A seleção brasileira não empolgou a torcida em 2008, vê Dunga cada vez mais pressionado no cargo e está em dívida atuando em casa. Nada disso importa. Pelo menos não para a organização do amistoso contra Portugal, às 22h desta quarta-feira, no Bezerrão, na cidade-satélite do Gama. A partida que marca a despedida do Brasil na temporada terá uma euforia desproporcional a sua realidade atual.
O jogo contra os lusitanos tem ares muito mais promocionais e políticos do que esportivos. O confronto servirá para inaugurar o novo Bezerrão, reformado pelo governo por cerca de R$ 50 milhões. O projeto foi lançado em 2001, mas só sete anos depois saiu do papel e sem os 40 mil lugares prometidos (a capacidade é de 20 mil).
Para engrandecer o evento, a Federação Brasiliense de Futebol conseguiu convencer ao menos três personalidades a se tornarem convidados especiais: Pelé, Romário e Felipe Massa. O primeiro deverá dar o pontapé inicial. Romário foi garoto-propaganda do estádio. Já o piloto da Ferrari será homenageado antes da partida.
Junte-se a isso a euforia de uma torcida que há três anos não vê a seleção jogar em Brasília e pronto: o ambiente na capital federal é de festa. Na última terça, os torcedores encheram boa parte da arquibancada para ver o único treino. Mas aqueles que quiserem assistir ao duelo desta quarta precisaram desembolsar, pelo menos, R$ 180.
Dentro de campo, contudo, o cenário não corresponde a tantas comemorações. Apesar de estar em segundo lugar nas eliminatórias para a Copa, o Brasil está em dívida com seu torcedor. Nos três jogos que já disputou em casa neste ano, amargou três empates e não anotou um gol sequer, algo inédito na história da seleção principal.
O futebol pragmático demonstrado nessas partidas só aumentou a pressão sobre Dunga, que nos últimos dias viu crescerem também os rumores de que está perto de deixar a função. Ele, contudo, tenta se manter alheio ao que ocorre fora dos gramados e ao que dizem seus opositores. E elogia a realização do amistoso contra Portugal.
"Reunir a seleção e colocar os atletas para jogarem juntos sempre ajuda. Pior seria ficar quatro, cinco meses sem reunir o grupo e não sentir o prazer de estar com a seleção", argumentou Dunga, que nos dois dias em Brasília se contagiou pela euforia da torcida e adotou postura serena, diferentemente do que ocorreu em outros momentos de questionamentos a seu trabalho.
Pelos lados de Portugal, o técnico Carlos Queiroz também entrou no clima dos organizadores. E exaltou o ambiente criado para o amistoso. "Essa atmosfera de Mundial estimula a responsabilidade de todos os jogadores e das demais pessoas envolvidas na partida", opinou o português.
Dentro de campo, Dunga pode escalar um time ofensivo para brindar a torcida. No único treino, ele começou a atividade com Anderson entre os titulares no lugar de Josué. Na defesa, Thiago Silva foi o escolhido para ficar com a vaga do cortado Lúcio, formando a dupla com Luisão.
Na seleção lusitana, Queiroz preferiu não confirmar a equipe na véspera, guardando suas opções para o dia do jogo. O treinador de Portugal sequer adiantou o esquema tático do time, que pode ser mantido no 4-3-3 ou adotar postura mais cautelosa, no 4-4-2.
BRASILJúlio César; Maicon, Luisão, Thiago Silva e Kléber; Gilberto Silva, Elano, Anderson e Kaká; Robinho e Luís Fabiano
Técnico: Dunga
PORTUGALQuim; Bosingwa, Fernando Meira, Pepe e Paulo Ferreira; Maniche, Deco e Raúl Meireles; Cristiano Ronaldo, Nani e Simão
Técnico: Carlos Queiroz
Data: 19/11/2008 (quarta-feira)
Local: estádio Bezerrão, em Brasília (DF)
Horário: 22h (de Brasília)
Árbitro: Jorge Larrionda (URU)
Auxiliares: Walter Rial (URU) e Pablo Fandiño (URU)
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