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13/11/2008 - 10h27

Histórico de Luxemburgo de peitar ídolos esbarra em 'São Marcos'

Carlos Padeiro
Em São Paulo
O técnico Vanderlei Luxemburgo carrega no seu currículo episódios em que bateu de frente com ídolos dos clubes por onde passou. Já mandou Marcelinho Carioca embora do Corinthians. Brigou com Edmundo no Palmeiras e com Romário no Flamengo. Dispensou Giovanni no Santos e o goleiro Ronaldo no Corinthians. Isso para citar os exemplos mais clássicos.



Até no Real Madrid não agradou a todos. O meia Figo, por exemplo, deixou o clube por causa do técnico brasileiro. "Tinha um treinador que não apostava em mim", lamentou o português, à época (em 2005).

Nos últimos 15 dias, a história quase se repetiu. Por duas vezes, Luxemburgo criticou publicamente o goleiro Marcos, principal ídolo dos palmeirenses. Entretanto, foi cauteloso. Preferiu absolver o pentacampeão mundial e aplicou apenas uma punição simbólica - contribuir com a 'caixinha' para o churrasco de final de ano.

Afastar 'São Marcos' provavelmente deixaria o ambiente no Palmeiras mais conturbado. No último domingo, após a derrota por 1 a 0 para o Grêmio, resultado que diminuiu as chances de título no Campeonato Brasileiro, Luxemburgo viu seu trabalho ser questionado por alguns conselheiros e torcedores.

"O caso está encerrado. Pra mim, está tudo sossegado. O Marcos vai continuar sendo o meu homem de confiança, o capitão da minha equipe e ano que vem vai continuar aqui comigo", informou o treinador, na última quarta-feira.

Pelas declarações de Luxemburgo, que costuma dizer que com ele jogador de nome não tem privilégio, foram três os motivos para essa decisão pacífica: ele acha que amadureceu nos últimos anos, não vê Marcos como um problema para o elenco e o considera um amigo fora das quatro linhas.

"O Marcos não é um fio desencapado 220 que vai causar problemas para o grupo. Ele é meu amigo pessoal e da minha família também. Hoje estou mais calmo, se fosse no passado seria confusão pra mais de metro", argumentou.

Os dois casos

No último dia 25, após a derrota para o Fluminense por 3 a 0 no Maracanã, Marcos questionou o rendimento da equipe alviverde e cogitou até a necessidade de um psicólogo. Luxemburgo não gostou e deu um ultimato ao goleiro. "É a última vez que ele fala isso comigo aqui. Como capitão ele tem que ter equilíbrio e foi inoportuno. Saiu como 'São Marcos', e todo mundo, com as mãos atadas", recriminou.

No último domingo, durante o revés para o Grêmio em casa, o camisa 12 virou atacante a partir dos 29min do segundo tempo sem o consentimento do treinador, que ordenou que ele voltasse para gol. Marcos justificou que achava que faltavam sete minutos para o término da partida, e por isso foi para o tudo ou nada. Disse também que não ouviu o pedido de Luxemburgo e que sua intenção foi apenas a de ajudar.

"Todo mundo pode julgar minha atitude e, analisando friamente em casa depois, vi que foi ridícula. Mas ninguém tem o direito de julgar minha intenção. Pra mim faltavam sete minutos e pensei: 'perdido por um, perdido por dez'. Não quis passar por cima do treinador ou da diretoria, nem criticar os jogadores", comentou o veterano de 35 anos na última terça-feira.

Ambos negaram que haja um racha dentro do elenco. "Não existe isso de grupo do Marcos ou grupo do Vanderlei. Nunca existiu. Ainda mais por tudo o que ele fez comigo esse ano", apontou o goleiro, referindo-se ao fato de o técnico ter dado a ele uma nova chance depois de dois anos de uma série de lesões.

"Esta tudo sólido. Não fiquei arranhado e não teve racha nenhum. Vocês [jornalistas] que fazem esforço para dividir as coisas aqui. Mas estou calejado com esse tipo de situação", finalizou o comandante palmeirense.

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