A manhã desta quarta-feira poderá ser decisiva para que o as bandeiras dos clubes de futebol, que durante muito tem foram item indispensável para a festa do torcedor, voltem a colorir os estádios da capital mineira, dos quais foram banidos há três anos. Uma reunião, a partir das 10h, solicitada pelo presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, poderá rever a proibição decidida por medida de segurança.
Participarão do encontro, na sede da Secretaria de Estado de Defesa Social, além do titular da pasta, Maurício de Oliveira Campos Junior, dirigentes de Atlético, Cruzeiro e América, os três grandes clubes de Belo Horizonte, o comandante geral da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Hélio Santos Junior, e um representante do Ministério Público.
Promessa de Kalil feita ainda quando buscava votos dos conselheiros atleticanos e reafirmada logo ao ser eleito presidente do clube, em 30 de outubro, a volta das bandeiras virou tema prioritário no Atlético, que quer a medida valendo já para o jogo contra o Santos, seu último compromisso no Mineirão, este ano, no dia próximo dia 30.
O presidente eleito do Cruzeiro, Zezé Perrella, atual vice de futebol, diz concordar com a liberação das bandeiras, desde que garantindo-se a segurança pública. "Sempre achei bacana as bandeiras, mas é uma questão de segurança, de Corpo de Bombeiro, de Polícia. Se der para voltar, ótimo. Talvez usando-se um mastro de plástico ou algo assim. A gente não entende porque o Maracanã pode e aqui não pode. Tem que ter uma coerência", comentou.
As bandeiras estão proibidas nos estádios de Belo Horizonte, desde o final de 2005, por questão de segurança, em iniciativa tomada pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais, por intermédio da Promotoria de Defesa do Cidadão, em parceria com a Polícia Militar. A proibição já havia acontecido em 2002, após confrontos entre torcedores de Atlético e Cruzeiro em um clássico no Mineirão. Na primeira vez, a punição durou dois anos, sendo liberado o uso em 2004.
Um novo confronto entre torcedores do Atlético e Cruzeiro no ano seguinte, desta vez em uma estação de ônibus do BHBus, que resultou na morte do torcedor do time cruzeirense Francisco Aguinaldo Felício, mais conhecido como "Tonelada", levou à nova proibição, que permanece em vigor até esta data.
A liberação das bandeiras, como acontece em outros estados, tem apoio de jogadores e técnicos dos times belo-horizontinos. "Bacana. Você vê a torcida do Flamengo com as bandeiras nos jogos, acho legal isso, a festa fica mais bonita", observou o meia do Cruzeiro, Gerson Magrão, que vestiu a camisa do rubro-negro carioca em 2007.
O técnico Marcelo Oliveira, do Atlético, também é a favor da liberação das bandeiras para os jogos em Belo Horizonte. "Eu gosto. Eu acho muito bonita as bandeiras e em outros estádios a gente vê que já utilizam. Acho importante que retomem as bandeiras no Mineirão. Vai ser um atrativo a mais para a torcida", salientou.
Opinião semelhante tem o atacante do Cruzeiro Thiago Ribeiro. O jogador, que atuou pelo São Paulo, não vê problema na utilização por parte da torcida de bandeiras no Mineirão. "O torcedor tem o direito de fazer aquilo que acha que é melhor. As bandeiras, em minha opinião, não têm problema algum. No Maracanã, em jogo do Flamengo têm muitas. Tudo aquilo que venha para deixar o futebol mais bonito é bem vindo", observou.
Campanha de conscientizaçãoCompartilhando da mesma opinião, ex-jogadores e torcedores dos dois rivais vivem a expectativa de que as bandeiras voltem a tremular nas arquibancadas depois de três anos de ausência. "Estou ansioso para que a Polícia e o Ministério Público deixem as bandeiras voltarem aos estádios. Espero que eles tenham bom senso e liberem realmente", disse o torcedor Fábio Luiz, integrante da Galoucura.
Rivais nos estádios, o torcedor Márcio Azevedo, membro da principal torcida organizada do Cruzeiro, a Máfia Azul, também se diz esperançoso que o Mineirão possa voltar a ser enfeitado com as bandeiras "Acho que tem de voltar. Com as bandeiras nas arquibancadas, qualquer estádio fica muito mais bonito. Já fizemos festas incríveis com as bandeiras em parceria", lembrou o torcedor cruzeirense.
Dois ex-jogadores de Atlético e Cruzeiro, eternos ídolos de suas torcidas, manifestam apoio à medida. Tanto Dario, o folclórico Dadá Maravilha, como Dirceu Lopes se dizem favoráveis ao retorno das bandeiras. "Claro que sou a favor. Sou a favor das bandeiras, como sou a favor da paz entre os torcedores", comentou Dario, o Peito de Aço.
Dirceu Lopes afirma esperar que caso as bandeiras realmente voltem a ocupar os estádios, nos jogos de Cruzeiro, Atlético e América, os torcedores dos três times se conscientizem da necessidade de se manter a paz entre eles. "Sou a favor da volta das bandeiras. Sempre foi um espetáculo lindo e em outros lugares é liberado para que utilizem. Mas espero que haja paz nos estádios, que as bandeiras não virem armas para brigas das torcidas", ressaltou.
E visando esta paz entre os torcedores mineiros, Dario considera que deva ser feita uma campanha de conscientização das pessoas, pelo Ministério Público, Polícia Militar e os clubes de futebol, para a melhor utilização das bandeiras. "Acho que poderia ter uma campanha ampla, mostrando à importância de se ter a paz, que a bandeira seja utilizada para torcer", disse.
Colaborou o repórter Thiago Nogueira UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)