A venda de bebidas alcoólicas é uma atividades que, além de não combinar com atividades físicas de alto rendimento, como o futebol, também é proibida em boa parte dos estádios brasileiros. Esse ato ilegal, no entanto, foi flagrado durante os jogos da Copa São Paulo de juniores realizados em Itu, tanto no último sábado, quanto nesta terça-feira. Cruzeiro, Desportivo Brasil, Baré-RR e Rio Bananal-ES jogam na cidade.
A reportagem do
UOL Esporte presenciou a venda livre de cervejas com álcool, fato proibido em todos os estádios paulistas, durante os quatros jogos já realizados em Itu. A comercialização era feita no próprio bar do estádio Novelli Junior, e não houve qualquer tipo de repreensão por parte da polícia ou dos representantes da Federação Paulista de Futebol.
Para burlar qualquer tipo de fiscalização, o responsável pelo estabelecimento deixava, em uma área ligada ao balcão de atendimento, um freezer com algumas latas de cerveja sem álcool em cima. Quando o torcedor comprava uma cerveja, no entanto, ele retirava de dentro de outra geladeira um copo com a bebida alcoólica.
Cada cerveja é vendida dentro do estádio em um copo de 350 ml e, para comprar, o torcedor precisa pagar R$ 2,50. O valor é menor, inclusive, ao de um saco de pipocas, que custa R$ 3.
Além de não haver qualquer tipo de fiscalização em torno da venda de cerveja, o consumo de drogas também é livre. Sentado no último degrau da arquibancada do estádio, um jovem, vestido com uma camisa de uma torcida organizada do Ituano, time da cidade, fumava um cigarro de maconha sem ser incomodado por ninguém, no último sábado.
Para incentivar o público local a assistir aos jogos da Copa São Paulo, não há cobrança de ingressos. Além da entrada livre, os policiais responsáveis pela segurança do jogo não revistavam ninguém que entrava no estádio, facilitando o acesso das pessoas com qualquer tipo de objeto, inclusive drogas, como foi o caso.
Procurado pela reportagem do
UOL Esporte para comentar o caso, o procurador-geral do Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo, Antônio Carlos Meccia, negou que o assunto seja da alçada da Federação Paulista de Futebol, responsável por organizar o torneio. "A federação organiza, mas quem tem de fiscalizar não somos nós, e sim a polícia", explicou o jurista.
Porta-voz da Polícia Militar em Itu, o coronel Gusmão admite que houve falhas no procedimento referente à revista do público e informou que faz vistorias periódicas no bar do estádio para constatar se a cerveja vendida é sem álcool. Porém, ao ser informado pela reportagem do "esquema" do responsável pelo estabelecimento, afirmou que irá checar novamente.
"Vou chamar os policiais que trabalham nessa área e vou passar essa orientação, para que busque isso na geladeira. Eu tenho outras reclamações do bar, que já foram encaminhados à prefeitura. Já sobre a revista, é algo fundamental para a segurança do público e dos policiais. Se houve uma falha, iremos rever o procedimento", afirmou Gusmão.
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