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20/11/2008 - 09h05

Calendário cheio enxuga período de testes da seleção em 2009

Paulo Cobos
Da Folhapress
Em Brasília
Seja quem for o treinador da seleção brasileira em 2009, ele terá poucas oportunidades de fazer testes na equipe. Na próxima temporada, o time nacional terá pelo menos 11 jogos oficiais (podem ser 13). Amistosos garantidos pelo calendário da Fifa são apenas dois - esse número pode aumentar em novembro de acordo com o que acontecer nas eliminatórias para o Mundial.

Uma proporção muito diferente do que os treinadores da seleção se acostumaram nas últimas décadas. A começar por Dunga, que comandou na noite de quarta-feira o time no último amistoso do ano - goleada por 6 a 2 sobre Portugal.

Desde que assumiu o cargo, há 27 meses, ele teve a chance de colocar o time para jogar em 19 amistosos, o que praticamente significa um a cada 40 dias. Caso siga no comando da equipe em 2009, pode fazer só dois em 12 meses.

A "culpa" pela falta de jogos para teste está no inchaço do calendário de partidas oficiais na próxima temporada.
Só pelas eliminatórias serão oito partidas. Se terminar na quinta posição, o Brasil ainda teria que fazer duas partidas por uma repescagem contra um time da Concacaf.

Como atual campeã sul-americana, a seleção ainda vai disputar a Copa das Confederações, na África do Sul, sendo que apenas quatro dias irão separar, em junho, o jogo contra o Paraguai, pelas eliminatórias, do início da competição que serve como preparação para o próximo Mundial, onde o Brasil faz três jogos na primeira fase, além de uma eventual participação nas semifinais e final.

Isso significa que a seleção vai ficar junta durante todo o mês de junho, só que com muitos jogos e pouco tempo de descanso no final da temporada pelos padrões europeus.

No próximo ano, todos os jogos como visitante pelas eliminatórias são complicados. O time nacional vai jogar nas casas de Equador, Uruguai, Bolívia e Argentina. No qualificatório passado, o Brasil somou só dois pontos jogando contra esses adversários como visitante.

Dunga justifica o futebol ruim da sua equipe justamente pela falta de treinos e também pelo desgaste das viagens no qualificatório da Copa. Ele ainda fala que precisa fazer muitos testes porque teve de renovar o time que fracassou na Copa da Alemanha. Para defender esse tese, comete até exageros e erros.

"Do meu time atual, só o Lúcio e o Juan eram titulares absolutos em 2006. O Kaká não jogava sempre", falou o treinador. Kaká nunca foi reserva no Mundial da Alemanha - na verdade, desde 2005 era titular do time montado por Carlos Alberto Parreira.

Gilberto Silva, outro que tem status de titular na seleção sob o comando do atual treinador, também atuou como titular em alguns jogos na Copa de 2006. Dunga já adiantou que no próximo ano vai trazer Ronaldinho, outro que era protagonista no fiasco da Alemanha, de volta para a seleção principal.

O primeiro compromisso do Brasil na próxima temporada acontece em fevereiro, no amistoso contra a Itália, em Londres. Pelas eliminatórias, a primeira partida do ano acontece no final de março, contra o Equador na altitude de Quito.

Queda na arrecadação

Com menos datas, uma das fontes de arrecadação da Confederação Brasileira de Futebol deve diminuir. A entidade vendeu os direitos dos amistosos para um grupo árabe.

Por cada amistoso, a CBF recebe, pelo câmbio atual, cerca de R$ 3,5 milhões. Quando o time joga em casa pelas eliminatórias, o faturamento é bom, mas nas quatro vezes que jogará fora a renda é do rival. Também diminui a chance de exposição dos patrocinadores da entidade.

Na Copa das Confederações, por exemplo, as placas publicitárias são de parceiros da Fifa.

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