Quando foi lançado, o Instituto Wanderley Luxemburgo (IWL) foi descrito pelo atual treinador do Palmeiras como uma contribuição à comunidade do futebol. Oito meses depois, porém, nem todas as pessoas que procuraram a entidade se mostram totalmente satisfeitas. Problemas que vão da infra-estrutura à falta de didática de alguns professores minam a iniciativa e formam uma corrente de insatisfeitos entre os estudantes.
Apesar de o volume de inscrições ter sido positivo no início, o crescimento aquém das expectativas já preocupa a diretoria do IWL. Sobretudo em razão do alto número de desistências nos cursos, causadas por diferentes razões.
Uma das principais reclamações de alunos é a instabilidade do próprio Luxemburgo. Com agenda atribulada por compromissos no Palmeiras, como concentrações, jogos e viagens, o treinador falta muito às aulas de seu curso. Alguns estudantes reclamam de essa situação ser ainda mais freqüente nos dias posteriores a reveses da equipe alviverde.
A administração do IWL diz que Luxemburgo atua dentro dos padrões previstos. Assim como ele, outros professores ligados ao mundo do futebol não podem estar presentes em 100% das aulas. Isso já era esperado antes do lançamento da entidade e motivou a criação de uma política de convidados substitutos, nem sempre remunerados, que são descritos pela entidade como profissionais do mesmo nível. Para os alunos, contudo, essas alterações na escala de docentes acarretam em queda no nível em alguns casos.
"Os professores são de reconhecido nível e atuando em suas áreas de conhecimento, coordenados por proeminentes profissionais do esporte, que supervisionam a aplicação do projeto pedagógico", defendeu Pedro Pires, diretor-executivo do IWL.
Outra justificativa constante para a debandada de alunos é a falta de didática de alguns professores. Curiosamente, a presença de profissionais que atuam no mundo do futebol foi uma das apostas de Luxemburgo na edificação de seu instituto. O treinador levou para trabalhar na entidade, por exemplo, o preparador físico Antônio Mello, o fisiologista Cláudio Pavanelli e o fisioterapeuta Filé, todos companheiros de comissão técnica do Palmeiras, além de Luiz Lombardi, seu assessor de imprensa particular.
A lista de reclamações do corpo discente ainda conta com problemas estruturais. As aulas do IWL são ministradas da sede, em Alphaville, a 26,5 quilômetros de São Paulo. De lá, os cursos são transmitidos via satélite para as franquias. O modelo de distribuição foi divulgado com destaque por Luxemburgo, mas alunos apontam constantes quedas de sinal durante as aulas e problemas para o acompanhamento integral dos cursos.
Com base em todas essas explicações, muitos alunos deixaram os cursos antes mesmo de eles serem concluídos. Essa debandada afeta diretamente a situação dos professores, que recebem de acordo com a quantidade de estudantes inscritos em suas aulas.
Para Pedro Pires, porém, a saída de alguns professores e os problemas com outros não têm sido barreiras no crescimento do IWL: "A procura de cada curso atende à demanda do mercado e não à figura do profissional coordenador/professor".
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