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23/09/2008 - 15h34

CBF estuda proposta de grupo argentino para hotel temático da seleção

Márcio Resende
Especial para o UOL
Em Buenos Aires
Imagine passar um final de semana em um hotel onde o quarto, em vez de um número, chame-se Pelé, Garrincha, Zico ou Romário. Onde nas paredes, em vez dos típicos quadros de paisagens ou flores, haja imagens interativas de jogadores emblemáticos. Onde os empregados são especialistas de futebol prontos para lembrar cada detalhe de datas, jogadas ou taças. E onde na hora de comer, o prato faça alusão a algum Mundial obtido e a sobremesa venha em forma de uma bola de futebol.

HOTEL TEMÁTICO DO BOCA JUNIORS
Boca Juniors/Divulgação
Exemplo de quarto do hotel do Boca, com detalhes nas almofadas das cores do clube
Boca Juniors/Divulgação
Piscina do Boca Juniors Design Suites, que começará a ser construído dentro de 1 mês
Boca Juniors/Divulgação
Imagem de como será o bar do hotel, com nomes dos jogadores ao fundo, na parede
Márcio Rezende/UOL
Museu do Boca Juniors recebe anualmente um número que beira os 350 mil visitantes
Márcio Rezende/UOL
Hóspedes terão terminais interativos pelo hotel para ver gols e os jogos inesquecíveis
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Os torcedores do Boca Juniors vão poder desfrutar de tal hotel. E a seleção brasileira também pode ganhar uma versão parecida. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) avalia a proposta do grupo argentino Solanas que dentro de um mês inicia a construção do primeiro hotel temático de futebol do mundo.

"Estamos conversando com a CBF e avaliando as possibilidades de implementar um projeto de hotel temático, similar ao que estamos desenvolvendo aqui na Argentina (para o Boca Juniors). Teremos uma reunião provavelmente no mês que vem com o presidente da CBF", antecipou ao UOL César Mochón, presidente do grupo argentino Solanas, que conta com oito hotéis.

O grupo argentino não vê nenhum clube brasileiro em condições de ter um hotel temático. Para isso, a equipe precisaria ter uma marca forte no cenário internacional ser a mais popular do país e ter a possibilidade de gerar devoção nos torcedores e seguidores estrangeiros, além de estar localizada em um bairro que desperte interesse turístico. Essas características o grupo encontrou no Clube Atlético Boca Juniors.

A idéia de um hotel temático sobre o Boca nasceu há um ano e meio, a partir de uma conversa de bar entre Daniel Mochón, diretor da rede Design Suítes, um dos braços da Solanas, e o gerente de marketing da empresa, Pablo Guido. A partir dessa idéia embrionária, o projeto avançou até que na semana passada o grupo Solanas e o Boca Juniors apresentaram oficialmente o que será o primeiro hotel temático de futebol do mundo, modelo para o possível plano para a seleção brasileira.

O Boca Juniors Design Suites começará a ser construído em Buenos Aires dentro de aproximadamente um mês. Em dois anos, o edifício de vanguarda promete ser ponto de referência para os fanáticos do mundo inteiro e mais um símbolo da cidade onde o futebol é um ícone indiscutível.

"Estamos embarcando numa aventura e queremos ser muito cuidadosos com os detalhes para expressar correta e sofisticadamente o que o Boca Juniors significa. Por exemplo, a arquitetura será dinâmica como é o futebol. Terá curvas verticais que sobem ao céu para representar o desejo do clube de ser sempre campeão. Tecnologia e arte integram-se ao futebol", explicou ao UOL o arquiteto Carlos Ott.

A localização estratégica do cinco estrelas fica entre o estádio do clube (o mítico La Bombonera), no turístico bairro de La Boca, e o centro da cidade, onde estão os principais pontos de interesse do turista. Serão 7.500 m2 , com 17 andares e 89 quartos, em um investimento estimado em US$ 15 milhões. A diária dos quartos simples devem custar US$ 250, e as suítes executivas devem oscilar entre US$ 350 e 400.

A "tematização" do hotel ainda não está definida. A cada dia surgem novas ideias e um grupo trabalha especificamente para tornar o hotel atraente e original. Hóspedes e jogadores devem compartilhar os mesmos espaços em comum: piscina com tela gigante para os jogos, uma biblioteca temática sobre o clube, restaurante, salas de conferências e salões para festas. Haverá boutique com produtos da marca Boca, um fenômeno de vendas. Essas instalações estarão abertas ao público em geral e especialmente aos turistas sem a necessidade de serem hóspedes.

Os torcedores terão terminais interativos pelo hotel para ver os melhores gols e as partidas inesquecíveis. O local terá referências a cada capítulo marcante ao longo de 103 anos de história do Boca Juniors e objetos históricos que devem fazer do edifício uma espécie de museu.
O Boca é um time que cuida bem de sua história. O museu do clube ("Museo de la Pasión Boquense"), localizado no estádio La Bombonera, recebe anualmente cerca de 350 mil visitantes.

"Isso é mais do que todos os demais museus da cidade juntos", comparou o governador da capital argentina, Mauricio Macri, ex-presidente do Boca, que, numa ilustração da popularidade do clube, fez do cargo o seu trampolim político. "Este hotel será mais uma jóia de Buenos Aires no roteiro de atrações turísticas", prevê Macri.

O ambiente do futebol e da paixão pelo Boca será sofisticado para o estilo de design de um hotel boutique. "Assim como as batalhas ganhas por um país aparecem em nome de ruas, as batalhas ganhas pelo Boca aparecerão pelo hotel e estarão refletidas na arquitetura. As cores serão o azul e o amarelo, claro, mas não faremos uma cópia da Bombonera nem da camiseta ou da bandeira. Não seremos tão óbvios. É possível falar de futebol sem gritar gol o tempo todo", conta o arquiteto Carlos Ott.

Enquanto os turistas-torcedores usarão o hotel para canalizar a sua paixão, os jogadores o farão para a concentração prévia aos jogos. Mas durante a apresentação do hotel em Buenos Aires ficaram vazias as cadeiras com os nomes dos cinco jogadores e do técnico Carlos Ischia que estariam presentes.

"Para um jogador, estar concentrado num hotel temático não tem a menor importância. É lindo que o Boca seja o primeiro clube no mundo a ter um hotel e que haja um andar reservado para os jogadores, mas o hotel será mesmo para os turistas e para os sócios do clube que terão um desconto. Não serve em nada como motivação para o jogador, mas o Boca mostra que é mesmo um clube único e pioneiro em tudo", concluiu à UOL Ubaldo Rattín, antigo ídolo do Boca por quase 15 anos (1956-70), cuja polêmica expulsão no Mundial de 1966 pela seleção argentina gerou a criação dos cartões amarelo e vermelho.

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