Em uma posição em que nada menos que nove jogadores foram testados durante a temporada, sem que nenhum deles conseguisse se firmar como titular absoluto, o Náutico pode ter um estreante na penúltima rodada do Campeonato Brasileiro da Série A. O técnico Roberto Fernandes admitiu que pode escalar Wellington na lateral-esquerda na partida desta quinta-feira, contra o Figueirense, em Florianópolis.
No ano passado, um dos maiores destaques da equipe que garantiu a permanência do Náutico na elite do futebol brasileiro foi justamente um atleta que vestia a camisa 6. Júlio César encantou a torcida com um futebol de habilidade, assistências e gols e caiu nas graças da torcida alvirrubra. No entanto, sem um acerto para permanecer nos Aflitos, voltou ao Goiás, com quem tem contrato, e hoje é titular absoluto.
Após a saída de Júlio César, o Náutico trouxe Berg, que havia feito uma boa Série A, pelo rebaixado América-RN e despertava o interesse de outros clubes. Mas quem assumiu a posição de titular foi Alessandro. Quando Berg ganhou condições de jogo, ganhou a posição, mas jamais chegou a empolgar a Roberto Fernandes.
Não à toa, vieram as primeiras improvisações. O meia Tales foi testado e jogou na abertura do BR-08. Foi quando Itaqui chegou ao clube e assumiu a camisa 6. Mas o gaúcho foi outro que não conseguiu se firmar e abriu brecha para a utilização do zagueiro Everaldo na lateral-esquerda. O jogador quebrou o galho em algumas partidas, mas como já era esperado, não conseguiu virar o dono da posição.
O próximo contratado foi Piauí, que havia sido dispensado no Atlético-PR. Após uma boa estréia, o jogador caiu de rendimento, se contundiu e foi dispensado. Sem um atleta de origem em quem confiar, Roberto Fernandes decidiu apostar em mais uma improvisação, o meia Valdeir. Mais uma vez ficou claro que a equipe se ressentia de um especialista na lateral-esquerda e o clube decidiu radicalizar.
Em poucos dias, nada menos que três atletas foram contratados para tentar cumprir esta lacuna. Wellington era a bola da vez, mas antes mesmo de estrear teve uma contusão muscular e ficou em tratamento por um longo período. Com isso, Alessandro Silva aproveitou a brecha e, com um futebol ofensivo, parecia ter acabado de vez com o problema do treinador. Mas bastaram alguns jogos para Fernandes notar que não dava para contar com dois atletas de característica tão ofensiva nos dois lados de campo. Como o lateral-direito Ruy é titular absoluto, sobrou para Alessandro, que além de tudo havia caído de rendimento.
O próximo da lista dói Anderson Santana. Formado no Cruzeiro, o jogador agradou justamente por "segurar" mais a posição e proporcionar uma maior liberdade para que Ruy se integrasse ao setor ofensivo do time. Aí foi a vez da falta de sorte atingir o time. Após três boas atuações, Anderson sofreu um problema de estresse nos ligamentos do joelho e deve ficar de fora pelo resto da Série A. Surgia uma nova chance para Alessandro, que fez um belo jogo contra o Cruzeiro, na vitória por 5 a 2 do Náutico, na rodada passada. Mas uma lesão muscular também levou o jogador para o DM.
Para o jogo com o Figueirense, restaram duas alternativas a Fernandes. Uma é optar pelo especialista Wellington, que sequer chegou a fazer sua estréia pelo Náutico. A outra é partir para a improvisação, dando outra chance a Everaldo, outro que foi bem contra o Cruzeiro, justamente como ala esquerdo.
"Estou na expectativa e a torcida pode esperar que vou fazer de tudo para ajudar a minha equipe nessa decisão. Passei um tempo me recuperando de uma contusão, mas estou pronto e ansioso em fazer a minha estréia pelo Náutico. Se falta um maior ritmo de jogo, a gente tem que compensar com muita força de vontade. E é ter na cabeça que, mais do que força de vontade, nós temos objetivos a cumprir na competição que dependem do jogo de amanhã", comentou Wellington.
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