Ainda faltavam quatro dias para o russo Roman Abramovich sentenciar Luiz Felipe Scolari. Mas a última entrevista do brasileiro como técnico do Chelsea mostra que ele já sentia que estava prestes a perder o emprego e bastante insatisfeito com o rendimento do time.
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UOL Esporte teve acesso à entrevista dada para o jornalista francês Marc Beauge, da revista
France Football, na última quinta-feira, dia 5 de fevereiro, em Londres. Possivelmente as últimas palavras de Felipão sobre o Chelsea que serão lidas em muito tempo - a cláusula rescisória assinada com os ingleses nesta semana impede que o técnico fale publicamente ou dê entrevistas sobre o Chelsea.
Algumas declarações são bombásticas. Scolari diz que seu time era "burocrático" e não tinha ninguém para fazer a diferença em campo. "Robinho poderia ter sido esse jogador. Ele não tem medo de driblar, de se arriscar. Como brasileiro, eu gosto disso. Meu time não é suficientemente brasileiro", queixou-se.
Felipão lamentou não ter conseguido formar uma "família Scolari", como as formadas quando treinava Brasil e Portugal. E, curiosamente, ele fez uma reclamação corriqueira entre os treinadores de seleções nacionais, mas rara de ser ouvida entre técnicos de clubes. Faltava tempo para treinar e arrumar o time taticamente.
Leia abaixo os principais trechos da última entrevista de Luiz Felipe Scolari como técnico do Chelsea.
Sobre a possibilidade de demissão:"Não tenho medo de ser demitido. Os dirigentes são os responsáveis. No verão passado eles decidiram me oferecer o cargo de técnico. Era responsabilidade deles. Se eles decidirem me demitir agora, também é decisão deles. Eu só faço o meu trabalho."
| NÚMEROS DE FELIPÃO NO CHELSEA |
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 Felipão não aguentou a pressão da torcida e da imprensa inglesa e deixou o Chelsea |
| PARTIDAS | 41 |
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| VITÓRIAS | 24 |
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| EMPATES | 12 |
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| DERROTAS | 5 |
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| APROVEITAMENTO | 68,3% |
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| TÍTULOS | Nenhum |
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DEMISSÃO DE SCOLARI FOI JUSTA? |
O que estava dando errado no Chelsea?"Eu não entendo por que não estamos jogando bem. Às vezes é um problema de posicionamento dos jogadores no campo. Às vezes nós perdemos a bola com muita frequência. Há também falhas individuais. As contusões também fazem as coisas difíceis. Quando você coloca todas essas coisas juntas, a situação é muito complicada."
Sobre o esquema tático:"Se eu tivesse os jogadores para usar um 4-4-2, eu usaria. Mas eu não tenho esses jogadores, então preciso fazer adaptações. No meu time é muito difícil colocar Drogba e Anelka juntos na frente. Eu não tenho jogadores para as laterais do campo nesse sistema. Kalou pode jogar na ponta em um 4-3-3, mas não em um 4-4-2, ele não defende bem o suficiente para isso. Com Anelka e Drogba na frente, quem jogaria pela esquerda? E quem jogaria pelo meio? Se nós jogássemos em um 4-4-2, perderíamos a batalha no meio-de-campo. Então eu preciso escolher entre Anelka e Drogba. E Drogba está sem confiança no momento. Depois de duas ou três contusões graves, está faltando algo para ele. Drogba não tem confiança suficiente, então eu escolho o Anelka."
Sobre Florent Malouda, da seleção francesa:"O Malouda do Chelsea não é o mesmo Malouda do Lyon. Ele está bem, mas não é o mesmo que era no Lyon. Ele não faz mais a diferença nas partidas."
Métodos de treinamento:"Nós não temos tempo de trabalhar taticamente, porque há jogos demais neste país. Nós trabalhamos em coisas específicas com a defesa e o ataque, principalmente bolas paradas. Mas o meio-de-campo precisaria de mais tempo. Nós temos 15 minutos aqui, 10 ali para trabalhar e não são suficientes. Infelizmente os meio-campistas não trabalham tanto."
| INGLESES SE VINGAM DE FELIPÃO |
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 A sequência de maus resultados e o legado vitorioso do português José Mourinho no Chelsea são os motivos comuns citados pela imprensa inglesa para a demissão de Luiz Felipe Scolari. A decisão do magnata russo Roman Abramovich, no entanto, gerou julgamentos distintos. Enquanto alguns analistas criticam a intromissão do dono do clube, outros veem a saída precoce de Felipão como uma vingança da Inglaterra, eliminada três vezes em competições internacionais pelo treinador brasileiro. |
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Por que tantos coletivos?"Na Europa eu sei que os técnico geralmente não fazem coletivos. Mas no Brasil nós fazemos com frequência. Lá, se um jogo é no sábado e o seguinte no outro sábado, nós fazemos coletivos na terça e na quinta. Ajuda a posicionar os jogadores, bolas paradas, etc. É trabalho tático e acho que pode ajudar o time."
Relação com os jogadores:"Há egos no vestiário, mas isso é normal. Não é? Mas minhas relações com os jogadores são boas dentro de campo. É verdade que não são iguais às que eu tinha com meus jogadores em Portugal, mas eu passei cinco anos por lá. No Brasil também era mais fácil. Eu sabia tudo sobre os jogadores. Aqui eu não tenho uma relação familiar com os jogadores. É tudo no campo. Fora, não há nada."
Por que não faz aulas de inglês?"Não tenho tempo."
Sobre o que falta para o Chelsea:"No Chelsea nós não temos o jogador que pode fazer a diferença sozinho produzindo algo mágico no campo. Nós sentimos falta disso. Não sei por quê. No passado, (o holandês Arjen) Robben estava no Chelsea e poderia fazer a diferença. Mas agora não há ninguém. Robinho poderia ter sido esse jogador. Ele não tem medo de driblar, se arriscar. Como brasileiro, eu gosto disso. Meu time não é suficientemente brasileiro. É um time burocrático! É o estilo dos meus jogadores. É por isso que o Robinho poderia ter feito muito bem para o time."
Sobre não ter dinheiro para contratações: "É uma situação nova para o clube. Eu entendo a situação no mundo e por isso é mais difícil comprar jogadores. Não tem problema. Eu não tenho que usar isso como desculpa. Eu tenho um bom time e quando assinei com o Chelsea não me prometeram uma fortuna para gastar com jogadores. Eu tenho um bom time."
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