hoje é outra época", disse o empresário Araújo. "A torcida vai pegar no pé, vai atrapalhar. Foi assim em 2004, mas o Ronaldo matou o jogo aquela vez", afirmou o médico, recordando a vitória do Brasil por 3 a 1 sobre a Argentina, em 2004, no Mineirão, quando o centroavante marcou os três gols, em cobranças de pênalti. "A torcida em Minas é chata, vai cobrar", endossou Araújo. Apenas seu colega, o bancário Maurício Aquino, apostou no apoio dos mineiros, mas fez uma ressalva: "se tomar um gol no começo, vai tomar vaia." UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s) |