A pouco menos de seis anos da Copa do Mundo de 2014, o Brasil irá passar por uma onda de revitalização dos estádios. As arcaicas instalações devem receber uma ampla reforma ou mesmo darem lugar a modernas arenas. Todo esse processo, no entanto, tem um preço, e bem alto, e o grande dilema que os gestores esportivos vivem é como pagarem essa conta e ainda ampliarem as receitas, isso tudo sem deixar fora nenhuma faixa da população.
A tão falada "elitização" do futebol é alvo de debate até na raiz do seu termo. Especialistas e dirigentes chegam até a se irritarem com a palavra, alegando que essa nomenclatura é prejudicial para o esporte.
"Chamar de elitização é algo totalmente negativo. A pessoa que inventou esse termo ou é ignorante ou está mal intencionada", dispara Rafael Plastina, diretor de marketing e comercial da Informidia, empresa que presta consultoria aos principais clubes brasileiros.
A elitização atacada pelo especialista é, na verdade, o aumento no valor dos ingressos de uma partida de futebol. Com o tíquete mais caro, torcedores com baixo poder aquisitivo não teriam condições de assistir a uma partida no estádio. Além de ser um desperdício de receita, essa postura pode expor ainda mais a latente desigualdade social no país.
"Você tem de dar oportunidade, digamos, para que a pessoa de baixa renda vá ao jogo. Já existe tanta exclusão no Brasil, que não podemos excluir as pessoas dos estádios também. Por isso, temos de ter uma disposição no estádio que compreenda todos os torcedores, separando uma parte do estádio para quem pode pagar mais", analisa Luiz Gonzaga Belluzzo, diretor de planejamento do Palmeiras.
"Em um avião você tem a primeira classe, a executiva e a econômica. Em uma corrida de automobilismo tem o paddock, o setor vip e a arquibancada. Então não dá para tratar da mesma forma os falsos iguais. A pessoa que pode, paga pelo seu conforto", completa Modesto Roma Junior, supervisor administrativo do Santos.
Enquanto Palmeiras e Santos, clubes que criaram recentemente setores diferenciados com apoio da Visa, falam em democratização, o Atlético-PR vai em uma direção contrária. Primeiro clube a apostar na construção de uma moderna arena, seguindo os padrões europeus, a equipe paranaense não esconde sua postura de aumentar o valor dos ingressos, mesmo que isso signifique excluir parte da sua torcida.
"Os estádios precisam ser melhorados, mas ninguém faz isso sem dinheiro. À medida que entregamos a nossa arena, em 1999, mostramos que tínhamos um espaço limpo, com segurança, com uma praça de alimentação, e é claro que o valor do ingresso aumentou. A população que pode pagar, vai pagar. Quem não pode, não pode. Funciona assim com qualquer produto", afirma Mauro Holzmann, diretor de marketing do Atlético-PR.
Apesar de o ingresso mais barato da Arena da Baixada custar R$ 30 e o time dentro de campo não fazer uma boa temporada, o Atlético-PR ostenta uma boa média de público e renda neste Campeonato Brasileiro. Com 16.750 torcedores por jogo e arrecadação por partida de R$ 266.557,08, o clube paranaense é o nono colocado em ambos os levantamentos, à frente do Botafogo, por exemplo, que tem cobrado R$ 8 nos tíquetes nas últimas rodadas e que joga no Engenhão, estádio mais moderno do país.
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