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18/06/2008 - 09h00

Dunga quer manter aproveitamento 100% contra Basile

Paulo Cobos e Sérgio Rangel
Folhapress
Em Belo Horizonte
Contra a Argentina, a fama de retranqueiro e a pouca experiência do mal-humorado Dunga, 44, não pesam nada. Diante do Brasil, o estilo de jogo ofensivo e a larga vivência no futebol do bonachão Alfio Basile, 63, de nada valem.

É assim a vida dos técnicos das duas principais seleções sul-americanas que se enfrentam às 21h50 desta quarta-feira pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2010 no maior clássico da região. Contra a Argentina, em dois confrontos, Dunga acumulou números e performances muito acima da média da sua gestão, em caminho inverso ao trilhado pelo rival.

Os dois treinadores assumiram seus cargos logo após a Copa de 2006. Sem contar os dois confrontos diretos, a Argentina tem aproveitamento, média de gols pró e contra melhores do que as do Brasil. Mas isso de nada valeu, por exemplo, na final da Copa América, quando os brasileiros dominaram totalmente os argentinos na decisão e venceram por 3 a 0, o mesmo placar de amistoso realizado em Londres em 2006.

Só que nesta quarta, no Mineirão, Dunga é o mais pressionado. Ele foi chamado de burro pela torcida que foi ao Paraguai no último domingo. E ainda corre o risco de terminar a rodada fora da zona de classificação nas eliminatórias e com a Olimpíada, com um time sem preparação alguma, pela frente.

Mas Basile viu nesta terça os principais jornais argentinos, incluindo o diário esportivo Olé, criticarem a performance de sua equipe nos confrontos contra o Brasil.

Dunga admitiu que está pressionado, mas ao seu estilo atacou seus detratores. "Temos que conviver com as críticas. Todos querem mandar na casa, quero ver pegar a chave e organizá-la. Isso é difícil."

Basile também sentiu o golpe. Domingo, após o suado empate contra o Equador, em Buenos Aires, mandou seus jogadores de volta à concentração.

Nas últimas duas rodadas duplas das eliminatórias, quando a Argentina também fez o primeiro jogo em casa, os jogadores puderam passar a noite em suas casas. No seu pior momento na seleção, Dunga pelo menos ganhou apoio do grupo.

"Os jogadores nesse momento têm uma parcela de culpa maior do que a do treinador", afirmou o goleiro Júlio César. "Não seria justo culpar o Dunga. Quando um time perde, todos são os derrotados", falou o volante Gilberto Silva.

"Vamos jogar pelo Dunga, mas também por nós e por nossa família. Ele é um grande treinador, está fazendo um bom trabalho e quando o resultado positivo não vem, todos sabem que é assim mesmo, a pressão vem", afirmou Robinho.

Basile também é o tipo de técnico que agrada os jogadores. Maradona, que treinou na Copa de 1994, é um dos que sempre gostou dele. Para seguir tendo a Argentina com seu talismã, Dunga não deve abandonar sua escalação mais conservadora, com pelo menos dois volantes cuja marcação é a grande especialidade.

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