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18/11/2008 - 08h01

Promotor convoca reunião com polícia para tratar do 'caso Luxa'

Carlos Padeiro
Em São Paulo
O promotor Paulo Castilho, do Ministério Público de São Paulo, convocou para esta terça-feira uma reunião com representantes da Polícia Militar e Civil e com o assessor jurídico da Federação Paulista de Futebol (FPF) para investigar a confusão em que estiveram envolvidos o técnico Vanderlei Luxemburgo e membros da principal torcida organizada do Palmeiras na última sexta-feira, no aeroporto de Congonhas.

Segundo Castilho, o assunto é grave pois trata de ameaças de morte ao treinador e ao diretor de futebol do clube alviverde, Savério Orlandi.

"Vamos realizar uma reunião na tarde desta terça-feira, a partir das 14h. Quero todas as autoridades constituídas presentes, e também convidei o desembargador Miguel Marques, coordenador do Jecrim [Juizado Especial Criminal]. Assim, o Poder Judiciário também pode acompanhar o caso", informou.

Na tarde de segunda-feira, o promotor esteve na FPF para iniciar os trabalhos. "Vou analisar todos elementos da Polícia Civil, Militar, os contatos que foram feitos no telefone do Savério, as explicações do Luxemburgo, tudo para apurar esse fato. Também requisitei as imagens para a Infraero do saguão do aeroporto, mas ainda não sei se eles têm", revelou Castilho. A assessoria de imprensa de Congonhas não soube dizer se o tumulto foi registrado pelas câmeras.

O advogado de Luxemburgo, Antonio Carlos Catta-Preta, entrou com uma representação contra membros da Mancha Alviverde no 23º Distrito Policial, localizado no bairro de Perdizes, Zona Oeste da cidade de São Paulo. "O inquérito vai fluir, e o prazo estabelecido para o término é de 30 dias. Depois vai para o Fórum Criminal, e o promotor de Justiça deve oferecer uma denúncia por lesão corporal".

Os membros da facção palmeirense dizem que quem começou a briga foi o próprio treinador, amparado por seguranças e policiais. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, um torcedor da Mancha também entrou com um boletim de ocorrência, alegando que fora agredido por Luxemburgo com um soco e um chute.

No último domingo, viaturas da polícia escoltaram o ônibus que levou a delegação palmeirense de Congonhas até a Academia de Futebol da Barra Funda, após a derrota para o Flamengo por 5 a 2. De lá Luxemburgo seguiu para sua casa acompanhado por um carro do Grupo de Operações Especiais (GOE).

"Pelo episódio de sexta-feira, o Estado tem que entrar em ação para preservar a integridade das pessoas e do patrimônio público, no caso o aeroporto. Além de o Palmeiras ter feito uma notificação sobre o caso, eu mesmo providenciei a segurança", contou Castilho. Luxemburgo solicitou proteção pessoal à Justiça.

Papel do clube

A diretoria do Palmeiras também promete tomar atitudes para garantir a segurança de Luxemburgo e dos jogadores. "O clube não tem muito o que fazer, a não ser reforçar a segurança. Sobre os fatos que ocorreram, vamos acompanhar de perto e oferecer todas as informações necessárias para a Justiça", apontou o vice-presidente de futebol, Gilberto Cipullo.

Já uma sindicância criada pelo Conselho Deliberativo vai ouvir nesta quarta-feira o depoimento do conselheiro Carlos Degon. Após a derrota da equipe paulista para o Grêmio, no dia 9 de novembro, ele foi até o carro de Luxemburgo, acompanhado por outros torcedores, para ameaçá-lo.

"Abrimos uma sindicância e agora vamos ouvir o Degon. Ele pode receber uma advertência pelo caso", observou o presidente do Conselho, Seraphim Del Grande. Segundo o cartola, Degon é um ex-membro da torcida organizada.

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