UOL Esporte Futebol
 
13/10/2008 - 08h01

Nos EUA, times podem ir à falência em até quatro meses

Alexandre Sinato, Bruno Doro e Thales Calipo
Em São Paulo
FÓRMULA 1 REPENSA CUSTOS
Reuters
Com a retração do crédito causando estragos na economia global, a Fórmula 1 está dando sinais de que a fase "gaste como se não houvesse amanhã" está com dias contados. Mesmo sem problemas imediatos, a categoria já começa a repensar custos.

"A F-1 está em um perfeito estado de saúde e pode se manter assim se adotarmos as medidas corretas. Os custos cresceram exponencialmente nos últimos dez anos e chegou a hora de colocarmos um fim nisso", diz Adam Parr, chefe da Williams.

Max Mosley, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), avisou em julho que a categoria estava se "tornando insustentável". Desde então, a situação da economia mundial piorou. A Super Aguri abandonou a categoria em maio e outras podem seguir o caminho.

A Toro Rosso, controlada pelo bilionário Dietrich Mateschitz (dos energéticos Red Bull), tem verbas garantidas para 2009, mas seu futuro é incerto. Em 2010, terá de fabricar seus próprios veículos, fardo pesado para a pequena equipe.

"Pretendo me esforçar para continuar sozinho", diz Gerhard Berger. "Mas preciso do apoio de uma fabricante de carros. Algo com que ainda não conto."

A Williams, única equipe sem um fabricante de carros ou um bilionário, registrou prejuízos de 21,4 milhões de libras (US$ 38,17 milhões) em 2007.
CRISA DESACELERA FUTEBOL
ATRASO SALARIAL É POSSIBILIDADE
TORCEDORES SÃO A SOLUÇÃO
CRISE ATRAPALHA PATROCÍNIOS
Berço da atual crise financeira que assola mercados de todo o mundo, os Estados Unidos devem ser também os primeiros a mostrar os estragos provocados pelo abalo. No esporte, especificamente, especialistas norte-americanos apontam que, a partir de fevereiro ou março do próximo ano, franquias de diversas modalidades devem começar a decretar falência, caso o atual cenário não mude drasticamente.

O esporte mais ameaçado é o hóquei. Recentemente, a montadora Chrysler encerrou o patrocínio, que já durava 13 anos, ao Florida Panthers. Outra empresa do mesmo ramo, a Dodge, também desistiu da parceria com o San Jose Sharks.

Além desses dois indícios, o histórico da National Hockey League (NHL) também levou os analistas a apostarem na derrocada das franquias do gelo. Desde 1974, apenas quatro times tiveram suas falências decretadas nas quatro principais ligas profissionais norte-americanas (futebol americano, beisebol, basquete e hóquei). Todos eram da NHL. O Pittsburgh Penguins chegou a ir à bancarrota duas vezes: 1974 e 1988. Los Angeles Kings (1995), Ottawa Senators e Buffalo Sabres (ambos em 2003) completam a lista.

O risco, no entanto, não está limitado apenas ao primo pobre das principais modalidades do país. A National Football League (NFL), que teve uma arrecadação de US$ 7,1 bilhões na última temporada, já começa a se preocupar com a possibilidade real de ter, pela primeira vez em sua história, uma queda de faturamento.

Uma pesquisa realizada antes de a crise norte-americana se espalhar pelo mundo apontava pessimismo em relação ao esporte. Segundo dados da empresa Turnkey Sports & Entertainment, 80,4% dos entrevistados afirmaram que assistir a um jogo nos estádios ou ginásios era muito caro, enquanto 50,6% das pessoas pretendiam comprar menos ingressos nos próximos seis meses.

"O problema é que eles sofrem mais com a perda do consumidor esportivo, pois essa fatia é parte fundamental para a venda de produtos e consumo nos estádios. Se a população se sentir mais pobre, a tendência é que gaste menos com o que seria considerado supérfluo, no caso, o entretenimento", analisa Amir Somoggi, especialista em marketing e gestão de clubes da Casual Auditores.

Para tentar driblar esse pessimismo, o esporte norte-americano tenta se superar no ponto em que é mundialmente pioneiro: no marketing. Vale tudo para não perder público e manter as contas no azul. A Nascar, por exemplo, criou um pacote em que, por US$ 159, o torcedor tem direito a quatro ingressos para uma corrida e o mesmo número de cachorros-quentes e copos de refrigerante, além de cupons de desconto.

"Para tentar contornar a crise, os norte-americanos começam a fazer ações com patrocinadores para tentar fidelizar o público cada vez mais", completa o analista.

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