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06/01/2009 - 17h40

Hernanes dá palestra para garotos da base do Santa Cruz

Márcio Markman
No Recife
Melhor jogador do Campeonato Brasileiro de 2008 e tricampeão pelo São Paulo, o volante Hernanes viveu uma experiência diferente, na tarde desta terça-feira. De férias no Recife, o craque são-paulino passou a sua experiência no futebol para os garotos da divisão de base do Santa Cruz.

Durante cerca de uma hora, Hernanes falou da sua trajetória, primeiro, no futsal e na equipe infantil do Unibol, campeã pernambucana de 1999, depois, nas divisões de base do São Paulo Futebol Clube. Acompanhado atentamente pelos jogadores das categorias sub-13, sub-15, sub-17 e sub-20, o volante falou, basicamente, dos três princípios que o nortearam em sua carreira.

"Quando cheguei ao juvenil do São Paulo, eu tinha a consciência de que, no máximo, somente 10% dos jogadores despontariam e fariam carreira no profissional. Coloquei a meta de que eu seria um deles. Aqueles que vencem são aqueles que têm princípios e não os violam por nada. O primeiro é a humildade, o segundo é aceitar tudo o que for correto, honesto, para não ser derrotado, e o terceiro é ter paciência,pois uma hora as coisas se encaixam", destacou o camisa 19 do Tricolor paulista.

Hernandes relembrou algumas passagens difíceis durante a estadia na base do São Paulo para exemplificar a sua tese. "Cheguei em 2001 e somente em 2005 assinei o meu primeiro contrato como profissional. No juvenil, pouco joguei. As duas Copas São Paulo que disputei fiquei no banco. Foi preciso ser humilde para continuar aprendendo, aceitar aquela situação e ter paciência. Os que eram feras naquele tempo, hoje não estão no São Paulo", declarou.

O jogador também passou o seu recado aos pais de jogadores que estiveram presentes à palestras no auditório do Santa Cruz. Para ele, a participação dos pais no processo de formação é fundamental e, muitas vezes, é o que impede que um determinado garoto desponte.

"Às vezes, os pais é que alimentam essa impaciência dos garotos. Minha mãe sempre me apoiou, mas sempre com uma postura crítica. Nunca foi de pedir para o treinador que eu jogasse. Não existe gente burra, existe gente mal-instruída. Os pais têm o dever de instruir bem os seus filhos", analisou.

Depois da palestra, da entrevista aos repórteres que acompanharam o evento e de atender com paciência e simpatia aos inúmeros pedidos de autógrafos e fotos, o jogador elogiou a iniciativa do Santa Cruz, que foi viabilizada pelo treinador da equipe sub-17 do clube pernambucano, Marconi Moura, ex-treinador de Hernanes do futsal do Colégio Boa Viagem, no Recife.

"Acho importante. Para aquele que estava atento, pode servir de alguma coisa. Não que eu seja o certo, mas sou um modelo de vitória. Acho que sou um modelo para eles se espelharem", explicou.

O diretor das divisões de base do Santa Cruz, Fred Arruda, comemorou a presença do pernambucano Hernanes no bate-papo com os jovens talentos do Tricolor do Arruda. "Conhecer como foi a evolução da carreira de um jogador como Hernanes, que os garotos podem se espelhar, é algo muito proveitoso. Pernambuco sempre teve a tradição de revelar jogadores e nós queremos fazer isso agora em maior escala. Nossa meta não é ser campeão é revelar jogadores para o profissional", comentou o dirigente.

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