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20/07/2009 - 07h03

Polícia usa 'prevenção' para tentar evitar brigas agendadas pela internet

Luiz Gabriel Ribeiro*
Em São Paulo
O ambiente no entorno e dentro dos estádios brasileiros está longe de ser tranquilo e é pouco indicado para famílias. O comportamento de alguns torcedores organizados que deixam o jogo de lado e se concentram em brigas e provocações é a principal causa para graves episódios de violência que se acumulam no país desde 1988 - ano em que a primeira morte relacionada ao futebol foi registrada no Brasil. O crescimento da internet, a partir dos anos 90, resultou em uma importante ferramenta para torcedores que desejam se enfrentar antes, durante e depois de partidas de futebol.

VIOLÊNCIA AINDA FAZ PARTE DA ROTINA NO FUTEBOL BRASILEIRO
Júnior Lago/AGIF/AE
Polícia Militar planeja ações preventivas, mas ainda tem que recorrer às repressivas
Folha Imagem
Ministério Público diz que também existe a necessidade de monitoramento nos estádios
AUTORIDADES PEDEM 'EMERGÊNCIA'
TORCIDA ÚNICA PODE SER SOLUÇÃO?
COMPORTAMENTO ALTERA SERVIÇOS
ESPECIALISTAS APONTAM AS SAÍDAS
Nos últimos dez anos, o Brasil é o país que registrou mais mortes por incidentes entre torcedores. Segundo estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), liderado pelo sociólogo e professor Maurício Murad, 42 pessoas perderam as suas vidas durante este período. O levantamento foi elaborado com base em informações publicadas pela imprensa e aponta que a marcação de tocaias através da internet é cada vez mais comum.

A Polícia Militar de São Paulo conhece os métodos de agendamento de confrontos e aponta a rede de computadores como um meio popular para discussões e aumento das rixas. Por isso, há um departamento especial que monitora sites de torcidas organizadas e fóruns acessados pelos torcedores. As ações preventivas, de acordo com o capitão Leandro, do 2º Batalhão de Polícia de Choque, têm alcançado sucesso.

"Executamos atividades de monitoramento na internet e fora dela, direcionadas aos grupos de torcedores que ainda insistem em manchar o futebol brasileiro com atitudes violentas e desonestas", comenta o capitão, que cita os locais da rede mais visitados por torcedores dispostos a brigar. "Os sites de torcidas e salas de bate-papo são alvos da seção de investigação, que tenta antecipar acontecimentos e proporcionar atuação preventiva".

Apesar das tentativas de "antecipação" aos atos violentos, a polícia de São Paulo ainda tem dificuldade para monitorar movimentos de torcedores na rede. O último caso de violência marcada através da internet no estado aconteceu em maio deste ano, quando cerca de 160 torcedores do São Paulo e do Palmeiras foram detidos pela polícia nas imediações da estação de trem do Itaim Paulista, Zona Leste da capital, durante um confronto. Neste episódio, que aconteceu antes de clássico válido pelo Brasileirão, a Polícia Militar teve que atuar de forma repressiva.

O Ministério Público de São Paulo, através do promotor de Justiça Paulo Castilho, dá o aval ao trabalho realizado pela polícia. Castilho reafirma a necessidade de agir preventivamente em casos de brigas entre torcidas organizadas. "A polícia tem monitorado e conseguido evitar muitos casos. Este é um problema cultural, e o Estado tem que agir preventivamente", reforça.

BRASIL LIDERA TRISTE RANKING
Nos últimos 10 anos, 42 torcedores morreram em conflitos dentro, no entorno ou nos acessos aos estádios de futebol. Os dados foram contabilizados e estudados pelo sociólogo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universo, Maurício Murad, baseado em dados fornecidos por jornais, revistas e rádios das principais cidades do país entre os anos de 1999 e 2008. As informações foram mais tarde checadas nos Institutos Médico Legais (IMLs) e nas delegacias de polícia das cidades onde as mortes ocorreram.

"Quando começamos a fazer o levantamento, o Brasil estava em terceiro lugar na comparação com outros países no número de óbitos. A ordem era Itália, Argentina e Brasil. Hoje, o Brasil conquistou o primeiro lugar. É uma conquista trágica, perversa", afirmou Murad.
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O Google, que hospeda a rede social Orkut, tem um acordo com o Ministério Público Federal de São Paulo, assinado em 2008, para combater o "conteúdo ilícito" na internet. A multinacional se coloca à disposição para colaborar com as autoridades brasileiras, a fim de preservar informações para investigações e desenvolver ferramentas de moderação humana com o objetivo de filtrar comunidades impróprias.

O investimento em ações no mundo virtual existe e está aliado à ajuda das empresas do setor. Por outro lado, a PM também destaca que as mesmas táticas preventivas são usadas desde a confecção de tabelas até conversas sobre eventos esportivos com sub-prefeituras. "O trabalho passa pela nossa interferência em datas, horários e locais das partidas. Realizamos reuniões preparatórias com a presença de autoridades para definir formas de comportamento e providências para o espetáculo", enumera o capitão Leandro.

Apesar de reconhecer o trabalho das polícias Militar e Civil, Paulo Castilho ressalta a necessidade de sistemas repressivos mais eficazes. "A principal necessidade que temos é de um sistema de monitoramento perfeito para identificar as pessoas que cometem deslizes no estádio. A união das polícias e Ministério Público também é fundamental para identificar, punir e afastar esse elemento do estádio de futebol. Temos que nos preocupar com o ambiente do futebol porque essas atitudes trazem de volta as pessoas de bem para os estádios", encerra.

* Colaborou Felipe Munhoz e Thales Calipo

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