Após assegurar a permanência do Atlético-PR na Série A, o técnico Geninho revelou que fez um contrato de risco, quando foi convidado a voltar à Arena da Baixada: aceitou ganhar um salário reduzido, desde que fosse ressarcido, caso ajudasse o Furacão a se livrar do rebaixamento.
"Eu fiz uma aposta em mim. Eu reduzi bastante o salário, em relação ao que eu vinha ganhando em outros clubes. Só que eu fiz uma aposta. Se livrasse o time, eu seria ressarcido. Eu não vim aqui de santinho, não. Mostrei outros contratos que tive e fiz a aposta. E acho que o clube vai pagar na maior alegria", declarou.
O técnico disse que aceitou o desafio, também, pela grande identificação que tem com o clube e a torcida, pelo fato de ter sido campeão brasileiro, em 2001. Ele confessa que foi chamado de "louco" por amigos.
"Quando eu vim pra cá, vários amigos me chamavam de louco. Perguntavam-me se não tinha medo de quebrar o encanto com a torcida. Eu não tinha medo. Tinha que fazer a torcida jogar com este time. Eu não poderia virar as costas para o clube. Muito do que sou como técnico, eu devo ao titulo de 2001. Eu não poderia deixar um time que eu ajudei a ser campeão brasileiro cair para a segunda divisão," confessou.
Geninho assumiu o Furacão na zona de rebaixamento e conseguiu levá-lo à reação que o livraria do rebaixamento. O treinador admite que a tarefa foi muito mais desgastante do que em 2001.
"Espero que esta seja a última vez que o Atlético brigue em baixo da tabela, porque eu não tenho vocação para bombeiro. Foi muito, mas muito mais desgastante do que aqueles três meses que dirigi o time antes do título brasileiro", declarou.
Segundo ele, quando chegou encontrou a equipe muita abatida e teve algum trabalho para recuperar a auto-estima do grupo, que mostrava-se desunido.
"Resgatar a auto-estima não foi de uma hora pra outra. Era um time que estava muito abatido, estava quase nocauteado. Em função disso, os jogadores não se relacionavam bem. Tínhamos outro problema, tão grave quanto, que era o grande número de jogadores no departamento médico. Na eram um ou dois. Eram até seis por jogo. Contra o Internacional chegamos a jogar sem oito titulares. E isto também afetava o moral do grupo", revelou.
Apesar de ser apontado como o principal responsável para fuga da degola, o técnico procurou dar os méritos aos jogadores. "Os jogadores entenderam a minha proposta. Então, é mérito do grupo que entendeu e soube reagir. Quando eu cheguei aqui eu disse pra eles que iria cobrar, iria xingar, mas avisei que eu não jogo. Quem iria conseguir os resultados eram eles", observou.
Em relação ao futuro, o treinador reafirmou que foi convidado para permanecer no clube, na próxima temporada, mas isto vai depender do resultado das eleições, nesta segunda-feira.
"O Marcos [Malucelli] me procurou há quinze dias, dizendo que gostaria que eu permanecesse. Eu disse que não era hora de conversar sobre aquilo. Acabei de ter a mesma conversa com ele. Amanhã [segunda-feira] o clube tem uma eleição. Eu vou ao Rio e a gente pode ter uma conversa e não há nada que impeça que eu continue", admitiu.
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