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19/11/2008 - 06h45

Países sem tradição no futebol monopolizam finais do "futebol de rua"

Renan Prates
Em São Paulo
Você já imaginou uma final de uma Copa do Mundo de futebol sendo disputada entre França e Japão? Foi o que aconteceu no Mundial de "futebol de rua" nesta terça-feira em São Paulo. Além disso, dos 16 atletas que iniciaram a disputa das oitavas-de-final no Pacaembu, 11 representaram países que nunca foram campeões mundiais de futebol, o que mostra uma tendência diferente entre os dois esportes.

Para reforçar esta tese, o representante da Bósnia (67ª colocada no último ranking de futebol divulgado pela Fifa) Nedzad Brajic caiu apenas nas quartas-de-final contra o Brasil.

"Cara, quando eu vi a Bósnia entre os 16 melhores confesso que eu me surpreendi. Mas esse é um esporte diferenciado, onde os atletas que treinam muito são os melhores. Torço para que esse esporte se desenvolva", disse o ala do futsal Falcão que, ao lado de Edgar Davids e do tetracampeão Bebeto, fizeram parte do corpo de juízes que decidiu o campeão do evento.

"Mestre-de-cerimônias" da competição, o holandês Davids acha que o fato de ser universal é o que justamente caracteriza o "futebol de rua". "Eu acho legal essa liberdade de os jogadores poderem mostrar sua habilidade em qualquer canto do mundo, e isso independe da nacionalidade deles. Pode ser que eles deixem sua marca na Bósnia, no Brasil ou na lua, não importa o local".

Mais do que uma competição, o primeiro campeonato mundial de "futebol de rua" foi uma sucessão de espetáculos proporcionados pelos postulantes ao título, em cada momento que entravam na arena.

Cambalhota para trás de 360º no ar sem deixar a bola cair, troca de chapéu mantendo o domínio da bola na cabeça, equilíbrio da bola com apenas uma caneta e até troca de short sem deixar a bola cair foram alguns dos elementos mostrados pelos atletas participantes.

"O que eles fazem impressiona. É muito legal de assistir", disse o lateral-esquerdo do Corinthians André Santos, que compareceu ao local e ficou encantado com a habilidade dos atletas. "Lá no time o mais habilidoso com a bola é o Dentinho. Mas ele nem passaria da primeira eliminatória", brincou.

Além de habilidade, alguns atletas abusaram da irreverência. O sul-africano Chris Njokwana se destacou nesse sentido, por provocar os adversários e pedir o apoio do público a todo o momento. O bósnio Brajic, inclusive, chegou até a entrar na arena vestido com uma camisa do São Paulo, arrancando vaias de parte da platéia.

A disputa do Mundial de "futebol de rua" foi realizada da seguinte forma. Na segunda-feira, 44 representantes de países de todo o planeta disputaram duelos eliminatórios, onde 16 se classificaram para as oitavas-de-final.

Nesta terça, os classificados voltaram para a arena montada no Pacaembu para disputar a taça de campeão. Os duelos aconteceram entre duplas, que tinham três minutos para mostrar o que sabiam. Mas vale lembrar que de 20 em 20 segundos a bola era obrigada a passar para o outro oponente. Um colegiado formado por cinco juízes escolhia quem passava para a fase seguinte.

O brasileiro Murilo Pitol representou o país no evento. Murilo venceu duas eliminatórias, e só foi parado nas semifinais pelo francês Arnaud Garnier, o "Séan", que viria a ser o campeão logo em seguida. "Foi impossível ganhar dele. Perdi de forma merecida", se resignou a dizer o brasileiro, que terminou no terceiro posto ao vencer o húngaro Roland Karászi.

Com estilo e visual de rapper, o campeão "Séan" encantou o público, principalmente pela variedade de habilidades apresentada durante todas as eliminatórias. O francês usou da modéstia para falar da sua conquista. "Vim aqui para mostrar o que posso fazer nesse esporte. Espero continuar contribuindo para que ele se desenvolva cada vez mais".

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