Antes mesmo do início da Liga Futsal 2009, as três equipes do futsal que têm seus nomes vinculadas ao futebol, Corinthians, São Paulo e Vasco, já entravam para a competição com verba pequena e apostando em parcerias para tentar surpreender. Porém, todos caíram já na primeira fase do principal torneio do país, com campanhas abaixo do esperado.
| OS TRÊS 'TRADICIONAIS' NA LIGA |
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 O Corinthians foi o que mais se planejou, e o que mais se aproximou da classificação |
 Já o São Paulo teve dificuldades para fechar a parceria e foi um dos últimos |
 O Vasco, com a equipe juvenil em quadra, não comemorou nenhuma vitória no torneio |
BRASIL "B" CONVOCADO POR BI |
Com 19 participantes e 12 vagas na primeira fase, que se encerrou nesta segunda-feira, quem mais perto chegou da classificação entre o trio foi o Corinthians, que terminou na 14ª posição, com quatro pontos a menos que o 12º colocado. Já São Paulo e Vasco fizeram campanhas para serem esquecidas. O time paulista ganhou apenas uma vez e acabou em 17º lugar, com seis pontos, e os cariocas foram os penúltimos, sem nenhuma vitória conquistada, e mais três empates nos 18 jogos que disputou.
A força das equipes no futebol, porém, é totalmente desvinculada às quadras. "Muita gente acaba relacionando o futebol profissional com o amador, onde o investimento é muito menor", disse Alexandre Gaspar, supervisor de futsal do São Paulo/Suzano. "O São Paulo Futsal é uma coisa, o futebol é outra. Temos sempre pessoas muito empenhadas, mas ainda falta apoio para que possamos fazer o clube forte em todas as modalidades".
Se o São Paulo é tido como um dos clubes mais estruturados do futebol, o futsal segue um caminho inverso. Contratado para ser o grande nome do time, o experiente ala Pelé falou das dificuldades que enfrentou em seu retorno ao Brasil. "Não peguei desde o começo o projeto do São Paulo, pois cheguei só em março, mas a parceria [com a prefeitura de Suzano] ainda não estava muito certa, e isso refletiu muito no time. Às vezes tínhamos que treinar em Suzano, às vezes em São Paulo, era uma bagunça".
O próprio supervisor Gaspar admitiu a falta de organização. "Quando acabou o campeonato do ano passado, foi procurada uma prefeitura, algum parceiro para fazer uma campanha melhor, mas era ano de eleição, tivemos dificuldades, acabamos fechando com a prefeitura de Suzano em cima da hora, e não tivemos tempo hábil para contratação de atletas".
"Para 2010, infelizmente, estamos fechando essa parceria com a cidade de Suzano, mas temos um patrocinador [Dorilax] e já estamos visando novos parceiros, com mais tranquilidade, para que no ano que vem voltemos mais forte", completou Alexandre Gaspar. Já no rival Corinthians, o planejamento foi feito com mais calma. O que faltou, segundo os dirigentes, foi mesmo sorte dentro de quadra.
Equipe de maior torcida no Brasil, o Flamengo sinaliza uma possível participação na próxima edição da Liga Futsal. Porém, tudo depende da organização da competição dar o apoio suficiente às equipes fortes no futebol, dentro da categoria.
"O Flamengo tem interesse, mas vai depender do que a Liga pode fazer para nos ajudar", declarou Marco Bruno, do rival Vasco. "O ideal seria que fosse revisto essa perspectiva para os clubes de camisa. Estou na Liga há muito tempo, e não é dado aos clubes de camisa a importância que eles realmente tem", completou ele.
"Não é dado incentivo nenhum para isso. A Liga privilegia as empresas, em sua grande maioria. A atmosfera é feita em cima das empresas. Eles ignoram os clubes. Para poder ter um time com poderio competitivo é preciso muito dinheiro. A competição é muito cara. E os clubes de camisa não vêem isso", concluiu o supervisor. |
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| FLAMENGO NA LIGA FUTSAL? |
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"Formamos a parceria [com a Unip e com a cidade de São Caetano] no dia 30 de dezembro, e a partir daí realizamos todos os procedimentos corretamente. Mas no esporte, às vezes, mesmo você trazendo as peças, as coisas não acontecem. O time perdeu muitos pontos importantes, em jogos ganhos. Isso acabou prejudicando na classificação na 1ª fase", explicou Roberto Toledo, o Roba, gerente de esportes terrestres do Corinthians.
Laércio da Graça, supervisor do futsal da equipe alvinegra segue o mesmo raciocínio. "Associamos três forças para fazer uma equipe forte, competitiva, e deu certo. Mas as coisas no mundo da bola nem sempre funcionam perfeitamente. Nós fizemos o trabalho, pegamos as peças certas, fomos atrás de grandes jogadores. Mas talvez pelo pouco tempo de adaptação, não deu liga".
Já o esporte no Rio de Janeiro vive uma situação ainda mais complicada. O Vasco da Gama não conta com uma parceria que apoie o time. Marco Antônio Domingues Bruno, responsável pelo futsal da equipe, não vê um grande futuro para as equipes de "camisa" do futebol. "O futsal do Rio está num momento difícil, e não é de hoje. É de certa forma um elefante branco, já que temos essa franquia e temos que disputar a Liga. Para os clubes de camisa, fica muito complicado. Os clubes não priorizam o futsal. A TV gosta que eles participem, mas não incentiva financeiramente".
Sem estrutura, o Vasco foi obrigado a jogar com um time de juvenis, e acabou saindo da Liga Futsal sem nenhuma vitória. Para a próxima temporada, as três equipes 'tradicionais' seguem com indefinições de apoio e parcerias, sinalizando um novo ano sem muitas perspectivas na categoria.