O Brasil não marcou gols nos dois últimos jogos como mandante e deixou os compromissos sob vaias da torcida por dois empates. Nesta quarta-feira, a seleção tem uma nova chance de mudar esse quadro, mas o adversário não poderia ser pior. A Colômbia é o rival que menos foi vazado em partidas realizadas no Brasil desde que foi adotado o formato de pontos corridos nas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo.
Até hoje, em duas partidas realizadas no país, a seleção canarinho só conseguiu marcar uma vez diante dos colombianos, mas em um jogo de terrível lembrança. Foi em 15 de novembro de 2000, no Morumbi, quando Roque Júnior fez o único gol do duelo, mas não aplacou a irritação dos torcedores, que atiraram em direção ao gramado milhares de bandeiras que haviam sido distribuídas na porta do estádio.
Quatro anos depois, a Colômbia deixou o Brasil com um empate sem gols, sendo uma das duas equipes a tirar pontos da seleção brasileira como visitante naquela edição das eliminatórias. A outra foi o Uruguai, que empatou por 3 a 3. A dificuldade que os colombianos causam aos brasileiros também pode ver vista nos duelos na Colômbia, em que o Brasil só marcou na vitória por 2 a 1, em 7 de setembro de 2003. Nos outros dois jogos (2000 e 2007), dois empates sem gols.
Nas eliminatórias, nenhum time foi tão eficiente na defesa diante do Brasil. Para se ter uma idéia, a Argentina já sofreu oito gols dos arqui-rivais, sendo seis deles em jogos no território brasileiro. Já a Venezuela tomou 21 gols nas cinco partidas que teve diante da seleção canarinho desde o novo formato das eliminatórias.
E o cenário está longe de agradar aos anfitriões. O Brasil vem de empates contra Argentina e Bolívia nas últimas partidas em casa, o técnico Dunga teve a sua demissão pedida pelas torcidas de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro, e a equipe ainda não terá um de seus artilheiros no torneio (Luis Fabiano, machucado) e o seu substituto direto (Adriano, suspenso).
Nem a goleada sobre a Venezuela por 4 a 0, no último domingo, animou o torcedor carioca a lotar o Maracanã, como desejado por Dunga e seus comandados. Até a noite de terça-feira, apenas 30 mil dos 87 mil ingressos disponíveis haviam sido comercializados, situação que levou a CBF a postergar as vendas até esta quarta-feira - inicialmente, o planejamento previa o fechamento das bilheterias na terça.
Para o time, a melhor forma de ganhar a torcida será conquistar, enfim, os três pontos, ainda que sem espetáculo. "O que a seleção precisa agora é de vitórias. Faz tempo que não conseguimos dois triunfos seguidos, e não podemos entrar em campo pensando em golear", definiu o lateral-direito Maicon. A seleção não obtém dois triunfos consecutivos nas eliminatórias desde setembro de 2003, quando bateu Colômbia (2 a 1) e Equador (1 a 0).
Porém, a equipe já adianta que precisará de calma para superar o adversário. "Tem de ter a cabeça no lugar. A gente precisa ter tranqüilidade se não marcar o começo e esquecer um pouco a torcida. A gente sabe que pode ter vaias, e todos sabem lidar com isso", destacou o atacante Jô, que deverá substituir Adriano no ataque e formar a dupla de frente com Robinho. Essa será a única mudança em relação ao time que bateu a Venezuela.
Os visitantes estão cientes da dificuldade brasileira e o técnico interino da Colômbia, Eduardo Lara, promete uma postura bastante defensiva, com a expectativa de formar o meio-campo apenas com volantes para conter o Brasil. Isso mesmo com os colombianos não vencendo há cinco jogos, tendo perdido os últimos três (1 a 0 para Uruguai e Paraguai, e 4 a 0 para o Chile).
"Temos de ser inteligentes. O grupo é forte e capaz de conseguir um bom resultado", explicou o meio-campista Vargas, que terá a companhia do estreante Toja na seleção, em substituição a Freddy Montero. No ataque, Quintero ganhou o lugar de Giovanni Hernandez e formará a dupla com Rentería, ex-Internacional.
BRASILJúlio César; Maicon, Lúcio, Juan e Kléber; Gilberto Silva, Josué, Kaká e Elano; Jô e Robinho
Técnico: Dunga
COLÔMBIAJulio; Zúñiga, Perea, Yepes e Armero; Guarín, Bedoya, Vargas e Toja; Rentería e Quintero
Técnico: Eduardo Lara
Local: estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 15/10/2008 (quarta-feira)
Horário: 21h50
Árbitro: Rubén Selman (Chile)
Auxiliares: Lorenzo Acuña e Sergio Román (ambos do Chile)
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