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13/11/2008 - 14h41

Corinthians admite "doping emocional" após pancadas e racismo

Guilherme Costa
Em São Paulo
Dentinho saiu de campo na última quarta-feira, depois de o Corinthians ter vencido o Juventude por 2 a 1 em Caxias do Sul, dizendo que nunca havia apanhado tanto. A acusação do goleiro Felipe foi diferente: em sua centésima partida com a camisa alvinegra, revelou ter sido alvo de manifestações racistas. Um dia depois disso, os atletas da equipe paulista admitiram que essas situações serviram como motivação para o resultado válido pela Série B do Campeonato Brasileiro.

"Nós conversamos sobre isso ainda no intervalo. O time deles estava batendo muito, chegando duro, e nós não podíamos vacilar. Precisávamos entrar firme, não para machucar alguém e sim para não apanhar à toa", contou Dentinho durante o desembarque do Corinthians em São Paulo.

O goleiro Felipe também admitiu que o Corinthians passou a correr mais depois de acompanhar as manifestações do Juventude. "Nossa preocupação era só jogar bola. Eles chamaram de macaco, acham que negro não sabe jogar bola. Mas fizemos uma boa partida, lutamos e demos uma resposta a isso", avaliou.

A perseguição a Dentinho, segundo o atacante, aconteceu porque ele teria causado uma lesão em um jogador do Juventude durante o confronto do primeiro turno. A partida aconteceu no dia 5 de agosto, e o atacante do Corinthians participou de um lance em que o rival Renan machucou o tornozelo direito. O atleta da equipe gaúcha só voltará aos gramados na próxima temporada.

No caso de Felipe, que acusou a torcida do Juventude de ter feito ofensas de teor racista, a situação causou menos surpresa: "Já tinha jogado lá e vivido algo parecido. Infelizmente, essas pessoas se escondem e repetem esse tipo de coisa. Era algo que nós sabíamos que podia acontecer".

As duas situações repercutiram no elenco alvinegro ainda durante o confronto com o Juventude. A despeito de ter cedido o empate para a equipe gaúcha aos 23min - Cristian marcou o gol da vitória alvinegra depois, aos 40min -, o clube do Parque São Jorge admitiu ter corrido mais em função dos problemas.

"É claro que motiva mais. Você tem vontade de entrar em campo sempre, de lutar por um resultado positivo, mas o futebol não é só isso. Depois de tudo que aconteceu, é claro que nós corremos mais. A vitória teve um gostinho especial", disse o lateral-esquerdo André Santos.

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