O técnico Vanderlei Luxemburgo não compareceu à reapresentação do elenco do Palmeiras na Academia de Futebol da Barra Funda na tarde desta terça-feira. Ele estava a poucos metros de distância, no Fórum da Barra Funda, reunido com o promotor Paulo Castilho, do Ministério Público de São Paulo, e com representantes da Polícia Militar e Civil para tratar da confusão em que esteve envolvido com membros da principal torcida organizada do clube alviverde na última sexta-feira, no aeroporto de Congonhas.
O treinador afirmou que vai até o fim no caso para que os supostos agressores sejam punidos e assegurou que ameaças não vão tirá-lo da equipe paulista. "Não posso tomar uma medida radical de sair do Palmeiras por causa disso e não vou me inibir pelas pressões. O Palmeiras é muito maior que Mancha Verde, Mancha Alviverde", sacramentou.
Na última segunda-feira, Luxemburgo entrou com uma representação no 23º Distrito Policial alegando lesões corporais - sofreu uma fratura no cotovelo direito. Entretanto, um membro da Mancha Alviverde fez um boletim de ocorrência dizendo que levou um soco e um chute do técnico. Representantes da facção dizem que quem começou a briga foi o próprio comandante palmeirense.
"O torcedor fez o BO depois que o Vanderlei fez o dele. Isso não preocupa, pois tudo será reunido no inquérito", apontou o advogado do treinador, Antonio Carlos Catta-Preta.
Luxemburgo revelou que confia no apoio da diretoria do time paulista e na parceira Traffic para dar continuidade ao seu trabalho.
"Ontem [segunda-feira] estive com o J. Hawilla [dono da Traffic] e vamos seguir o projeto. A diretoria do Palmeiras está comigo. Meu sucesso agora é levar o time para a Libertadores, não por esses 20 ou 30 [membros da organizada], mas sim pelos 10 milhões de palmeirenses", finalizou o técnico pentacampeão nacional.
Durante o encontro com as autoridades responsáveis por investigar o tumulto em Congonhas, Luxemburgo identificou três pessoas que estavam na confusão - um deles seria o presidente da Mancha Alviverde, André Guerra, e o outro ele disse que se chama Leandro e está com o braço engessado (provavelmente é o mesmo que fez o BO contra o técnico).
O promotor Castilho lamentou que a lei não permita uma punição severa aos torcedores que praticam atos de violência. "A legislação é muito branda. Os torcedores serão identificados e processados e os casos serão levados para o Jecrim [Juizado Especial Criminal]. A legislação permite que eles sejam afastados dos estádios por dois anos. Falta um mecanismo para uma punição mais efetiva", ponderou.
O médico do Palmeiras, Rubens Sampaio, concedeu entrevista nesta terça, na Academia de Futebol, e mostrou a radiografia tirada do braço do treinador para comprovar que houve fratura no cotovelo. Segundo Sampaio, uma das possibilidades para a lesão é uma queda ao chão, e Luxemburgo ficará com o braço imobilizado durante seis semanas.
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