Não foi somente o técnico Vanderlei Luxemburgo que alegou ter sido agredido em tumulto com a torcida no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, na última sexta-feira.
Um dos integrantes da Mancha Alviverde, torcida organizada do Palmeiras, registrou boletim de ocorrência após a confusão no aeroporto. Segundo o documento, um jovem de 29 anos, cujo nome não foi divulgado pela assessoria da Polícia, nem pela Mancha, alegou que Luxemburgo o agredira com um soco e um chute.
"Na confusão, o rapaz, que já estava com o braço engessado, ainda foi agredido pelo Vanderlei", relatou André Guerra, presidente da Mancha, que estava presente no aeroporto.
O torcedor, que passou por um exame de corpo de delito, tem um prazo de seis meses para fazer um representação criminal contra Luxemburgo. Na segunda-feira, a Mancha exigiu a divulgação das imagens do circuito interno do aeroporto.
"A nossa idéia era conversar com o Vanderlei. Mas ele foi agressivo e disse que não conversava com torcida organizada. Começou a nos xingar e teve a reciprocidade. Ele partiu para cima e acabou caindo. Se as imagens internas do aeroporto forem divulgadas, vão ver que o que eu estou falando é verdade", explicou o presidente da torcida organizada. Guerra negou que a fratura no cotovelo de Luxemburgo tenha sido ocasionada por alguma agressão da torcida.
"Aliás, duvido até que ele tenha machucado mesmo o braço", afirmou Guerra, embora os médicos do clube tenham constatado fratura no cotovelo do técnico palmeirense.
Segundo ele, a idéia da Mancha não era fazer nenhum tipo de manifestação agressiva contra técnico ou jogadores. "Queríamos apoiar a equipe, que estava abalada com a derrota para o Grêmio [1 a 0]. Tanto que, depois da confusão [com Luxemburgo], conversamos pacificamente com os jogadores", disse o presidente.
Guerra nega que as ameaças de morte ao técnico e ao diretor de futebol Savério Orlandi tenham partido de um membro da torcida organizada.
A confusão ocorrida no aeroporto provocou um racha entre a diretoria do Palmeiras e a torcida organizada. O clube deve parar de municiar a Mancha com ingressos e transporte gratuitos para os jogos. O subsídio à torcida fora retomado justamente na gestão do atual presidente, Affonso Della Monica.
"Não há condição de ter mais relação com a torcida. Sempre fomos abertos a todos, mas, depois do que aconteceu, não tem mais como", disse Gilberto Cipullo, vice-presidente do clube.
Para o presidente da Mancha, a diretoria do Palmeiras somente deveria tomar uma atitude em relação à torcida após o caso ser esclarecido. "O clube deveria analisar as imagens antes de falar qualquer coisa", disse Guerra.
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