Se as causas da violência relacionada ao futebol geram um grande debate entre especialistas no assunto, uma possível solução monopoliza os discursos. Mais do que simplesmente restringir torcidas adversárias em clássicos, o objetivo das autoridades para conter as constantes brigas entre torcidas é criar novas leis ou modificar as atuais, endurecendo assim as punições aos contraventores.
As principais lideranças sobre o assunto são unânimes em apontar o sentimento de impunidade como um fator estimulante para que a violência entre torcedores, não só no entorno das praças esportivas, se propague em progressão geométrica por todo país.
"A impunidade ainda é um fato de desequilíbrio. Quem não tem medo da lei vai infringi-la. O torcedor que machucar, matar ou enfrentar a polícia dentro de uma praça esportiva ou cercanias não pode estar submetido a um direito penal mínimo, mas sim a um máximo", sentenciou José Reinaldo Guimarães, promotor e secretário-executivo do Gaeco.
"O que acontece na prática é aquela puta briga, com aquela dancinha ridícula. A Polícia Militar chega, afasta, e acabou. A doutrina do Choque é dispersar, mas precisa de outro órgão que possa prender", completou Fernando Capez, deputado estadual (PSDB-SP) e promotor responsável pelo fechamento, na década de 90, da Torcida Independente e da Mancha Verde.
Dentro destas duas linhas de raciocínio, as autoridades que tentam combater a violência no futebol lutam para a aprovação de um projeto de lei que permite alterar alguns pontos do Estatuto do Torcedor. A matéria está tramitando no Congresso desde 2005 e ganhou a simpatia do deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP), que trabalha nesta questão ao lado do Ministério Público de São Paulo.
Além do próprio enrijecimento da legislação contra atos de violência, o projeto de lei também abrange outras práticas que, na visão dos promotores do MP, influenciam, mesmo que indiretamente, nas brigas, como a ação dos cambistas, a venda ilegal de bebidas alcoólicas nos arredores dos estádios e até fraudes no esporte.
Apesar de já estar tramitando há quatro anos, a expectativa é que a matéria possa ser finalmente votada pelos deputados no segundo semestre deste ano. "Nós estamos tentando fazer com que essa tramitação seja em caráter emergencial", resumiu o representante do Gaeco.
"Existem pessoas que se envolvem em crimes relacionados ao futebol e, por isso, precisamos melhorar a legislação para coibir esta violência, pois deixamos a desejar. Temos um monte de coisas para melhorar também, como os camelôs e a venda de bebidas, pois tudo isso cria um ambiente que parece ser terra de ninguém", afirmou o promotor Paulo Castilho, uma das autoridades que propôs as medidas do projeto de lei que tramita no Congresso.
Procurada pela reportagem do
UOL Esporte durante as últimas duas semanas, o comando da Polícia Militar de São Paulo, por meio de sua assessoria de imprensa, recusou-se a conceder entrevistas.