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20/11/2008 - 08h14

Vasco promete boa recepção, mas polícia e São Paulo se precavêem

Bernardo Coimbra e Renan Prates
No Rio de Janeiro e em São Paulo
Decisão. Esta palavra resume bem o que será a partida entre Vasco e São Paulo, domingo, às 17h (horário de Brasília), em São Januário, pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro. Para o Cruzmaltino, a vitória significa um novo passo na luta contra o rebaixamento. Já para o Tricolor paulista, o triunfo vai deixá-lo ainda mais próximo do seu sexto título nacional.

ARREDORES DE SÃO JANUÁRIO
Bernardo Coimbra/UOL
Estreita, a rua Francisco Palheta é a entrada principal da torcida do Vasco
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A rua São Januário também dá acesso ao estádio com o mesmo nome e é estreita
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Os torcedores são-paulinos devem entrar no estádio pelo portão 11 ou pelo portão 12
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Além dos ingredientes naturais de uma partida, o duelo deste domingo, especificamente, apresentou um clima "diferente" fora das quatro linhas. Preocupado com os problemas extra-campo em São Januário, o técnico Muricy Ramalho reclamou.

"Todo ano lá é confusão, e a confusão continua. A dificuldade é muito grande para chegar, para sair é complicado, dentro de campo tem muita gente... Sempre falamos e com certeza vai acontecer. É preciso ter segurança, gente cuidando disso", avisou, no último domingo, após a vitória do São Paulo sobre o Figueirense.

A declaração do técnico são-paulino não foi bem aceita no Vasco. O presidente do clube, Roberto Dinamite, avisou que toda a delegação do São Paulo será muito bem recebida em São Januário.

"Estou avisando para a diretoria do São Paulo que eles terão um tratamento perfeito, assim como fomos recebidos na partida do primeiro turno, no Morumbi. Futebol se ganha dentro de campo e não vão encontrar nada de anormal. Apenas uma equipe que quer vencer o jogo", salientou o dirigente.

Cerca de 300 policiais vão cuidar da segurança no estádio

Para cuidar da delegação do São Paulo, o policiamento já está todo esquematizado com o efetivo em torno de 300 homens. Os tricolores terão escolta desde a chegada no Rio de Janeiro, no sábado, à tarde, até o retorno para a capital paulista, logo após a partida.

Segundo assessoria de imprensa do São Paulo, o clube tomou apenas os cuidados iguais a de uma partida decisiva, como foi o jogo com o Grêmio, no Olímpico, e diante do Palmeiras, no Parque Antarctica. Está descartada também a contratação de seguranças particulares especificamente para o jogo. O hotel para a concentração ainda não foi escolhido, mas são duas as opções: na Barra (Zona Oeste da cidade) e Copacabana (Zona Sul da cidade).

"Faremos a escolta da delegação do São Paulo desde a chegada ao aeroporto até o seu hotel. Depois, do hotel até o estádio e do estádio para o aeroporto novamente. Não existe o menor tipo de preocupação", disse o comandante do Gepe (Grupamento Especial de Policiamento em Estádios), major Busnello.

Torcedores do São Paulo não serão esquecidos

Os tricolores que forem a São Januário também receberão tratamento especial, com o objetivo de evitar qualquer conflito com os cruzmaltinos. Historicamente as facções organizadas de Vasco e São Paulo não possuem um bom relacionamento o que causa uma preocupação extra, pois as ruas em volta do estádio são estreitas, possibilitando uma briga.

FILA INTENSA POR INGRESSOS
"Os torcedores do São Paulo serão escoltados desde o pedágio de Paracambi (município que fica cerca de 80 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro) até São Januário. Na volta, o mesmo esquema. Porém, eles serão liberados uma hora após a partida, quando a torcida do Vasco já tiver deixado o estádio. Enfim, sem problema nenhum, como acontece no Engenhão e no Maracanã", encerrou o major Busnello.

São Januário: histórico de confusões

Apesar de todas as providências da polícia e do discurso apaziguador do Vasco, São Januário é conhecido por algumas confusões. Na década de 90, os ônibus da torcida do Corinthians tiveram os pneus furados, impedindo a saída dos corintianos do Rio de Janeiro.

Diante do Santos, também na década de 90, o clima ficou mais tenso. O local reservado aos torcedores foi invadido pelos cruzmaltinos. Encurralados, os santistas pularam para o campo e a confusão foi generalizada.

No Brasileiro de 2005, a torcida do Vasco impediu a entrada dos torcedores do Atlético-PR no estádio. Na mesma competição, cerca de dois meses antes, o clássico com o Flamengo foi disputado em São Januário. Como uma grande confusão em torno do estádio, a polícia interveio e jogou gás de pimenta nos torcedores rubro-negros.

Confusões aconteceram também em partidas contra o Coritiba. Numa delas, a torcida do Vasco entrou no ônibus da delegação paranaense e agrediu os jogadores, já que um deles tinha mostrado a camisa do Flamengo para os cruzmaltinos. Já no Brasileiro deste ano, após a derrota por 2 a 0, os torcedores, irritados com o resultado, tentaram invadir o vestiário do Vasco, mas foram impedidos pela polícia.

"É complicado jogar lá. Eles jogam coisas no ônibus, fazem um tumulto ao redor do gramado durante o jogo, entre outras coisas. Mas nós não temos que nos preocupar com isso. Temos que jogar uma boa partida e tentar a vitória", sentenciou o são-paulino Jorge Wagner.

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