O Corinthians fez sua primeira apresentação após ter conquistado o título da Série B do Campeonato Brasileiro. Mesmo fora de casa, encerrou um jejum que durava desde o Brasileiro de 2002 e bateu o Juventude por 2 a 1. E nesta quinta-feira, no desembarque da delegação em São Paulo, o futebol estava longe de ser o assunto principal. Em vez de assuntos ligados à vitória ou à conquista da segunda divisão nacional, o foco se dividia entre acusações de racismo e perseguição a atletas.
No jogo contra o Juventude, que aconteceu em Caxias do Sul, o goleiro Felipe disse ter sido alvo de manifestações racistas da torcida local. Além disso, o atacante Dentinho reclamou das pancadas que recebeu de adversários na partida, que seriam resposta a um lance em que ele provocou uma lesão em um jogador da equipe gaúcha no primeiro turno da Série B.
Apesar dos dois assuntos polêmicos, o Corinthians adotou postura conformada nesta quinta-feira. Jogadores e o vice-presidente de futebol do clube, Mário Gobbi, rechaçaram até a idéia de pedir uma punição ao Juventude por essas situações.
"Não dá nem para esquentar a cabeça com isso. Não foi a primeira e nem vai ser a última vez. Como não dá para identificar quem fez e não tem como dar uma punição, fica complicado impedir essas coisas", disse o goleiro Felipe.
O camisa 1 citou até um episódio parecido para justificar a descrença em uma punição ao Juventude. "Quando eu estava no Vitória eu também fui alvo de racismo. Existe um processo rolando, mas até hoje não tivemos nenhum resultado", contou.
O caso citado por Felipe aconteceu em 2005, quando o Vitória foi rebaixado para a Série C do Campeonato Brasileiro. Na época, o goleiro acusou o então presidente do clube, Paulo Carneiro, de tê-lo ofendido com expressões de teor racista.
Mais bem-humorado, o atacante Dentinho adotou linha igualmente contida: "Eu não guardo mágoa no coração. O que aconteceu lá já passou, ficou para trás. Não temos de ficar lembrando isso agora, e sim nos concentrar nos últimos jogos".
Gobbi também se esforçou para mostrar que o assunto havia sido superado pelo Corinthians. Para isso, descartou até a possibilidade de o clube paulista brigar por uma punição ao Juventude pelos acontecimentos de quarta-feira.
"O que aconteceu é racismo, e racismo é crime, mas não vejo responsabilidade do clube. Vou consultar o departamento jurídico, mas acho difícil fazermos qualquer coisa. A cidade é maravilhosa, o povo é acolhedor. Não é meia dúzia que vai mudar isso", observou o dirigente alvinegro.
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